F1 2021: MOMENTOS DE DECISÃO


por Sergio Milani
A F1 tem um momento crucial nesta quarta-feira. Equipes, FIA e FOM (Liberty) terão a última reunião para tentar chegar a um acordo quanto às regras de 2021. Um processo que se arrasta por 2 anos e que já teve prorrogação (era para ter definido em junho), agora chega a mais uma encruzilhada.

Todos os envolvidos concordam que mudanças devem ser feitas. Mas alguns querem seguir a linha do “tem que se mudar tudo para continuar tudo igual”. E a Liberty viu como a grande chance de tornar um espetáculo mais atrativo para o publico e menos desigual. A linha de atuação foi feita neste sentido e o clima foi de "muda geral".

Tal clima se justifica principalmente pelo término do Acordo de Concórdia em 2020. Este documento regula as relaçoes comerciais da categoria e sua mudança é primordial para tentar mudar o panorama da F1, onde 3 equipes levam cerca de 48% dos valores de premiações.

O escopo de atuaçao era amplo: reduzir custos, mudar a disputa e mexer no regulamento técnico, de maneira a diminuir as diferenças entre os carros. 

As intençoes eram boas e o diagnostico, perfeito:  a F1 precisa gastar menos, com maior visibilidade para o publico e ter disputas mais próximas. Até mesmo com a preocupaçao de se manter relevante tecnologicamente e encarar a crescente ameaça de categorias como a F-E.

Entretanto, o diabo reside nos detalhes. E ao longo dos meses, foi se tendo noticia de uma série de recuos por parte da FIA e da Liberty, que nunca estiveram tão acertadas ao longo do processo.

O primeiro recuo foi em relaçao às novas Unidades de Potencia. A FIA começou um processo de discussao de novas configurações, com o objetivo de simplificar e trazer novos fornecedores. Quando as coisas pareciam ir a um bom termo, as atuais fornecedoras, capitaneadas pela Renault, diziam que era pouco tempo e muito dinheiro para desenvolver um novo conceito. E diante do impasse, as novas regras ficaram para outro momento.

O coraçao da discussão das regras é a área técnica. A FIA e a Liberty trabalharam no sentido de simplificar a aerodinamica dos carros e reduzir a turbulencia dos carros, de modo que possam andar mais próximos e ter mais ultrapassagens, incluindo a volta do efeito solo. Alem disso, teriamos a mudança dos pneus para aro 18" (contra os 13" que ficarão até 2020) e o uso maior de peças padrao, como cambio, freios, rodas e sistemas de distribuição de combustível.

A principal reclamação das equipes é que as regras sao restritivas demais, deixando os carros extremamente iguais e sem margem de desenvolvimento. Alguns técnicos envolvidos disseram que seria um " Indycar aumentado" ou seria um "GP1".

As discussoes foram tomando forma e a primera data prevista para aprovaçao, junho, foi postergada por nao conseguir um consenso. De comum acordo, as partes aceitaram postergar para outubro.

Neste meio tempo, a vitoria da FIA e da Liberty foi a aceitação do " Teto Orçamentário", estipulado em US$ 175 milhoes, excluindo gastos com motores, pilotos, despesas de divulgaçao e viagens. Em 2020, haverá uma observaçao para eventuais ajustes.

Mas fora isso vimos uma série de recuos: cancelamento pela FIA da adoção de diversas peças padrão (agora se fala em um sistema de "código aberto" de projetos); os cobertores de pneus que seriam banidos, foram mantidos. E as equipes forçam a situaçao para aumentar as áreas de desenvolvimento.

O clima reinante é de tensão. Em um questionario passado pela Mercedes em Singapura, somente 4 equipes eram favoráveis às mudanças propostas ( McLaren, Williams, Renault e Alfa Romeo). Espera -se que novas concessões sejam feitas para um acordo.

E se as regras nao forem aceitas? Afinal, além do desacordo, ainda paira a ameaça da Ferrari usar seu poder de veto para não deixar passar as mudanças. Em tese,pode ser feito um "puxadinho" e as discussões passam para 2022. E uma janela acaba se perdendo para ajustar uma série de problemas que prejudicam o futuro da F1. Sem contar implicações comerciais, ja que a Liberty Media vem enfrentado dificuldades para concretizar as maravilhas pintadas quando assumiu o comando da categoria em 2017. Volta e meia, noticias de uma possível venda aparevem. O fato é que os acionistas começam a olhar feio para Chase Carey e companhia... 

Caso haja um acordo, haverá a votaçao por parte dos corpos da FIA e as regras serão apresentadas dia 31 de outubro. Espera-se chegar a um acordo hoje. Ninguém terá tudo que quer. Mas a FIA e a Liberty piscaram. E muito. 




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