ALONSO, RICCIARDO, VERSTAPPEN E A HONDA



Por Ialdo Belo - Amsterdam, Holanda

Sobre tudo o que foi dito, escrito e revisto sobre a espetacular vitória de Max Verstappen no GP da Áustria ficou no ar uma pergunta que não quer calar: e agora, Alonso e Ricciardo?

O espanhol fez de tudo para derrubar o contrato dos japoneses com a McLaren até conseguir a substituição pela P.U. da Renault. Quando percebeu que não estava conseguindo nada, deu seu costumeiro ataque de prima donna e simplesmente abandonou a F1, julgando-se superior aos fornecedores de motores, equipe e tudo o mais. Coincidência ou não, após sua saída a McLaren pavimentou um sólido caminho que está lentamente, mas consistentemente , a levando a figurar como a quarta força, hoje, no campeonato de Construtores.

Não seria exagero para a Honda afirmar que ruim com Alonso, melhor sem ele…

Pior foi o caso de Daniel Ricciardo. Subitamente atacado por um similar ataque de estrelismo o australiano tentou um blefe em cima da Red Bull dando como favas contadas a sua contratação pela Mercedes ou Ferrari para esta temporada. Perdeu as duas e teve que se contentar com o que sobrou: uma Renault num péssimo ano. O Sorridente ainda afirmou antes de largar a RBR que “não acreditava no desempenho da Honda”, enquanto o paddock inteiro teve outra opinião: medo de Max Verstappen, pronto!

O fato é que neste momento ambos devem estar se lamentando amargamente pelo caminho que escolheram. Alonso está fora da F1 para sempre, não importa o que diga a imprensa espanhola. Aliás, vale uma ressalva: a silly season que antes começava a partir da segunda metade da temporada desta vez começou antes do início da mesma! O asturiano disse que voltaria se tivesse vaga numa “equipe capaz de lhe dar um título mundial”. Neste momento, e acredito por muitos mais que estão por vir, essas seriam Mercedes ou Ferrari, com a Red Bull correndo por fora. Como se acha superstar, óbvio que iria exigir o posto de primeiro piloto e aí é que vem a grande interrogação: no lugar de Hamilton, Vettel ou Verstappen? Seria risível acreditar nisso até porque na especulada, mas não embasada, possibilidade de Vettel se aposentar a Ferrari já tem no jovem Leclerc um primeiro piloto nato. Até chiliques este já andou dando…

Já no caso de Ricciardo, o erro cometido deve ter sido percebido tão logo sentou pela primeira vez no cockpit da Renault. Embora o australiano tenha afirmado que esse é um projeto de longo prazo, o mesmo foi dito por Nico Hulkenberg, agora ameaçado de perder o lugar se as especulações sillysessianas se confirmarem. Ou seja, a lealdade das equipes vai até sua corrida mais recente. Também contra Ricciardo tem o fator idade: numa F1 cada vez mais jovem, um piloto acima dos 30 anos e sem um título mundial já pode ser considerado idoso, portanto, é agora ou no máximo ano que vem.

Sobre Verstappen, o que dizer? Espetacular? Showman? Ousado? Ora, isso todos já sabem! O que  mais se destacou no caráter do holandês foi a sua humildade de pegar junto com a equipe; acreditar num projeto e trabalhar duro por ele, sem mimimis. Cair para a oitava posição na largada após um problema no qual não teve culpa e ir galgando posições de uma forma maestral até a vitória sobre um duro Leclerc – a batalha entre os dois foi uma das mais belas da F1 em todos os tempos – foi condução digna de um mito. Aqui em Amsterdam a corrida foi transmitida para o grande público na Ziggo Arena, casa de espetáculos junto ao complexo que também engloba a Johan Cruyff Arena, estádio do Ajax. O espaço, que já abrigou shows do U2, Armin van Buren e outros campeões de bilheteria, ficou pequeno diante da euforia da multidão.

Max Verstappen resgatou a F1; resgatou a Honda após 13 anos sem vitórias; resgatou o talento. Não tenham dúvidas, foi ele! Que deixou isso explicitamente claro ao colocar uma volta sobre Pierre Gasly, seu companheiro de equipe.

