STOCK CAR: CARLOS COL FALA SOBRE PRESENTE E FUTURO DA CATEGORIA



por Sergio Milani

No último sábado, dia 14, após um longo dia de preparativos para a final da Stock Car e da Stock Light, o presidente da VICAR, Carlos Col, abriu um espaço na agenda e promoveu uma entrevista coletiva para parte da imprensa. Em tom informal, que levou a conversa a durar o dobro do previsto, Col fez um ligeiro apanhado da situação da categoria e falou sobre o futuro.



CORRIDA DE DUPLAS
Um evento que se tornou tradição na categoria acabou não acontecendo este ano e teve seu retorno confirmado em 2020. Sobre esta corrida específica, Col falou que a premissa para a formação das duplas será preferencialmente trazer pilotos argentinos do TC2000 que estejam vinculados às marcas que estarão no campeonato (Chevrolet e Toyota).
Neste sentido, a ideia é transformar a Corrida de Duplas em um evento semelhante ao que existe na Argentina: os 200km de Buenos Aires. Tanto que o próprio Col considera inclusive batizar a prova de 200km de Goiânia e fazer a troca das duplas mais à frente na Argentina. Quanto a duração, não seria tanto problema, pois 200km seriam cerca de 90 minutos (regulamento argentino) e as corridas da Stock hoje duram cerca de 40 minutos cada etapa. As demais regras ainda estão em discussão, mas a tendência é uma abordagem “mais liberal”.
NOVOS CARROS
Quando perguntado sobre o novo conceito dos carros para 2020 e se o público perceberia tanta mudança na sensação de velocidade e disputas na pista, Col disse que as mudanças levaram em conta duas premissas: aproximar os carros mais próximos daqueles que se veem nas ruas, de maneira a atender as montadoras. Tal mudança também implica em deixar uma carroceria de fibra de vidro para de aço. E ainda prender a atenção do público, pois este está acostumado com um carro veloz e com aparência e barulho de um carro de corrida, o que está se mantendo. A expectativa é que haja algum impacto no desempenho, mas que não impacte na percepção de velocidade e na competitividade. Como bem observou Col, o desafio de engenharia é equalizar duas marcas diferentes. Afinal, “se uma marca ficar perdedora, ela para e diz “que brincadeira é essa? Não quero mais brincar””.  
A expectativa é que os modelos do Cruze e do Corolla sejam apresentados no final de janeiro. Segundo Col, o desenvolvimento do Toyota ocorre a 6 meses. Mas como o novo modelo foi lançado no final de setembro, pouco tempo atrás que os novos carros foram disponibilizados. 
DISTRIBUIÇÃO CHEVROLET X TOYOTA ENTRE AS EQUIPES
Quando perguntado como a situação ficaria, a primeira resposta de Col, foi “Sei, mas não conto”. Mas esclareceu que não houve acordo direto entre montadoras e equipes. Houve sim um entendimento entre Col e os Presidentes de montadoras que se faria uma distribuição das marcas entre as equipes ponteiras para garantir a competitividade. A definição está em fase final e as equipes delegaram a Col a definição. Embora muita coisa já estivesse bem encaminhada, houve um entendimento de que a divulgação antecipada poderia tirar a atenção na Final. 
BUSCA DE PÚBLICO
Perguntado sobre qual era a visão do papel e espaço da Stock para buscar público, Col respondeu que, nos últimos, o movimento da indústria de mídia e perfil do consumidor que levou a muitas mudanças. Deu como exemplo a BBC, que parou de transmitir a F1 ao vivo na Inglaterra e migrando para canais por assinatura. Col não vê como um defeito esta migração, mas como um movimento, motivado pelo aumento dos meios digitais de divulgação. Até usa como exemplo a própria Stock, que já teve 12 etapas ao vivo na Globo, e não vê isso acontecendo mais. Por isso a busca por novas abordagens para divulgação e dar visibilidade.
Um outro aspecto ressaltado foi a manutenção de públicos razoáveis pela Stock nos últimos anos, mesmo em um contexto de dificuldades econômicas e boa parte da área de entretenimento (esporte incluso) perdendo público e receitas.
