UMA INGLATERRA NADA FORMAL


por Felipe Quintella
Um desavisado, olhando de relance os resultados do GP da Inglaterra, pode chegar à conclusão de que a chatice retornou ao circo da Fórmula 1. Nova dobradinha da Mercedes e vitória de Hamilton, com uma boa vantagem. Mas isso não poderia estar mais distante da realidade. Silverstone proporcionou uma ótima corrida, ecoando a da Áustria. Bons pegas, dramas, abandonos e uma contagiante empolgação britânica pelo esporte a motor. Tudo diante de 355 mil fãs durante todo o final de semana no tradicional circuito.
Foi um grande fim de semana para Lewis Hamilton. Ele chegou a sua 80ª vitória na Fórmula 1, a sétima no ano e a sexta no GP britânico. Enquanto a distância para o antes sagrado número de Schumacher cai (91 vitórias), o atual campeão superou outros dois grandes nomes. Jim Clark e Alain Prost tinham cinco vitórias cada na terra da rainha. Além disso, Hamilton iguala Prost no número de vitórias em casa. Ele ainda teve a honra de levar Sir Frank Williams para uma volta rápida, em uma Mercedes, em comemoração aos 50 anos de carreira do chefe de equie.  Porém, por boa parte do final de semana, parecia que o topo do pódio ficaria com seu companheiro, Valtteri Bottas.
O finlandês fez a pole position, superando Hamilton por apenas seis milésimos. Ele conseguiu segurar a liderança na largada, e depois, na primeira grande disputa da corrida. Porém, a Mercedes o chamou cedo para os boxes. Essa parada foi a sina do #77, já que pouco tempo depois, na volta 19, o Safety Car entrou na pista. Antonio Giovinazzi escapou e foi parar na brita, devido a um furo no pneu. Então Hamilton aproveitou para ganhar um pit stop “de graça”, colocando os pneus duros e partindo para uma estratégia de uma parada. Esse movimento assegurou a liderança, que ele não perdeu mais. No última giro, Lewis ainda marcou a melhor volta, com um pneu de 32 voltas de uso. Bottas ainda teve que parar mais uma vez, mas ainda assegurando o segundo lugar. Apesar do bom ritmo, não era o dia dele.
Áustria parte 2
Enquanto as Mercedes abriam vantagem na frente, Ferrari e Red Bull disputavam as posições restantes do Top 6. A briga que mais chamou a atenção logo de cara foi uma segunda parte das voltas finas na Áustria: Leclerc contra Verstappen. E o nível foi bem mais alto dessa vez. Os dois estavam no limite, atacando e defendendo, analisando o comportamento do adversário. Exatamente como o povo gosta. Na hora da parada, os dois entraram juntos. Os mecânicos de azul foram mais rápidos que os de vermelho e Verstappen saiu na frente, por muito pouco. A batalha recomeça e Leclerc consegue a posição de volta. Mas aí Giovinazzi saiu da pista...
Durante o Safety Car, a Ferrari demorou para chamar o monegasco, o que fez com que ele relargasse da sexta posição, logo atrás de Verstappen. Com a bandeira verde, Leclerc tentou um ataque, mas dessa vez Max abriu vantagem. Partiu para cima de Pierre Gasly e conquistou a quarta posição. Com isso, Leclerc tinha Gasly pela frente. O francês deu trabalho, mas o piloto da Ferrari eventualmente conseguiu a ultrapassagem.
Enquanto isso, Verstappen se aproximava de Vettel, que ocupava a terceira posição. Na volta 37, o holandês consegue passar pelo alemão, mas não por muito tempo. No mesmo ponto em que Giovinazzi escapou, Vettel perdeu o ponto da freada e acertou em cheio a traseira da Red Bull. Os dois foram parar na brita: Verstappen seguiu viagem, sem danos, e seguiu para levar a quinta colocação; Vettel também conseguiu retornar, mas, com problemas na asa dianteira, foi obrigado a ir para os boxes. A parada, com mais dez segundos de punição, renderam a ele um 16º lugar, atrás até das Williams. Depois, o tetra campeão foi se desculpar com Verstappen, que aceitou sem maiores mágoas.
