HONDA FICA NA F1. MAS...


por Sergio Milani
Pode se ouvir um certo alívio quando saiu o comunicado da Honda nesta quarta-feira (27) divulgando que estenderia o fornecimento para a Red Bull e a Toro Rosso (Alpha Tauri a partir do próximo ano) até o final da temporada de 2021. 

Originalmente, o acordo terminaria no final de 2020. E os japoneses estavam no centro das atenções, pois não havia nenhuma definição de posicionamento, ainda mais diante de todo o redemoinho criado pela introdução do novo regulamento técnico da F1 a partir de 2021. Perante os questionamentos, diziam que tudo viria no momento correto.

Na segunda, a Motorsport publicou uma reportagem com Masashi Yamamoto, diretor do programa de F1 da Honda. Sua fala dava conta que a montadora tinha interesse em continuar, mas botou na mesa um item que sempre gira na categoria: o principal fator que impactaria a permanência japonesa na categoria seria dinheiro. Neste aspecto, fez questão de dizer que as fabricantes estão no meio de um processo de grandes investimentos para o desenvolvimento de novas tecnologias, como eletrificação e um programa como o da F1 tem que se justificar.

Deixar agora a categoria seria um contrassenso para a Honda. Após vários anos investindo e sofrendo para chegar a um nível competitivo, incluindo um aparatoso divórcio com a McLaren, um porto seguro foi encontrado no mundo Red Bull. O casamento que foi de interesse inicialmente (a F1 inteira e os concorrentes fizeram gosto e forçaram a união), fez florir um carinho aos poucos. A Toro Rosso serviu como uma base para um recomeço, um sopro de ar. E mostrou que a aposta valia a pena, tanto que o acordo passou para a “nave-mãe” a partir desta temporada. E deu origem a 3 vitórias a Max Verstappen, sendo a primeira na casa dos taurinos e diante de membros da alta direção japonesa.

Aparentemente, a Honda virá para a briga efetiva em 2020. Diz que investiria cerca de 140 milhões de euros para desenvolver uma nova UP entre as unidades de Milton Keynes e Sakura. E reduzir cada vez mais a diferença para Mercedes e Ferrari. De acordo com alguns especialistas da categoria, com base em estudos de som (sim, tem disso!) a UP japonesa estaria cerca de 15 a 25 cavalos atrás destes, respectivamente.

2021 está aparentemente garantido. Mas e depois?

Tudo vai depender de como estará desportivamente a categoria, que se encontra em um aparente cabo de guerra por conta das novas regras, bem como o desempenho das vendas (os ventos recessivos continuam assombrando a economia mundial). Todas as fornecedoras – Honda inclusa - estão preocupadas com os custos envolvidos para o desenvolvimento das PUs. Tanto que não se descarta um possível “congelamento” de especificações, tal como já aconteceu na época dos V8 no início da década, e a introdução de peças comuns a todos os fornecedores até 2025, até quando dura o regulamento com a configuração atual (em tese). Sem contar a discussão para o novo formato que poderá ser implantado mais à frente, indo de encontro aos objetivos “verdes” da F1. 

Lendo daqui e dali, entende-se que a Honda se mostra até favorável a um “congelamento” (ela se juntou a Renault, Mercedes e Ferrari para barrar a introdução de um novo motor em 2021), desde que ela pudesse ter condições de igualdade com as demais. 

Mas isso não é uma garantia. A impressão de momento é que um problema foi simplesmente deslocado por um ano.Lembra muito o contexto da decisão de permanência após 1991: os japoneses haviam decidido sair, mas resolveram ficar mais um ano. E deciduram sair no meio de 1992.

Como dito no início, a decisão é um alívio temporário. Entretanto, o fantasma de uma saída ainda espreita. Os nipônicos têm como características serem bastante analíticos e estudar muito bem cada passo. Mas uma vez definido o caminho, são decididos e tenazes. Além de pragmáticos.

Até agora, tem cumprido à risca este texto na F1 em todas as suas participações. Agora, a colheita tem vindo e tem perspectivas de mais produtos. Entretanto, a conta uma hora chega e já vimos anteriormente saídas desta mesma Honda. Não tenham dúvidas que, se as situações desfavoráveis se fizerem fortes, sairão. Vejamos os atos deste kabuki.
PARA ENTENDER O TEXTO:


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