VENTOS DE SILVERSTONE PODEM DECIDIR



Por Sergio Milani
Após o GP da Áustria, a variável condição do tempo passou a ser cada vez mais valorizada pelo fã da Fórmula 1. Até pouco tempo atrás, muita gente torcia para que chovesse e assim, as corridas tivessem alguma emoção. Agora, uma parte do público passou a bater tambor para o...calor.

A previsão para o GP da Inglaterra não traz nenhuma dica de que haverá uma repetição das altas temperaturas austríacas. Os serviços meteorológicos dão conta de a temperatura para os treinos e corrida não passarão de 23 graus. E dependendo da fonte, podemos ver um risco de chuvas.

Mas no treino de hoje, tivemos a presença de um elemento que costuma bater ponto em Silverstone e pode afetar diretamente os carros: o vento. Não podemos esquecer que o circuito foi feito em um antigo campo de pouso da Força Aérea Inglesa e em uma área em que o tempo muda com facilidade.

Ora, bolas. Mas e daí? Vento tem em qualquer canto! Mas em carros tão dependentes da aerodinâmica, este é um fator que pode mudar tudo. Por mais que simuladores e computadores entrem em ação, uma posição de asa e de altura do carro é diretamente afetada.

Afetando aerodinâmica, mexe no comportamento de quem mais? Dos pneus! Os pilotos reclamaram muito hoje do comportamento, dizendo que estava difícil fazê-los funcionar. Parte se explica pelo novo asfalto colocado este ano. Mas também se pode botar na conta do vento: a aerodinâmica não funciona direito. Se não funciona direito, não gera pressão. Menos pressão, pneus tendo dificuldade de entrar na janela ótima de funcionamento ...Aí temos bolhas, “macarrãozinho” e tudo que tem direito. E a brava pilotada sofre para manter o carro na pista.

Não à toa, vimos muita gente boa saindo hoje da pista (e o Grosjean também). E este pode ser um fator que pode tornar a corrida interessante. Vendo os tempos hoje, nas simulações, a Mercedes está à frente. Mas chama atenção a Red Bull à frente da Ferrari. Mesmo com o FP2 muito próximo.

As simulações de hoje mostram uma Mercedes andando bem tanto com macios e médios. E um dado interessante: Valtteri Bottas rodou quase o mesmo tempo de pneus médios e macios no FP2. Pode estar ser a senha para que a Mercedes faça a primeira perna da prova com pneus médios. Algo que Ferrari e Red Bull também consideram em suas estratégias.

Mas aparentemente, a Red Bull hoje mostrou um ritmo melhor em sequência de voltas. E a Ferrari se aperta numa política de "contenção de danos", já que novas peças trazidas não funcionaram como o esperado.

A conferir também a Fórmula 1 do B. A McLaren surge como a “melhor do resto” e a Toro Rosso mostrou uma boa forma nos treinos de hoje. Quem quer entrar neste grupo é a Racing Point, que trouxe um pacote pesado de atualizações (a fábrica fica praticamente dentro de Silverstone).

Na volta para onde tudo começou, queremos ver uma boa prova. Seria um ótimo fecho para um fim de semana que começou com a boa notícia da prorrogação do contrato até 2024 e teve a “presepada” da Rich Energy com a Haas, em um caso que promete muitas reviravoltas ainda.

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