HOCKENHEIM: MENOR É MELHOR?


por Sergio Milani
Este final de semana, teremos o GP da Alemanha. Além da séria possibilidade desta ser a última prova germânica no calendário do Fórmula 1 por algum tempo, chegamos à Hockenheim. A despeito de dar nó na língua e nos dedos dos fãs da categoria, desde a reforma do circuito, em 2002, há um movimento “que saudade do Hockenheim antigo” na internet.

Só para recordar que o circuito nasceu para servir de campo de prova para a crescente indústria automobilística alemã. Inicialmente, era um triangulo de 12 quilômetros. Posteriormente, foi encurtada para 7. Após a Segunda Guerra, onde foi destruída por tanques, foi refeita e sediou vários eventos de motociclismo. E a partir de 1965 assumiu o desenho mais conhecido por todos: um traçado com duas grandes retas, interligado por duas grandes curvas, cortando a Floresta Negra, localizada no estado de Baden-Wurttenburg. Com a inclusão de uma parte final mais sinuosa, apelidada de “Stadium”, pela disposição das arquibancadas.
Primeira versao de Hockenheim - 1932 (fonte:modern-circuit.de)

Versao "encurtada" de 1938 (fonte:modern-circuit.de)

Em qualquer das configurações, a pista se caracterizou pelas altas velocidades atingidas, fazendo que a segurança fosse um ponto crucial, especialmente pela “guerra de vácuo” gerada por suas características. Entre outros, Jim Clark e Patrick Depailler morreram em suas dependências em 1968 e 1980, respectivamente. E Didier Pironi sofreu um gravíssimo acidente em 1982.

Várias obras foram feitas e chicanes foram colocadas. A Fórmula 1 correu lá em 1970 e passou a correr de forma fixa no circuito a partir de 1977, indo até 2008 (com exceção de 1985), quando voltou a uma alternância com Nuburgring. Mas até 2001, a pista manteve o desenho clássico, onde o mais importante era a potência de motor.

Mas as exigências da Fórmula 1 moderna batiam à porta. Além do mais, a televisão não gostava muito das medidas (embora o cenário fosse lindo) e para colocar mais arquibancadas e fazer alterações na pista, exigia-se uma derrubada de árvores, o que não era bem visto por boa parte dos alemães. Por esses motivos, uma grande remodelagem foi feita.

Embora Hockenheim já tivesse um traçado alternativo mais curto, bastante utilizado em categorias menores e no DTM, queria se manter o caráter das retas da pista e aumentar a capacidade, melhorando a visão do público. Então Hermann Tilke e seus asseclas trabalharam e procuraram unir os dois mundos. Em 2002, surgiu um circuito reduzido (de quase 7 quilômetros para pouco mais de 4,5) mais moderno e com mais capacidade. E aí gerou a gritaria citada no início do texto.

Causa até curiosidade ler estas falas em prol do traçado antigo. Ao ver relatos anteriores, nota-se que os pilotos não gostavam muito de andar nele. Achavam as longas retas chatas e sem grandes desafios. O barato era ver os carros andando no limite. Tanto que não era incomum ver motores estourados e carros parados por falta de gasolina.

Pessoalmente, é este o atrativo que vejo para o circuito antigo, além do cenário da Floresta Negra envolvendo a pista (atualmente, a vegetação já tomou conta da pista antiga). Ok, o traçado atual não é nenhuma maravilha, mas vejo trazendo um pouco mais de provocação aos pilotos.

Neste sentido, vai a outra pergunta: é pista velha que faz corrida boa? Não haveria espaço para uma pista como o velho Hockenheim atualmente, mesmo com adaptações? Este acaba sendo o reflexo dos paradoxos da Fórmula 1, que busca se expandir, mas não querendo perder o contato com suas origens. A MotoGP vem sendo uma ótima vitrine para este equilíbrio.

Nem sempre o mais novo é o melhor. Mas no caso específico da Alemanha, vejo um saudosismo nesta fala, sendo que alguns acabam indo para a filosofia neymariana de “sentir saudades do que não viveu”. Entretanto, opiniões devem ser respeitadas, embora tenha uma curiosidade de ver os atuais carros desfilando na pista antiga.


Comments

  1. Sei lá rapaiz.... é verdade que quase não tinha ultrapassagens, mas o legal da antiga versão é que ela era completamente diferente das outras pistas. Agora ela é igual a todas as outras do calendário :)

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    1. Eu curtia muito mais o cenario do que a pista em si...
      Mas muita gente hj que chora pela pista antiga, falava mal antes...

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  2. Acompanho a f1 desde "sempre" estive na primeira corrida (71?) em Interlagos vencida pelo argentino Carlos Reutman. Fiz um curso de pilotagem de motos do grande Birigui em 87 e tive a grata oportunidade de guiar na velha Interlagos de 8km. Maravilhosa e, sem saudosismo, bem mais interessante que a nova. Na minha modesta opinião. Acho que vale para Hockenheim também.

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    1. Valeu pela visita! Nao que desgoste da pista anterior. Mas o cenário me chamava mais a atençao

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  3. Cara, eu tenho alguns VHS antigos com o resumo da temporada da F1. Vendia na banca de jornal. Cada VHS tinha o resumo de metade da temporada. Era o filme oficial da FISA, tinha entrevistas, melhores momentos, era da hora...

    Mas eu não lembro dos pilotos reclamando de Hockenheim não. Eu lembro do Boutsen reclamar de uma das chicanes, alguma reclamação da colocação da proteção de pneus, mas no geral parece que eles gostavam da pista.

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