O VELHO E O NOVO




por Sergio Milani
Para os padrões húngaros, foi uma ótima prova. Ok, os mais ranhetas dirão que tivemos uma queda em relação aos últimos GPs. É verdade. Mas mantivemos um ótimo nível e a Fórmula 1 entra de férias em paz com o público. Afinal de contas, não era esta a categoria que estava morta?

O fã de Fórmula 1 tem que marcar a corrida de hoje como uma demonstração de força da “nova” e da “velha” geração. Desde o final de semana, tivemos Max Verstappen mostrando que é uma realidade (falamos disso no texto aqui). Se aproveitando do crescimento do conjunto Red Bull/Honda (especialmente em uma pista que exige forte carga aerodinâmica), o holandês fez uma prova em alto nível, contando inclusive com uma largada perfeita (aparentemente, o tal problema eletrônico foi acertado).

Entretanto, houve uma força maior que se impôs. Uma estrutura azeitada não se pode descartar nunca. E entrou em ação Lewis Hamilton e a equipe Mercedes.

Na largada, o inglês se recuperou de um sábado não tão bom e se colocou na segunda posição, atrás de Verstappen. Na primeira parada, conseguiu se aproximar, mas a equipe pareceu querer se enrolar mais uma vez e perdeu tempo. Poderia ser o fim. Mas a simbiose equipe/piloto/carro entrou em ação mais uma vez.

Apesar de ter voltado atrás, Hamilton conseguiu se aproximar rapidamente de Verstappen e tentou a ultrapassagem. Duas feras em momentos diferentes se degladiando na pista, como deve ser. E a juventude soube se impor. De maneira dura, porém leal. E parecia estar tudo definido ali. Ambos os pilotos de pneus duros, embora a Mercedes tivesse pneus seis voltas mais novos. Mas em uma pista como a Hungria, o holandês poderia ter a chance de controlar e partir para mais uma vitória.

Mas não contavam com a astúcia da equipe Mercedes. O time de estrategistas comandado por James Vowles fizeram algumas análises e propuseram trazer Hamilton aos boxes para colocar pneus médios (zerados). A jogada era colocar pneus novos e tentar chegar próximo para um ataque no fim da corrida. Mas para dar certo, teria que contar com um ritmo insano de Hamilton nas últimas 20 voltas.

Após discussões pelo rádio, Hamilton aceitou pagar para ver, mesmo desconfiado. E parou para trocar pneus. A partir daí, vimos o porque de Lewis Hamilton ser um dos grandes. Ok, vários dirão que é fácil fazer isso com uma Mercedes. Concordo em parte. Afinal, um piloto ruim pode fazer bons tempos em um carro bom.Mas e quando um ótimo piloto pega o melhor carro do grupo? 

Hamilton comprou a briga e andou diversas voltas em ritmo de classificação, enfileirando volta rápida atrás da outra. A Red Bull optou por manter Verstappen na pista, embora contasse também com um jogo de pneus médios novos. Ainda houve um momento de resistência, mas os pneus não ajudaram. E a batalha estava perdida. Era uma questão de tempo.

O 44 veio imparável e conquistou a liderança faltando 3 voltas. Restou à Verstappen a volta mais rápida, após uma parada rápida para colocar pneus novos. Há dúvidas, se mesmo fazendo a parada a seguir se a Red Bull conseguiria manter a liderança. A chance seria maior do que a jogada escolhida. Mas não se pode jogar pedra. Se tivessem conseguido, seriam elogiados pela ousadia.

Todo o mais acabou ficando para trás: uma boa prova de Sebastian Vettel, a despeito de um discretíssimo ritimo da Ferrari, que trouxe as mudanças mais dramáticas na SF90 nesta corrida; A ótima 5ª posição de Carlos Sainz, em uma McLaren que se consolida cada vez mais como a “melhor do resto”. E ainda George Russell trazendo a Williams para mais próximo do bolo. As mudanças feitas nas últimas provas dão alguma esperança ao time de Grove e podem dar condições de obter mais alguns pontos (o filho único obtido até agora pode ser retirado no dia 24 de setembro, quando será apreciado o recurso da Alfa Romeo pela punição dada no GP´da Alemanha).

Agora, a Fórmula 1 vai para as férias de verão revigorada em certa forma. As cassandras que anunciavam a morte, voltam às suas tumbas. Algumas até mudaram de camisa. Mas o problema é que hoje a internet e as redes sociais são implacáveis. Como já dito aqui um mês atrás, nada melhor do que o bom senso nesta hora...



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