ALONSO E A MERCEDES


Por Ialdo Belo

A mídia especializada tem mostrado nos últimos dias um Fernando Alonso com um sorriso de comer os brincos e falando mais do que o homem da cobra. O motivo? Tanto Alonso quanto, com perdão da má palavra, Briatore, veem num suposto impasse entre Hamilton e a Mercedes um possível retorno triunfal do espanhol à Fórmula 1.

Para quem estava em Marte e acabou de retornar à Terra, vamos explicar.
Lewis Hamilton é o piloto mais bem pago da F1 na atualidade e já acumulou ao longo da carreira uma fortuna de mais de 400 milhões de euros. Ainda assim, o espevitado inglês quer mais, muito mais! A Mercedes ofereceu algo em torno dos 90 milhões de euros por um contrato de duas temporadas, ou seja, 45 milhões por ano. Lewis rebateu com 60 milhões anuais e um contrato  até 2025, quando se aposentaria. Como em toda negociação, os alemães recusaram a contraoferta e a esperança agora é de que se chegue a um nível que agrade ambas as partes.

E onde entra Alonso nisso? A Mercedes está decidida a cortar custos e muitos veem nisso uma possibilidade concreta de Hamilton receber um "é pegar ou largar" como resposta e, simplesmente, largar.

Com a mais do que possível realidade de conquistar o seu 7º título como piloto em 2020, Lewis igualaria o recorde de Schumacher e se aposentaria no auge como o maior piloto de todos os tempos.

Outra possibilidade é uma troca pela Ferrari, que ainda não tem acordo firmado com Vettel para além do final desta temporada.

As duas possibilidades abrem a vaga de principal piloto na equipe prateada, sem contar que Valtteri Bottas também não tem nada acertado e tudo indica que os alemães deverão apostar num talento jovem como George Russel ou Lando Norris. Russel tem contrato com a Williams até o final de 2021, nada que não possa ser resolvido, e Lando entrou como opção quando a Mercedes fechou a negociação para fornecimento de motores para a McLaren a partir da próxima temporada. Uma das cláusulas prevê que, se a Mercedes quiser, poderá requisitar os serviços da jovem promessa.

Com tudo isso acontecendo, Alonso está extremamente confiante que voltará a pilotar um F1 em condições de lhe dar mais um campeonato e faz questão de não esconder isso de ninguém. A hipótese pode até fazer sentido, mas dois importantes fatores obrigatoriamente terão que ser levados em consideração, embora o espanhol e seu empresário flamboyant pareçam fazer questão de ignorá-los.

Um deles atende pelo nome de Sebastian Vettel, que se deixar a Ferrari seria uma escolha muito mais apropriada em nome da harmonia dentro da equipe alemã.

O segundo reside no fato de que a Mercedes estará decidindo a sua permanência ou não como equipe na F1 a partir de 2021 no dia 12 de fevereiro. Caso opte por deixar a categoria, continuará apenas como fornecedora de motores e aí entra um novo e intrigante elemento: a associação entre Toto Wolff e Lawrence Stroll para a criação da Aston Martin.

Não está definido ainda se a nova equipe substituirá a Racing Point ou se coexistirá com a atual equipe rosa, entretanto.

Como podem ver, a silly season deste ano começou antes da temporada. Agora é esperar e ver o que irá realmente acontecer.


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