RENAULT: A MUDANÇA RESOLVERÁ?


por Sergio Milani
“Houve quem dissesse que eu estava na pior...”. A frase de um meme poderia ser perfeitamente utilizada pela Renault agora. Acossados pela pressão de resultados que não se concretizam, uso de apetrechos fora do regulamento e balanços corporativos abaixo do esperado, os franceses resolveram sair das cordas e mostrar alguma dignidade.
Muita gente do meio colocava sob dúvida a continuidade da montadora na F1 após 2020. Inclusive este espaço tratou deste assunto não tem muito tempo atrás. Os sinais de uma retirada não eram poucos e a cara feia de Jerome Stoll, presidente da Renault Sport, nos boxes davam conta de que o final não seria feliz...
Entretanto, um sinal de confiança foi dado em Austin. Na sexta-feira, a equipe anunciou uma profunda reestruturação de seu departamento de aerodinâmica: Peter Machin, Chefe do departamento, após 2 anos e meio de casa, foi demitido e vem para o seu lugar Dirk de Beer. O sul-africano volta à casa e ao posto por onde ficou por 5 anos e meio (2008 a 2013) e após passagens por Ferrari (2013 a 2016) e Williams (2017 a 2018). 
Logo em seguida no sábado, a mudança mais significativa: a confirmação da vinda de Pat Fry para a equipe técnica a partir de 2020. Técnico com grande experiência na categoria e com passagem por Ferrari e McLaren, Fry é tido como um dos principais nomes da ressurreição da equipe inglesa este ano, por ter sido responsável pelo projeto do bom MCL34. Com a vinda de James Key da Toro Rosso, acertou sua saída e foi colocado em “quarentena” (por isso só poderá assumir formalmente no próximo ano). Foi cogitado para ir para a Williams e seu anúncio pela Renault surpreendeu. 
Para uma resposta sobre a situação da equipe, é importante. A contratação de Esteban Ocon foi uma cartada interessante. Mas sabemos como é montadora: em qualquer momento, a mudança pode acontecer. Entretanto, ainda permanecem algumas questões e que serão respondidas em breve
1) Com a vinda de Pat Fry, como fica a situação de Nick Chester, que está na equipe ainda quando era Benetton em 2000 e hoje é oficialmente o diretor técnico?
2) Cyril Abiteboul segue por enquanto no comando. Mas o seu reinado é cada vez mais contestado. Alain Prost foi promovido a “Diretor não executivo”; Marcyn Budkowski, que foi trazido da FIA a peso de ouro em 2018, hoje é o atual “Diretor executivo”. É muito cacique para pouco índio. Usando uma figura futebolística, podemos dizer que Abiteboul está “prestigiado”. Ele dura?
3)Jerome Stoll é um profissional que entende do serviço. Estas contratações foram feitas com a sua aprovação e com certeza está de olho, ainda mais em uma situação em que a Renault está em um momento de várias mudanças no comando. Estará ele seguro?

Desde quando voltou para a F1, a Renault tratava como um "projeto de longo prazo" disputar a liderança. Algum tempo atrás, Alain Prost declarou que o foco francês seria em 2021 e a equipe foi uma das entusiastas das novas regras.
Neste aspecto, a Renault se assemelha ao Brasil: tem um grande futuro por vir e nunca chega. As mudanças anunciadas aparentemente mostram uma direçao para o local certo. Neste momento de transição, a área técnica é mais crítica. Mas ainda é preciso mais. Definitivamente, não é hora de baixar os braços.

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