A RED BULL CONSEGUE REPETIR 2009 EM 2019?


por Sergio Milani
Esta semana, para alegria dos fãs da Fórmula 1, a categoria volta à pista após as férias de verão. Em tese, as equipes ficaram com as portas fechadas e sem poder trabalhar nos carros. Mas não será por isso que os carros não trarão novidades no primeiro treino livre desta sexta, em Spa-Francorchamps.
Para as provas que faltam, cada um tem objetivo bem marcado. E quem vem com grandes expectativas é a Red Bull. Após um arranque impressionante nas últimas etapas, os taurinos se sentem no direito de pensar em se posicionar como os principais “caçadores de Mercedes”. Com isso, podemos pensar que a Red Bull possa repetir o que fez 10 anos atrás? 
Para refrescar a memória: em 2009, o famoso “difusor duplo” da Brawn permitiu que Jenson Button e Rubens Barrichello abrissem uma diferença entre as demais equipes. Mesmo com a gritaria de Ferrari, McLaren e Red Bull desde o início do ano, a coisa acabou sendo permitida pela FIA e um abismo se abriu. O que fazer?
A Red Bull optou por trabalhar. Adrian Newey e sua equipe se puseram a pensar para fazer algo para igualar a performance, mas mantendo o conceito? Já que não era possível fazer um difusor duplo, a solução foi usar o escapamento. Como? Usar os gases emitidos pelo motor e potencializar o efeito aerodinâmico do difusor. Nascia o “difusor soprado”.
A partir do meio do campeonato, Vettel e Webber passaram a ser constantes contenedores pela liderança e, se aproveitando de um mau momento da McLaren e Ferrari, se colocaram em condições em disputar com a Brawn e levaram o campeonato até a última prova. 
Mas consegue a Red Bull repetir a dose? Eis alguns aspectos para se levar em conta:
A FAVOR
- A Honda promete trazer uma nova versão de seu motor. Não se sabe ainda se a utilizará agora em Spa ou em Monza. Os japoneses este ano mostram que conseguiram aprender com as experiências passadas e se colocam em posição de disputar vitórias. Além disso, a Esso introduzirá uma nova versão de combustível para obter mais potência.
- Max Verstappen se mostra cada vez mais pronto para assumir um papel de protagonismo. O holandês aparentemente consegue dosar a impetuosidade e vem fazendo ótimas provas. O fator confiança ajuda, pois o carro vem melhorando o desempenho. 
- O desenvolvimento do carro. A Red Bull adotou um caminho intermediário entre as soluções de Mercedes e Ferrari. No início do ano, também teve alguns problemas para entender o funcionamento dos pneus. Com atualizações vindas na China, o desempenho começou a ser destravado e, principalmente, os pneus passaram a ser melhor geridos. O resultado veio na Austria, com mais algumas modificações.
- A troca de Pierre Gasly por Alexander Albon. O francês tem potencial, mas aparentemente “sentiu o peso da camisa” (usando uma metáfora futebolística). A troca pode ser benéfica em prol do campeonato. Afinal, a grana que vai para a equipe vem do resultado do Campeonato de Construtores.
- Adrian Newey. Já mostrou do que é capaz de fazer.
CONTRA
- Com a introdução da nova especificação de motores, a Red Bull terá que pagar punição no grid por usar um número de elementos além do permitido pelo regulamento.  A extensão das mudanças não é clara ainda (com certeza, a parte de combustão, a ICE, será mudada), implicando em 5 posições no mínimo. O momento de uso desta nova ação será avaliado pela equipe em conjunto com os japoneses.
Apesar de dar mais pitaco errado nos últimos tempos, Jacques Villeneuve levantou um aspecto interessante: a Honda teve sim um aumento de performance, mas às custas de uma menor durabilidade do motor. Levando em conta que, em média, a UP deve durar cerca de 7 corridas, as japonesas duram cerca de 4 a 5. Isso pode ser determinante.
- Para conseguir se colocar em condições de bater a Mercedes, o desenvolvimento do RB15 terá que ser mais acelerado e ousado. Uma das coisas que foram a favor da Red Bull em 2009. Mas naquele ano, a distância também foi reduzida pelo fato da Brawn praticamente “congelar” o desenvolvimento do BGP001 por conta do orçamento apertado. Aparentemente, a Mercedes não dá mostras de reduzir a sua evolução, embora tenha mostrado problemas para adequar a refrigeração e o conceito aparentemente não tenha tanto espaço para grandes melhorias.
- A Ferrari vem apostando forte nesta segunda parte como uma questão de honra reverter o quadro de “potencial campeã” para “terceira do grid”. 
- Embora venha sendo uma grata surpresa, a promoção de Albon para a “nave mãe” é uma grande incógnita. O objetivo é ter uma melhor condição de lutar pelo campeonato. E se Albon também sentir a barra de pilotar um carro de ponta e de ter um companheiro como Max Verstappen, que terá a atenção da equipe neste momento? 
- Adrian Newey. Acertou maioria das vezes. Mas a insistência em certas ideias pode ser prejudicial algumas vezes...

As condições estão colocadas para que você tire suas conclusões. Talvez algumas coisas tenham sido negligenciadas, é verdade. Mas este escriba aqui vê sim a Red Bull com totais condições de se posicionar como a antagonista da Mercedes nas 9 provas que faltam. Título? As possibilidades são mínimas, mas existem. Mas tudo isso é ótimo para uma temporada que começou morna e parou muito quente, deixando os fãs com ansiedade do retorno.
Não nos esqueçamos: Antes de ser um campeonato de pilotos, este é um certame de construtores.



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