CORRIDA NO LUGAR DE TREINO DE CLASSIFICAÇÃO EM 2020: O QUE MATA SÃO OS DETALHES


por Felipe Quintella
Dentre o mar de declarações – quase sempre de Rosberg ou Villeneuve - que inunda o noticiário de Fórmula 1, uma fala se destacou nos últimos dias. O chefe de equipe da Ferrari, Mattia Binotto, afirmou que todas as equipes haviam votado favoravelmente a testar uma corrida classificatória no sábado no ano que vem. Em entrevista ao jornal italiano Gazzetta dello Sport na sexta feira antes de Monza, o chefe de Vettel e Leclerc acabou confirmando uma das mudanças que a categoria pensa em implementar nos próximos anos. “Todos os times deram o sim, incuindo nós”, cravou.
O resultado dessa prova classificatória definiria o grid de largada para a corrida no domingo. A previsão é que a duração dessa “pré corrida” seria de 100 km. Conforme já nos revelou Binotto, todas as equipes estariam dispostas a testar esses formato eventualmente em 2020. Provavelmente, isso foi definido no último encontro que a FIA promoveu para discutir as futuras regras, no último dia 12, em Genebra. De acordo com jornalista Roberto Chinchero, do motorsport.com, as informações vazadas dessas reuniões dão conta que a ideia atual é inverter as posições do campeonato de pilotos para essa corrida no sábado. Ou seja, veríamos sempre as grandes equipes tendo que escalar o pelotão para garantir uma boa classificação para o dia seguinte. Realmente, de longe é algo que promete emoção. 
Antes disso, Ross Brawn, o diretor técnico da F1, já havia confirmado que uma repaginada no formato dos finais de semana estava nos planos. Além da corrida classificatória, entrou na roda de discussão uma prova mais curta no sábado, ao estilo do que a Fórmula 2 faz. 
Mais do que isso, o pensamento de Brawn também é de começar a testar algumas ideias logo em 2020. O motivo seria a pouca mudança técnica dos carros desse ano para o próximo, o que ofereceria uma boa base de comparação. Além disso, não haverá mais oportunidades para testes de qualquer forma, já que o infame deadline do novo regulamento de 2021 se aproxima. 
Outra questão na cabeça de Brawn é como reduzir a duração do final de semana de GP, em um sentido operacional. Com isso, também reduzindo o tempo que as equipes têm para testar e ajustar seus carros, aumentando assim a imprevisibilidade das corridas. Ao mesmo tempo, isso reduziria os custos dos times, que não teriam que se preparar para o final de semana com toda a antecedência como hoje. De qualquer forma, tudo isso ainda está no campo das propostas. 
O levantamento dessas questões por parte da Fórmula 1 é uma resposta. Uma resposta a outro questionamento: o dos fãs, que veem na previsibilidade das corridas um ponto negativo do esporte. Bagunçar a classificação seria um bom jeito de bagunçar também a corrida. Quantas vezes um Ricciardo ou um Verstappen da vida não nos divertiram com uma bela corrida de recuperação? 
Por outro lado, bagunçar demais as coisas pode acabar criando artificialidades, outro ponto também tão criticado pelos fãs. Sempre é bom ver uma corrida caótica como o GP da Alemanha desse ano. Mas será que um caos institucionalizado, vindo de cima para baixo, será tão emocionante quanto?
Esses pensamentos não vão parar de rodar as cabeças de gasolina de todos nós até que uma decisão final seja tomada, e depois testada. Até lá, temos o restante de 2019 para aproveitar e todo o ano de 2020 para ver esses testes sendo feitos. De todo jeito, é bom ver o esporte como um todo pensado em soluções para as suas eventuais corridas em procissão. Para quem pensou que esse ano seria recheado delas, estamos muito bem servidos. Mesmo assim, com qualquer mudança que possa vir, dificilmente a F1 se verá livre de momentos como o GP da França desse ano. Para o bem ou para o mal, faz parte do show. 

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