CALENDÁRIO E LOCAIS
Foi um assunto que mereceu bastante discussão. Inicialmente, COL falou que a intenção é fazer uma pré-temporada em março em Goiânia (dia 8), embora ainda se trabalhe com possibilidade de São Paulo (Interlagos), embora se tenha uma dificuldade de datas. A ideia é fazer de modo que as equipes não tenham gastos maiores do que um final de semana de corrida. Caso não seja possível, vão se buscar outras soluções com as equipes, já que é um “momento de economia delicada”.
Com relação ao local “A definir” (08/11), Col negou que seria um retorno à Buenos Aires (“Porque não quero”, respondeu brincando). E nesta esteira, foi perguntado qual era a visão da dificuldade de ter locais para correr, já que vários circuitos não estão homologados ou não estão no nível desejado. Col reconheceu esta dificuldade e citou os casos de Brasília (fechado e em um processo arrastado de concessão) e Curitiba (questões legais sobre barulho e indefinições de continuidade das atividades). Sem contar outros que não se adequaram em relação a condições de segurança e infraestrutura (Tarumã e Guaporé). Estes aspectos são ruins, pois a repetição acaba por ter impacto sobre o público, pilotos e ativação de parceiros comerciais.
Sobre o desenvolvimento de novas praças, especificamente circuitos de rua, Col falou que a Stock tem interesse em fazer provas deste tipo. Deu o exemplo de Salvador como um evento que deu retorno interessante, já que o Nordeste é uma praça com bastante apelo (lembrou que tem 3 circuitos permanentes lá, mas sem homologações). Mas que, para isso acontecer, tem que haver o envolvimento do poder público para acontecer. E citou mais uma vez o caso da capital baiana, onde acertou com o Prefeito, mas teve que ir no Governador, que era desafeto político, para ter condições de fechar a realização da corrida.
PONTUAÇÃO
Perguntado se poderia haver uma mudança na atual pontuação, Col respondeu que já ouviu demandas para mudanças. Mas por outro lado, tem permitido disputas boas e um campeonato disputado até o final, citando o caso desta temporada, onde 6 pilotos chegaram à última etapa disputando o título.
Lembrado que o piloto favorito ao título poderia ser campeão com apenas uma vitória, Col respondeu que todo remédio tem seu efeito colateral, mas que poderão acontecer algumas mudanças pontuais.
NOVOS TALENTOS
Col citou a iniciativa desenvolvida com a Toyota para a estruturação de um projeto inicial de formação de novos pilotos. Este ano, o projeto começou no Velo Cittá e terminou em Interlagos, e envolveu não só atividades de pista, mas também como mídia training, entre outros. Neste momento, Binho e Paulo Carcaci (responsáveis pela Seletiva Petrobras de Kart) indicaram 6 pilotos do kart com base em resultados. O propósito é que estes pilotos testem um Stock Light e um deles teria a temporada 2020 subsidiada em cerca de 70%.
REGULAMENTAÇÃO E FISCALIZAÇÃO
Foi colocada a situação de que decisões esportivas são tomadas (de responsabilidade da CBA), mas que é a categoria quem acaba ficando com a imagem ruim. Diante disso, que ações a VICAR estaria trabalhando com a CBA para evitar este tipo de situação. Col declarou que sempre busca ser transparente e, da mesma forma que cobra, busca ser parceiro. Afinal “uma coisa não funciona sem a outra”. Então, muita parceria entre as partes, incluindo as Federações locais, está sendo feita para viabilizar os eventos. E esta união é necessária para fazer algo cada vez melhor, porque “a imagem que fica sempre quando há algum problema pior, fica sempre mais para a Stock...aí o cara que tá sentado em casa diz “ah, a Stock Car errou, a Stock Car isso e aquilo...””.
Mas Col fez questão de sublinhar que este ano ele observou uma evolução considerável no trabalho desenvolvido pela CBA e da profissionalização tão cobrada por eles ao longo dos últimos tempos.


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