AS ARMAS DE MONZA


por Sergio Milani
Enfim, chegamos em Monza. Para a F1, o estado da arte em alta velocidade. Cercado de toda a pompa e tradição, o traçado italiano hoje é a pista com maior média horária da temporada. Por este motivo, as equipes vêm com um esquema todo especial para a prova.
Aerodinâmica: o objetivo principal é reduzir a resistência do ar dos carros, sem perder apoio aerodinâmico. A primeira coisa que salta aos olhos ao observar os pacotes de aerofólios são os perfis baixos, especialmente os traseiros. Sem contar a simplificação dos apêndices, especialmente aqueles da cobertura do motor.
O objetivo de tal ação é aumentar a velocidade dos carros. E podemos ver que equipes que tem motores não tão fortes assim usam aerofólios muito pequenos para tentar assim compensar um pouco do prejuízo acarretado pela falta de cavalos. Mas ao mesmo tempo, estima-se que o efeito do DRS por conta da redução do arrasto reduz-se em cerca de 40%.
Mesmo assim, não basta somente “tirar asa”. Mesmo com longos trechos de reta, Monza tem trechos que exigem apoio aerodinâmico, com as duas Di Lesmo e a Parabólica. Por isso, as equipes trabalham não só nas asas, mas também na parte debaixo dos carros. Embora não se tenha o “efeito solo” formal, todos usam o princípio. Desta forma, para usar a pressão aerodinâmica para dar mais aderência, dá-se uma atenção especial aos difusores, para que estes consigam contrabalançar a falta de apoio das asas.
E nos difusores, se presta atenção na famosa inclinação da parte traseira, tão conhecido como “rake”. Em tese, um “rake” alto (alô Red Bull!) gera mais resistência aerodinâmica e impacta na velocidade final. A Ferrari estima que uma altura de mais de 5 milímetros na parte traseira pode impactar a velocidade final em 1 km/h.
Suspensão e Freios: Uma para o acerto de carro em uma pista de alta velocidade é endurecer a suspensão para que o carro não oscile tanto (até mesmo em simulador!). E até esta era a regra básica das equipes em época dos carros asa para tentar utilizar ao máximo o “efeito solo”.
Mas como falamos, é preciso achar um termo para conseguir gerar aderência. Sem contar que o carro não pode ficar tão baixo pois a pista conta com freadas fortes. Um erro no acerto da altura e na carga, pode gerar problemas para as saídas de curva e ainda na velocidade final. A situação fica mais fácil pois as zebras de Monza foram suavizadas nos últimos anos. Antes, as equipes tinham que usar um acerto mais macio por este motivo.
Os freios também impactam no desempenho. Embora só sejam usados cerca de 11% de toda a corrida, eles são fortemente usados. Tanto que a Brembo considera Monza como dificuldade 4 em uma escala de 1 a 5. Além da intensidade, as freadas se tornam mais complicadas por conta da falta de apoio aerodinâmico. Conseguir frear “mais em cima” e não perder a linha ideal é o desafio dos pilotos e faz toda a diferença. Isso se torna mais crítico no pelotão da F1 do B, onde 1 décimo pode significar ganhar posições.
Motores: Em tempos de três UPs por temporada, Monza é um fator de extrema atenção. Em outros tempos, as fabricantes traziam versões especiais. Mas hoje, a evolução é mais complicada e as relações de marcha são fixas para o ano todo....
Com a limitação do uso das unidades, as fornecedoras deixam para introduzir novas versões nesta fase da temporada. Até porque enquanto novos, funcionam com maior capacidade. Em uma pista em que se usa o acelerador ao máximo cerca de 75% da volta, motores mais usados, embora mais amaciados, já estão próximos de seu limite e, por mais cuidado que se tenha, perdem desempenho por aparecimento de folgas e pelo próprio funcionamento em si. Não à toa, Niki Lauda lá na década de 70 já dizia que usava as unidades mais novas da Ferrari nas corridas, pois as usadas perdiam de 20 cavalos ou mais...
Mas as fornecedoras também contam com mais uma arma: de uma forma menos aparatosa do que no passado, a “guerra das gasolinas” voltou. Shell e Petronas tem investido em fórmulas que tragam mais potência e menos consumo. Na Bélgica, a Shell trouxe uma nova versão para a Ferrari. A Esso havia prometido trazer para esta corrida uma gasolina que daria mais potência aos Honda, combinado com a Spec4. A FIA vem olhando com lupa esta briga.
Aguardemos para ver quem terá mais vantagem neste tabuleiro. Em tese, a Ferrari se cacifa como favorita e a Mercedes tentará vir com a estratégia e a força da equipe. Mas a previsão de chuva bate à porta e pode misturar tudo... 

Para quem se interessar, eis um link que mostra um pouco da "aula" que a Ferrari deu para a imprensa na última quarta: https://www.f1analisitecnica.com/2019/09/gp-italia-ecco-tutti-i-segreti-della-sf90-a-monza.html?refresh_ce


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