REGRAS DA SUPERLICENÇA PODEM ATRAPALHAR BRASILEIROS NA F3


por Sergio Milani
Quem acompanha o formulai.us sabe que volta e meia falamos sobre a situação da pontuação da Super Licença para a Fórmula 1. Por conta da vontade do público brasileiro querer logo um compatriota como piloto titular na categoria máxima o mais breve possível, este assunto começou a merecer uma atenção mais próxima.

Hoje, os mais próximos da vaga na Fórmula 1 são Pietro Fittipaldi e Sergio Sette Camara. Mas temos mais brasileiros disputando as categorias de base. E nosso foco agora é o caso da F3 Regional Europeia.
Este ano, com a reestruturação da F3 feita pela FIA, tivemos a transformação da GP3 e da F3. Foi criada uma F3 que é disputada diretamente nos finais de semana da Fórmula 1, como um ponto inicial de "escalada". Nela, estão Pedro Piquet e Felipe Drugovich.
Para atender um espaço surgido entre esta nova categoria, que trouxe um carro maior e mais potente do que o antigo GP3, a FIA criou a figura da "F3 Regional", mais próxima da antiga F3. E estabeleceu que outras categorias que não seguissem totalmente às regras estipuladas não poderiam usar o nome "F3". A Renault, que foi preterida no processo de escolha da gestora da F3 regional europeia, acabou por fazer a sua própria série, a F-Renault Eurocar, onde estão os brasileiros João Vieira e Caio Collet. Os carros sao os mesmos, mas mudam detalhes de motor e pneus.
Na Europa, foi criada a F3 Regional Europeia, organizada pelo Automóvel Clube Italiano. Com 8 rodadas duplas em diversos circuitos tradicionais (Paul Ricard, Imola, Hungaroring, Monza e Barcelona), o objetivo é servir de base para a F3 FIA e até mesmo dar um salto direto para a F2. Nela hoje estão inscritos os brasileiros Enzo Fittipaldi e Igor Fraga.
Inicialmente, esta categoria está prevista na tabela de pontuação no Apêndice L do Regulamento Esportivo Internacional, com a seguinte distribuição de pontos:


Como se nota, é uma ótima forma de jovens pilotos acumulares os pontos necessários para a obtenção da Super Licença para a Fórmula 1 (40 pontos em 3 temporadas). Mas ter um bom desempenho na pista pode não ser garantia de obtenção. E são justamente os requisitos da FIA que podem tornar o trabalho de Fittipaldi e Fraga mais complicado...
Mas porque isso? Não basta só chegar no fim do campeonato e ganhar os pontos? Não é tão simples assim...
A partir de 2017, a FIA estabeleceu no suplemento 1 do anexo L requisitos para que um campeonato seja válido para contar na tabela de pontuação do órgão. São eles :
a) Ter um mínimo de 5 etapas, sendo cada uma separada por pelo menos 72 horas entre o término de uma e o começo de outra;
b) Ser sediado em 3 traçados diferentes. Qualquer configuração alternativa reconhecida e licenciada pela FIA pode ser considerada para este propósito;
c) Ter um mínimo de 12 pilotos inscritos em cada final de semana;
d) Ser sancionada pela autoridade esportiva nacional de acordo com as regras da FIA;
e) Ser disputados em circuitos reconhecido pela FIA;
E ainda há uma observação interessante: um campeonato com menos de 16 participantes classificados leva 75% do total de pontos previstos.
A F3 Regional Europeia pode ser um problema para os seus concorrentes este ano, pelos seguintes aspectos:
a) a primeira rodada do campeonato, disputada em Paul Ricard, em abril, teve somente 10 pilotos na pista; A partir da segunda, 13 carros passaram a alinhar.
b) Até agora, 13 pilotos estão classificados no campeonato, restando disputar mais 5 etapas.
Diante do quadro, poderemos ter o campeonato da F3 Regional Europeia não valendo pontuação para a obtenção da Super Licença na pior das hipóteses ou, numa situação mais amena, o campeão leva 18,75 pontos (75% de 25). O nono colocado geral, o último a ser pontuado para as contas da FIA, teria 0,75 pontos.
Por estes mesmos motivos é que a Red Bull também tem tido cuidado com Patrício "Pato" O'Ward. Pela tabela da FIA, a Indy Lights dá 15 pontos para a Super Licença. Mas como a categoria teve 8 inscritos por etapa e 12 classificados, não está claro qual é o posicionamento da Federação sobre esta situação. Se considerar a totalidade dos pontos, o mexicano teria pontuação para pilotar na Fórmula 1.
Caso Enzo Fittipaldi vença o campeonato, terminaria com um total de 35,75 pontos, já que tem 12 pontos do título da F4 italiana e 7 do terceiro colocação da F4 alemã, ambas no ano passado.
Neste final de semana, a categoria está disputando sua terceira etapa em Hungaroring, com a primeira rodada feita este sábado, com o dinamarquês Frederik Vesti em primeiro, Enzo Fittipaldi em segundo e Igor Fraga em terceiro.
No campeonato geral, o dinamarquês Vesti está na frente, com 110 póntos, sendo acompanhado de perto por Enzo, que tem 97. Fraga encontra-se em quarto, com 46 pontos , logo atrás de David Schumacher (filho de Ralf). As duas rodadas restantes serão disputadas no domingo e podem ser acompanhadas no site da categoria (www.f3regional.com).


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