Com o incidente, Leclerc e Gasly assumiram a P3 e a P4. Leclerc subiu ao pódio pela quarta vez seguida, enquanto Gasly igualou sua melhor colocação, um quarto lugar no Bahrein, em 2018, pela Toro Rosso. Inclusive, vale um elogio ao francês da Red Bull, que andou bem melhor nesse final de semana. Mesmo que pela eventualidade ele tenha terminado a frente do companheiro pela primeira vez, tem o que comemorar. De quebra, uma de suas paradas bateu o recorde de pit stop mais rápido já registrado, com um tempo 1,91 segundos.
Meio de campo embolado
Nessa corrida, as equipes do pelotão intermediário estavam com um ritmo muito competitivo entre si. O “vencedor” foi Carlos Sainz, na sexta colocação, depois de ter saído da 13ª. Essa foi o 4º Top 6 da Mclaren em cinco corridas. Nas voltas finais, o espanhol protagonizou uma boa briga com Daniel Ricciardo, que ficou com o sétimo lugar. A seguir, vieram Raikkonen e Kvyat, em oitavo e nono, também cruzando a chegada bem próximos. Por fim, Hulkenberg fechou o Top 10, fazendo a Renault pontuar com os dois carros.
A disputa foi boa, mas era para ter mais gente no meio. Isso porque Giovinazzi tinha um bom ritmo, próximo de Raikkonen, mas teve que abandonar. Lando Norris também poderia ter pontuado, largando da oitava posição e se defendendo bem de Ricciardo nos momentos iniciais da prova. Mas sua estratégia sofreu do mesmo problema da Bottas: ter parado antes do carro de segurança. Com isso, o britânico terminou seu primeiro GP caseiro na P11. Outro privado da zona de pontuação foi Alexander Albon, que foi obrigado a fazer uma estratégia de apenas uma parada. A equipe identificou um problema elétrico no carro, que impediria uma parada no box. Dessa forma, o meio-britânico ficou com a P12.
Fora desse bolo, além das Williams, o leitor pode notar a ausência da Haas. Os americanos já não tinham um bom ritmo nesse final de semana. Mas qualquer chance foi desperdiçada quando Grosjean e Magnussen se encontraram na primeira volta. Pouco tempo depois, ambos tiveram que abandonar, para a bronca de Gunther Steiner. Não é segredo para ninguém que a situação por lá não é nada boa. Já publicamos um texto sobre o contexto dos pilotos, que você pode conferir nesse link: https://www.formulai.us/2019/07/haas-e-seus-pilotosum-delicado-tabuleiro.html
Situação do campeonato
Com a vitória e a melhor volta, Hamilton marcou 26 pontos, e agora tem 223. Contra os 184 de Bottas, a vantagem já é bem grande. Na briga entre Ferrari e Red Bull, Verstappen segue no terceiro lugar, com 136 pontos, contra 123 de Vettel, em quarto. Como o alemão não pontou, ele acabou ficando para o companheiro Leclerc, com 120 pontos, na quinta posição. Já Gasly segue isolado na P6, com 55 pontos. Sainz é o líder da “Fórmula B”, em sétimo, com 38 pontos. É uma boa margem sobre Raikkonen, em oitavo, com 25 pontos. Fechando os dez primeiros, temos Norris e Ricciardo, empatados com 22 pontos.
Nos construtores, a Mercedes está já no ano de 2020, com 407 pontos. A briga que ainda existe a Ferrari está vencendo, com 243 contra 191 da Red Bull. A Mclaren é a melhor do pelotão intermediário, com 60 pontos, contra 39 da Renault.

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