O QUE O ACORDO RACING POINT-ASTON MARTIN PODE SIGNIFICAR PARA AMBOS.


por Dieter Rencken (www.racefans.net)
Traduzido por Sergio Milani
Este foi o assunto de ontem: a possível compra da Aston Martin por Lawrence Stroll. E o site RaceFans, que deu a notícia em primeira mão ontem, junto com os ingleses da Autocar, fez uma análise interessante sobre o negócio através de seu articulista Dieter Rencken .
Poderiamos fazer, como outros, a transcrição completa, parecendo que foi nosso. Mas segue aqui a tradução, com os respectivos créditos e o link original no fim da página. Desde já, desculpem-nos algum erro.
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Primeiramente, quando uma fonte me contactou sugerindo que um consórcio liderado pelo dono da equipe de F1 Racing Point pretendia fazer uma oferta para a compra da sitiada Aston Marin - cujo preço das ações havia despencado 75% desde que começou a ser listada um ano atrás na Bolsa de Valores de Londres enquanto a previsão de vendas havia sido reduzida desde então – a idéia de um dono de equipe de F1 comprar uma empresa automobilística parecia muito exagerada.
A fonte não era um agitador comum da F1, mas sim uma alta figura da indústria automobilística que no passado era um dos principais decisores quando os movimentos desta área impactavam a categoria. E Stroll não é um dono de equipe qualquer.
Stroll é um construtor de marcas por excelência, tendo elevado diversas etiquetas de moda para níveis estratosféricos nas bolsas de valores. O bilionário canadense, que começou sua trajetória no mercado de trapos de Montreal (literalmente), é um aficionado por carros de luxo, sendo dono de alguns dos mais sensacionais exemplares de Ferrari e vários outras marcas. Ele também é dono do sinuoso circuito de Mont-Tremblant, que recebeu as edições de 1968 e 1970 do GP do Canadá, localizado a duas horas da casa atual da prova.
Um parceiro de Stroll é Lord Anthony Bamford, descendente do fundador da JCB, empresa fabricante de maquinas de construção, e que também é outro colecionador que possui uma bela coleção de Aston Martin. Ele brevemente considerou a aquisição da Jaguar junto à Ford nos anos 2000 e foi o arquiteto do JCB DieselMax, construído para bater o recorde de velocidade em terra (mais de 560 km/h), um projeto pensado para ser “um exemplo da engenharia inglesa”.
Os logotipos da JCB nos carros da Racing Point – e anteriormente na Williams, quando Lance Stroll pilotava para o time – atestam a ligação entre os dois bilionários.
Nenhum destes fatores, embora definitivamente liguem Stroll (Banford ou ainda qualquer outro acionista da Racing Point), levam para uma aquisição da Aston Martin particularmente quando levados em conjunto com respostas “sem comentários” (oficialmente) tanto da montadora e do pretenso investidor.
Dito isso, quando contatados, nenhuma parte deu negativas diretas - conforme manda o bom senso do mundo dos negócios e a abrangência da informações, além da condição de empresa listada em bolsa da Aston Martin e o impacto delas sob o preço das ações, que subiram 20% logo após a divulgação da nossa notícia (NR: pela RaceFans). No momento de redação deste texto, cerca de 8 horas após a publicação, nenhuma declaração oficial foi dada.
No entanto, nossa fonte está confiante que um acordo está saíndo. Por que, então, teria isso algum sentido? Certamente, a marca Aston Martin definitivamente precisa de uma reestruturação, tendo tratado por mais de 50 anos com uma imagem agora um tanto cansada de James Bond. Onde no final dos anos 50, Aston Martin foi uma vencedora de Le Mans e agora é uma pontuadora constante na F1, cujo logotipo de “asa” aparece no Red Bull RB15 impulsionado pela Honda.
Um detalhe geralmente esquecido é que a Mercedes-Benz possui uma participação acionária de 5% na Aston Martin através de um acordo de compartilhamento de tecnologia, que permite aos ingleses usar motores desenvolvidos pela AMG e componentes da Mercedes. Por exemplo, o recém lançado SUV DBX tem uma plataforma e trem de força vindos da Mercedes e é controlado pela eletrônica alemã.
Nossa fonte declarou que uma das razoes principais para este acordo é que a Racing Point de Stroll precisa de uma “embalagem autêntica”. Sua sede perto de Silverstone tem várias ligações com a equipe de F1 da Mercedes, situada a pouco mais de 16 km por estrada de Brackley. A Racing Point usa o trem de força alemão e tem um acordo para uso do túnel de vento com a equipe alemã.
Os planos de expansão da equipe estão em andamento, através da aquisição de uma área de 30 hectares, que fica extremamente perto da Aston Martin, que fica em Gaydon (cerca de 48 km de distância) e que no ano passado abriu um novo centro de engenharia de dinâmica veicular em Silverstone.
O regulamento técnico de 2021 encoraja o compartilhamento de peças e instalações entre as equipes e, por isso, a Racing Point poderia se transformar em uma legítima equipe Aston Martin Racing, com o tradicional verde inglês, operando como uma segunda operação da Mercedes e diretamente ligada a uma marca de carro de alta performance. Aqui está uma autêntica “embalagem” para você....
Caso o acordo venha a acontecer, as potenciais implicações para a Red Bull são profundas. O acordo atual de patrocinío é estimado em US$ 10 milhões anuais e ainda liga à equipe a uma marca de alta performance. As duas entidades têm uma parceria tecnológica a quase 4 anos, com os primeiros modelos do hipercarro Valkyrie, projetado por Adrian Newey e com intenção de correr Le Mans, próximos de começar a serem entregues.
Acredita-se que Stroll esteja entre os 150 compradores do Valkyrie. E, claro, teria a intenção de competir em Le Mans além da F1.
“Filho de Valkyrie”, o segundo modelo da parceria – e como o nome sugere, uma versão menor e mais amigável do hipercarro que usa um sistema híbrido – está pronto para ser lançado em 2021, embora algumas fontes digam que o desenvolvimento tenha sido reduzido graças aos percalços da Aston Martin.
Juntamente com o futuro incerto da Honda, a potencial perda da Aston Martin tanto com parceira tecnológica e patrocinador principal – diz-se que o acordo comerial termina ao fim da temporada 2020, embora haja opção de prorrogação – poderia iniciar o processo de saída da F1 da companhia de bebidas antes da sua “nova era” em 2021.
Uma compra da Aston Martin por Stroll e seus parceiros faz grande sentido tanto a Aston Martin, que encontra-se em uma desesperada busca por injeção de recursos e de uma mudança da marca, o que o canadense pode dar quase imediatamente, como para a equipe, atualmente correndo com uma “marca comercial”, que necessita de uma “embalagem” autêntica, com um verde escuro sendo a cor provável.
O acordo acontecerá? Não aposte contra isso, embora Dietrich Mateschitz, o dono da Red Bull, espera que não se concretize.
PARA ENTENDER O TEXTO

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