RACING POINT: SÉRIO COMPETIDOR OU BRINQUEDO DE MENINO RICO?


por Sergio Milani
A Racing Point (nova razão social da Force India e que a gente insiste em confundir) veio cheia de esperanças para esta temporada. Com uma situação financeira periclitante, a equipe conseguiu fazer bons carros e se posicionar como a “melhor do resto”. E se esperava que com a chegada da família Stroll e vários outros endinheirados canadenses, a situação melhoraria. Mas não é o que se observa...
Quando da apresentação do RP01, o diretor técnico Andy Green falou que havia feito um carro básico, visando uma evolução mais rápida ao longo do ano. Um dos motivos para este tipo de abordagem era justamente a mudança de gestão. Segundo as notícias, a equipe estava passando por uma reestruturação, com a contratação de gente e recursos além da chegada de novos patrocinadores.
Até agora, os resultados não têm refletido esta melhora. Embora o carro tenha recebido novidades (e um pacote novo virá neste final de semana na sua corrida “caseira”), a equipe tem mostrado corridas discretas, sofrendo bastante em classificação e tendo que usar estratégias diferentes para conseguir chegar nos pontos (Stroll conseguiu um 9º lugar no Canadá graças a uma abordagem bem diversa).
Quem acompanha a categoria, se pergunta: para onde vai a Racing Point? Os sinais são extremamente diferentes...
Por um lado, se vê que o consórcio liderado por Lawrence Stroll tem a intenção de crescer: pagaram boa parte das contas da Force India e iniciaram um programa de contratação de gente e investimento em recursos. Tanto que anunciaram o início da construção de uma nova sede, estimada em 25 milhões de libras esterlinas (quase 120 milhões de reais), já que as instalações atuais são basicamente as mesmas da Jordan (ficam a 400 metros de Silverstone), embora tenham sofrido algumas modificações ao longo dos anos. A previsão é que as obras fiquem prontas a tempo da temporada 2021, permitindo ter um total de 600 funcionários (um aumento de 40% em relação ao quadro atual).
Outro aspecto a ser considerado seria o estreitamento de relações com a Mercedes. Se tem como certo que a equipe utilizará mais ainda soluções dos alemães e um dos túneis de vento da equipe em Brackley para o desenvolvimento de seus carros.
Só que ao mesmo tempo em que tenta ser levada a sério, as notícias dão conta que a ideia que muita gente tem de que a equipe seria um mero capricho para que o menino Lance pudesse “brincar” de Fórmula 1 não seriam tão desbaratadas. Além de estar levando uma verdadeira “lavada” de Sergio Perez em classificação e estar atrás em pontuação, se fala que Stroll estaria insatisfeito com o seu companheiro de equipe. Para dar uma “ajuda” ao menino, tomou corpo a notícia de que Nicholas Latifi, piloto canadense atual líder da F2, igualmente endinheirado e piloto de testes da Williams, poderia ser contratado para a próxima temporada (desde que obtivesse a Super Licença).  Seria praticamente uma Force Canadá.
A Fórmula 1 é um esporte muito caro até mesmo para que bilionários faça as vontades de seus filhos. Mas a Racing Point tem condições de fazer mais e já provou isso com menos recursos. Com novas regras, seria uma equipe que poderia fazer uma surpresa, ao menos no início da temporada.
OK, alguns condescendentes dirão que Lance Stroll não é tão ruim assim. Mas é válido sim questionar a capacidade técnica de conduzir um time. Embora hoje muita gente diga que o piloto é um detalhe no meio da engrenagem tecnológica montada, ainda tem influência. E com uma possível vinda de outro piloto que não é reconhecido por seu alto nível, a equipe pode ficar sim em maus lençóis.
Lawrence Stroll e seus companheiros fizeram fortuna levando em consideração aspectos práticos e aproveitando oportunidades. Seguirão na Fórmula 1 a receita de seus negócios ou agirão como apaixonados, sem se importar muito com as consequências (se bem que...melhor não falar)?

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