LUZES DE SINGAPURA


por Felipe Quintella
O resultado final do GP de Singapura significou muitas coisas. Primeiramente, a vitória de Sebastian Vettel acabou com a seca de triunfos do alemão, que apareceu ao volante como nos velhos tempos de domínio. Além disso, a dobradinha com Charles Leclerc é um feito inédito no traçado urbano da cidade-estado, bem como raro para a equipe nos últimos anos. E claro, como não perceber a boa fase da Ferrari, com a terceira vitória seguida, algo inimaginável no começo do ano. Mas, acima de tudo, o resultado deu uma boa agitada no campeonato.

Como Max Verstappen ficou com o último lugar do pódio, a briga pelo terceiro lugar ficou ainda mais interessante. Agora o holandês tem 200 pontos, empatado com Leclerc. Já com o primeiro lugar, Vettel somou 194, aproximando-se dos dois jovens pilotos. Ou seja, a disputa para se acompanhar em 2019 é exatamente essa. Ainda mais se o carro da Ferrari continuar a apresentar um ritmo consistente como agora, somado a um bom desempenho de equipe. Por outro lado, mesmo que sumido dos holofotes recentes, Verstappen jamais pode ser ignorado. Ainda há algumas pistas que ele já historicamente se destaca na parte final da temporada, como México e Brasil.

Lá na frente da tabela, Lewis Hamilton lidera tranquilamente com seus 294 pontos. Porém, Valtteri Bottas, o suposto rival do britânico na briga pelo caneco, tem 231. Considerando o apagado desempenho do finlandês nas últimas provas, dificilmente veremos uma ameaça a Hamilton por parte do companheiro. Por isso, o ponto de interrogação passa a ser o vice-campeonato. Se Bottas continuar como está, não há carro prateado que salve sua posição na tabela.

Como para todo piloto dominante, uma vitória de Hamilton passou a ser sinônimo de falta de competitividade em uma corrida. O #44 é conhecido por começar em um ritmo mais lento o ano, engrenando mais para o final. Porém, em 2019, o começo do piloto da Mercedes praticamente não poderia ter sido melhor. Por isso ele ainda tem muita gordura para queimar caso os pilotos de Ferrari e Red Bull comecem a empolgar em vencer. Mas a sua série implacável de vitórias ainda pode voltar, o que nos leva a investir mais atenção ainda na briga pelo segundo lugar.

Se a briga pelo primeiro perdedor promete, a altíssima competitividade do segundo pelotão garante ainda mais. Inclusive, Lando Norris foi o grande vencedor do GP de Singapura da F1 B. O jovem britânico não escapou de vários golpes de azar durante a temporada, o que o colocou na atual décima segunda colocação na tabela, com 31 pontos. O contrário serve para Carlos Sainz, seu companheiro de Mclaren. O espanhol teve uma noite para esquecer em Singapura, mas segue na liderança do pelotão intermediário, em sétimo, com 58 pontos. Se a equipe inglesa conseguir escapar mais vezes dos infortúnios, é franca favorita para levar a quarta colocação em Abu Dhabi.

No momento, a equipe que parece poder desafiar a Mclaren é a Renault. Depois de sofrer muito até aqui, os franceses parecem ter encontrado a confiabilidade e a performance para dar um bom equipamento a Daniel Ricciardo e Nico Hulkenberg. Aproveitando a oportunidade, cabe um elogio ao rapaz do sorrisão, que ofereceu boa diversão com suas ultrapassagens e disputas pelas ruas de Singapura. O australiano está na nona posição no campeonato, com 34 pontos, contra 33 do companheiro alemão, em décimo primeiro. 

Por fim, não podemos desconsiderar os dois rapazes trocados por Helmut Marko. Como Pierre Gasly correu meio ano em uma Red Bull, ele ainda é o sexto da tabela, com 69 pontos. A lógica indica que ele perderá essa posição para Alexander Albon, o atual oitavo, com 42 pontos; e até Sainz. Mas nada impede que ele aproveite a posição privilegiada para tentar convencer Marko a traze-lo de volta para o time austríaco. Fato é que 2019 cada vez se mostra melhor que a encomenda. 





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