PIETRO E OS PONTOS: INTERPRETANDO A REGRA

por Sergio Milani
Alguns dias atrás, escrevemos sobre a situação dos pilotos que a Haas estava enfrentando e as perspectivas para substituições. E um dos nomes da lista é o de Pietro Fittipaldi. O grande público brazuca espera por um novo compatriota na Fórmula 1 com ansiedade. E a pergunta sempre bate, seja nas transmissões e redes sociais: o que falta para o Pietro ser titular da Haas?
Pelo que dá a entender, a equipe quer o piloto e o trabalho desenvolvido parece satisfazê-los. Esta semana, o chefão Gunther Steiner, em fala citada pela motorsport.com, diz que “o problema é ele não ter a superlicença”.
Em textos anteriores, já citamos a situação de pontuação de Pietro (ele tem 36 pontos dos 40 necessários para a emissão). Mas há uma possibilidade interessante para que ele seja efetivado como titular em 2020.
Em junho deste ano, o Conselho Mundial da FIA alterou alguns itens do anexo que trata especificamente deste aspecto no Regulamento Esportivo Internacional. O mais interessante foi a inclusão da possibilidade de pilotos que já tivessem a Superlicença para Treinos Livres poderem usar os treinos livres para contar pontos. A cada 100 km completados (cerca de 20 a 25 voltas), sem nenhuma punição, contariam um ponto extra. Mas limitados a 10 pontos a cada 3 temporadas. Esta mudança começa a contar a partir de primeiro de janeiro de 2020. 
Mas a pergunta que fica e que muita gente faz: para esta regra, valem os treinos anteriores ou somente a partir de 2020?
A redação dada dá uma brecha para que os treinos atuais poderiam ser utilizados para contabilizar. Aí se pergunta se a FIA seria mais “liberal”, aceitando esta interpretação ou extremamente “restritiva”, só valendo para o próximo ano? 
(OBS: Confesso que minha primeira interpretação foi a restritiva e até respondi isso em algumas redes sociais. Mas vendo mais vezes a situação, a primeira interpretação é possível).
Nos bastidores da Fórmula 1, muitos dão conta de que a FIA tenderia a aceitar os treinos deste ano para contar para a emissão da Superlicença. E aí seria um possível pulo do gato para Pietro.
Há inclusive um precedente em relação a considerações: Em 2016, Ryo Harianto em tese não poderia ter a Superlicença (foi o primeiro ano de implantação das novas regras de emissão). Mas a FIA teve uma postura mais “compreensiva”, aceitou umas pontuações anteriores e o indonésio pode fazer sua estreia pela Manor.
Na mesma entrevista, transcrevemos a resposta de Steiner:
Existe uma solução agora. Foi definido que um time pode oferecer pontos de superlicença, colocando pilotos no primeiro treino livre às sextas. E ele está precisando de quatro pontos, então nós podemos ver o que vamos fazer. Mas para nós é difícil. Eu gostaria de fazer isso por ele, assim pelo menos ele teria algo para perseguir, mas com a situação em que nós estamos, com altos e baixos, precisamos dos nossos dois pilotos para testar o carro o máximo possível. De outra forma se fizermos algo (com Pietro), não estaremos focados no que precisamos estar. Porque nosso foco não pode ser ficar em nono no campeonato, é ir além disso. Então não podemos prometer nada para ele ainda.“
Com este quadro, poderíamos dizer que não seria loucura pensar que Pietro participasse dos TL1 nos Estados Unidos (não esqueçam que Pietro nasceu na terra do Tio Sam e o sobrenome Fittipaldi é muito forte) e no Brasil (por motivos óbvios). Abu Dhabi seria também uma possibilidade, por ser a última prova da temporada e ser uma pista em que já andou (Pietro andou nos testes pós-temporada). Neste quadro, restariam 1 ou 2 TLs para completar a pontuação e aí a Haas poder solicitar junto à FIA a emissão da Superlicença em janeiro.
Isso também ajudaria a tirar um pouco da pressão para obter uma posição melhor no DTM, onde Pietro encontra-se em 16º no campeonato, faltando 8 rodadas para o fim do campeonato (para ter a pontuação para a Superlicença, ele precisaria chegar em 6º lugar. O DTM dá pontos até o 9º).
Cabe ver quais são os próximos capítulos desta novela. O fato é que a dança das cadeiras já começou e muita coisa pode acontecer ainda. E os brasileiros torcem para que esta novela tenha um final feliz.


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