FERRARI: UM POR TODOS, TODOS POR UM


por Sergio Milani
Muito se escreveu sobre a vitória de Sebastian Vettel no GP de Singapura. Por alguns momentos, vimos o alemão que ganhou quatro campeonatos: acelerando quando necessário, atacando o tráfego de modo cirúrgico...deu gosto de ver.

Mas o que seria um momento de plena festa foi ligeiramente empanado pelo comportamento de Charles Leclerc durante e após a prova questionando o porquê da estratégia nao ter funcionado e ele ter chegado em segundo.

Entende-se em parte a situação. Finalmente, após tanto apanhar, as atualizações italianas funcionaram. Uma reestruturação iniciada em Mônaco com a vinda de novos técnicos na area de simulação e dinâmica do carro, passando pela consolidação de Mattia Binotto como chefe de equipe, parecem dar seus frutos agora. Uma pista que, em tese, não era favoravel à Ferrari, acabou por ser competitiva. E isso anima os pilotos.

O jovem monegasgo é um talento e isso é inegável. Poderia ter vencido? Sim. E de certo ponto é benefica a insatisfação. Até mesmo depois da sua volta de classificação (uma daquelas que devem ser guardadas com carinho por quem gosta de automobilismo), a confiança aumentou. Só que o limite entre vontade de vencer e birra é muito próximo.

Não foi a primeira vez que a Ferrari não fala sobre estratégia com Leclerc. No Canadá, se houvesse uma comunicaçao, poderia ser o 16 a vencer, principalmente após a puniçao de Vettel.

Mas se tivesse falado poderia ter ajudado? Mesmo com as mudanças, pareceu que a Ferrari ainda tem que ter cuidado com seus pneus. E não acredito que, se liberado, Leclerc faria muito diferente. E outra coisa: o monegasgo perdeu tempo na volta de parada. Ou seja: nao basta TER a estratégia certa. Tem que FAZER funcionar. E Vettel soube fazer o que era necessário.

Tudo indica que Leclerc terá lugar efetivo entre os grandes. Insatisfaçao por segundo lugar é salutar. Mas ainda está em seu processo de aprendizagem e maturaçao. Tudo bem que hoje a abertura da comunicaçao do rádio para o publico revela varias nuances internas. É como se tivessemos a chance de acompanhar pela TV uma briga de vizinhos. Mas tem coisas que devem ser tratadas internamente. E isso é aprendido com o tempo e orientação.

Agora, o objetivo da Ferrari deve ser consolidar as mudanças e garantir o segundo lugar no campeonato. Além de usar as liçoes atuais para 2020. Binotto tem que fazer o barco seguir sem fazer muita marola. O momento agora nao é de favorecer ninguém. Leclerc é fulgurante e precisa usar isso a seu favor, sem queimar a equipe. Vettel mostra que ainda tem lemha para queimar. Esta fórmula ainda é positiva e é dever da gestão administrar.

Agora a mensagem deve ser: Ferrari antes de todos. Se houver piloto se impondo, será de forma natural. Pois quando as circunstancias existem, as ações acontecem. É um por todos e todos por um.



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