EXCLUSIVO: CARLO GANCIA FALA SOBRE A COMPRA DA INDY PELA PENSKE


Carlo Gancia com Tony George, ex-dono de Indianapolis

por Ialdo Belo e Sergio Milani

A notícia veio como uma bomba de destruição em massa na manhã de hoje: o anúncio de que Roger Penske teria comprado a IndyCar e o circuito de Indianápolis da família Hulman-George através de uma de suas empresas (a Penske Entertainment) sacudiu as estruturas do esporte a motor mundial.
Não era de hoje que se falava que os atuais donos teriam interesse em se desfazer dos negócios. Tony George, o homem que aparecia mais e foi o grande mentor da IRL, dava mostras de que, se aparecesse uma oportunidade certa, consideraria desfazer suas posições para garantir a sobrevivência da coroa.
E apareceu. Durante a entrevista coletiva dada para explicar toda o processo, Penske falou que George o procurou em Laguna Seca para tratar do negócio. Valores não foram divulgados, mas fontes dizem que está na casa das centenas de milhões de dólares.
Antes de ser um homem de corridas extremamente vitorioso, Roger Penske é um businessman. Criou um grupo de empresas que passa por logística, mecânica, concessionárias de carros com negócios em vários cantos do mundo, incluindo o Brasil. Sua fortuna é estimada em US$ 1,6 bilhão e semanas atrás, foi condecorado pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pelo seu legado. 
Aos 82 anos, não dá mostras de que irá reduzir o ritmo. Para tentar afastar as vozes que já surgiram por um “conflito de interesses” em ser dono de equipe e da categoria, anunciou que deixará o posto de estrategista dos times, deixando o dia a dia das equipes na mão de Tim Cindric e focará na atuação na gestão do autódromo e da Indycar.
Os donos de equipe, ao menos oficialmente, saudaram este movimento. Michael Andretti e Bobby Rahal, nos perfis oficiais de seus times, viram com otimismo e acreditam que é mais um passo para consolidar o crescimento da Indycar nos últimos e a continuidade de Indianápolis.

Roger Penske

Com exclusividade, Carlo Gancia, um dos responsáveis pela Indycar no Brasil, falou ao Formula i e demostrou otimismo com o anúncio de hoje. 
“De um leque de candidatos, o Penske é de longe a melhor opção: ele é dono de equipe, fabricante de motores, organizador de corridas, maior concessionário multimarcas de carros de mundo, gestor da maior frota de caminhões de aluguel dos EUA, possuidor de profundos contatos no setor automobilístico...não poderia ser melhor. Ao contrário da F1, que foi comprada por profissionais que não eram do ambiente de corridas, a Indycar está sendo comprada por alguém que dá aulas neste esporte. Acho que esta é a prova de que a Indycar está em um momento de crescimento. Pelo que tudo indica, haverá uma continuidade, mas alguns aspectos serão intensificados, o que é muito positivo. 
Sobre o futuro da categoria, Gancia também fala sobre a possibilidade da volta ao Brasil:”Quanto ao Brasil e outros eventos na América Latina, tanto o Willy (Hermann) como eu – na qualidade de representantes da Indycar, da Indianapolis Motor Speedway e da IMS Productions – saímos para prospectar o mercado e fazer negócios todos os dias. Estamos no território dos negócios e as coisas não acontecem por acaso. Elas florescem, mas o importante é que ao final produzam frutos.  Portanto, vamos esperar por eles. Pelo momento estamos ainda esperando as flores. A continuidade trará frutos”.
Ainda de acordo com Gancia "Roger Penske é o melhor candidato por ser um grande fã da Indy, de Indianapolis, por ser um racer, que ama o esporte e o business à sua volta. Correu de F1 tanto como piloto como dono de equipe, vencendo uma prova com John Watson na Áustria, em 1976. Sua equipe venceu a Indy 500 nada menos do que 18 vezes, sendo uma com Emerson Fittipaldi, outra com Gil de Ferran e mais três com Helio Castroneves. Ou seja, de cada quatro vitórias, uma foi com um brasileiro.

Agora como dono do negócio, Penske tem dois grandes desafios: garantir o desenvolvimento da Indy, que está aos poucos reconquistando seu espaço no automobilismo norte-americano e tem uma grande mudança técnica à frente: deve ser introduzido um novo carro, bem como um novo motor com um sistema híbrido a partir de 2022. Além disso, deve redobrar esforços para trazer mais um fabricante para a categoria e segurar a Honda, que diz estar interessada em entrar na NASCAR em 2021 e, de acordo com alguns relatos, que deixaria seus programas de Indy e IMSA (curiosamente este com o próprio Penske) para concentrar neste.
Em relação à Indianapolis, o desafio é diversificar mais as ações e garantir a sobrevivência. Nos últimos anos, novos eventos foram trazidos. Penske hoje falou em estreitar mais ainda laços com a NASCAR e até mesmo em fazer uma prova de longa duração e trazer de volta a F1, que foi enxotada após o fiasco de 2005. Em tempos de Miami ameaçada, isso soa como música para os ouvidos da Liberty Media...
Quem conhece Roger Penske e acompanha seus passos, sabe que dificilmente ele faz investimentos errados. A Indycar e o IMS estarão em boas mãos e o sucesso tem grandes chances de acontecer. É o que esperamos para bem do esporte a motor.

Carlo Gancia ainda confirmou que a equipe do CEO Mark Miles continua para fazer com que a transição seja a mais harmoniosa possível.


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