SEGUE O FLUXO


por Sergio Milani

Em busca de tentar achar o que a Ferrari tem de tão diferente em sua Unidade de Potência, Mercedes e Red Bull partiram para uma ofensiva. A teoria que vem dando mais pano para manga é o controle de fluxo de combustível. Como é de conhecimento do fã da F1, hoje o fluxo de combustível controlado por um sensor e não pode passar de 100 litros/hora. A alegação da Red Bull é que poderia haver um controle de impulsos que permitiram “driblar” o sensor e mais combustível do que o permitido ser usado, gerando mais potência.

Este assunto veio à tona nos Estados Unidos. E gerou uma diretriz técnica da FIA, a 35/19 dizendo que tal procedimento era ilegal. A Ferrari se manteve impassível. O fato é que os italianos coincidentemente não andaram bem no fim de semana e houve uma ação de Mattia Binotto em Christian Horner no paddock de forma até acintosa sobre este assunto. O tema não foi de extrema leveza...

No Brasil, o tema continuou na mesa. E um novo capítulo foi adicionado a esta história: a FIA recolheu partes do sistema de combustível da Ferrari, da Alfa Romeo (cliente da Ferrari) e um terceiro time (não está claro se foi a Red Bull ou um time Mercedes. Depende da fonte) para análises. Este é um procedimento relativamente comum e que passaria desapercebido se a alemã Auto Motor Und Sport não tivesse publicado. 

Adicionalmente, a FIA publicou uma nova diretriz técnica na última quarta feira, determinando a instalação de um segundo sensor de combustível a partir de 2020, sendo este calibrado pela prórpia entidade (hoje, o sensor existente é controlado pela FIA, mas cada equipe faz o ajuste).

Hoje, diversos sites se apressaram em dizer que a Ferrari poderia ser até desclassificada do campeonato. É necessária muita calma nesta hora. Vamos aos fatos:

Diante da nuvem de duvidas, a FIA vem procurando reduzir as chamadas “zonas cinzas” do regulamento neste campo. Algo extremamente necessário. Neste sentido, as diretrizes técnicas vem sendo lançadas e tivemos três em um período de um mês.

A retirada de peças, como dito antes, não é algo anormal. Já foi feita anteriormente e , agora, é meramente para análise. Uma investigação mais detalhada é feita posteriormente, um processo formal é aberto e todo direito de defesa é dado. Aí sim pode se considerar uma possível punição, que pode chegar à uma desclassificação. Por enquanto, é prematuro falar nisso.

O fato é que a vantagem da Ferrari chama a atenção e os concorrentes querem saber o que é. Alguns chegam a falar em 70 cavalos de diferença (um número em torno de 40 cavalos é mais aceitável). Mas a tentativa em barrar ou até mesmo confirmar para tentar copiar, é intrigante.  Binotto se mostra tranquilo, dizendo que não mexeu em nada do sistema desde o início da temporada e se colocou à disposição sempre da FIA quando foi solicitado. Um discurso parecido com as discussões da “bateria dupla” do ano passado. Como um bom jogador, o chefe da Ferrari não transparece quais são as cartas que tem na mão e força os seus concorrentes a aumentar a aposta. 

A esta altura do campeonato, esta acusação acaba por fazer mais barulho do que ações efetivas. O campeonato está decidido e somente um gesto dramático poderia fazer alguma diferença. Mas o pano de fundo desta historia é outro...

O fato é que as principais equipes estão em desacordo por conta dos acordos comerciais pós-2020. Até pouco tempo atrás, Mercedes e Ferrari estavam juntas.Embora não se confirme oficialmente, se dá conta que os italianos já assinaram o acordo com a FOM até 2025 e isso causou um racha entre eles, pois a Mercedes aparentemente dá mostras que quer melhores condições e usa das armas que tem, insinuando inclusive uma possivel saida da categoria.

Neste quadro, qualquer variável pode fazer toda a diferença. Já dizia o velho chanceler alemão Bismarck que a guerra é uma forma diferente de fazer política. No caso atual, buscar o “pulo do gato” pode significar uma vitória. Desta forma, cabe seguir o fluxo.

PARA ENTENDER O TEXTO





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