Já a irreconhecível Mercedes culpou o calor, num discurso ensaiado e como se nunca tivesse enfrentado condições até mais extremas nos últimos anos. Faz sentido? Talvez. É admissível na equipe que vem massacrando as concorrentes? Não! A onda de calor vai assolar a Europa por todo o verão e se esse for o argumento então é melhor arrumar as trouxas e ficar em Brackley pelo resto da temporada.

Já a Ferrari esteve lá e Leclerc realmente conduziu de forma suprema, mas, contra pneus desgastados e Max Verstappan não há muito o que fazer a não ser chorar na cama que é lugar quente. Sem trocadilhos, por favor.






Comments

  1. Prezados, permitam-me, democraticamente, fazer alguns comentários. O artigo, no que se refere a Fernando Alonso, parte de uma premissa falaciosa. Não houve ataque de prima-dona algum. Os laços dele com a equipe nunca foram tão fortes, e basta ver como ambos se comportaram diante do fiasco olímpico da Indy 500 e agora, a presença de TODA a cúpula da equipe [McLaren] em Le Mans, nos boxes da Toyota, durante todo o final de semana. Até quando a imprensa brasileira vai continuar a bater nessa tecla, de que o FAlonso é isso ou é aquilo, que não é bem quisto, brigou com todo mundo, etc... Isso simplesmente não existe. Não existe na imprensa européia, simplesmente por que não é verdade. E arrisco a dizer que, para desilusão de muita gente, ele voltará à F1, vestindo o mesmo macacão laranja. Quanto à "parceria" Aston Martin Red-Bull/Honda, ninguém rigorosamente ninguém, sabe o que foi feito na "P.U." desde que os japoneses saíram de Woking. Também não se sabe o que o gênio Adrian Newey fez, e o que teria acontecido se o time de Gil de Ferran o tivesse lá, junto com os japoneses. Já quanto à questão Ricciardo-Aston Martin Red-Bull, o texto peca, e muito, ao omitir um nome chave: Helmut Marko. Não houve estrelismo algum do australiano. O que houve foi o austríaco Marko sendo Marko, temperado pelo amor paternal que pelo jovem e brilhante holandês. Obrigado pela oportunidade e paciência. Ruben Fonseca e Silva.

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    1. Eu não sou imprensa brasileira, vivo e trabalho na Europa com jornalismo especializado em F1. O meu site brasileiro é uma contribuição sem fins lucrativos para o país onde nasci, mas do qual estou fora há mais de 30 anos.
      Com todo o respeito, reafirmo tudo o que disse sobre Alonso e Riccardo porque testemunhei in loco no paddock.
      Abraços e muito obrigado por ler a coluna.

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  2. Boa noite....
    O Fernando Alonso teve um histórico de prima dona sim, vide sua saída da McLaren quando teve de conviver com o jovem Hamilton...se ele tinha ou não razão para cobrar uma postura "x" ou 'y " da equipe em relação às primazias de primeiro piloto já são outros 500 Se a imprensa européia não coloca dessa maneira são analises com pontos de vista diferentes, não significa que a nossa seja "caluniadora" ou "perseguidora".

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    1. A imprensa do mundo todo enxerga Alonso assim, menos a suspeitíssima espanhola.
      A fama de desagregador é tão forte que a saída dele da F1 foi simplesmente por falta de opção e o comentário geral em terras européias é de que foi a melhor coisa que poderia ter acontecido para a McLaren.
      Um forte abraço e muito obrigado por ler a coluna.

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  3. Vc não acha q a proteção da Red Bull ao Verstappen em 2018 no acidente em Baku peso para o Ricciardo sair ? Ficou claro que eles já tinham um número 1.

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    1. Eu acho, sinceramente e respeitando sua opinião, claro, que um número um se conquista na pista. Vejamos alguns exemplos: Emerson Fittipaldi era o terceiro piloto da Lotus; Niki Lauda era o segundo na Ferrari de Clay Regazzoni; Senna e Hamilton chegaram na McLaren como segundos de Prost e Alonso.
      Ricciardo era o número um da RBR até Verstappen chegar e ganhar já na primeira corrida.
      É claro que se eu tivesse um talento como Max, extenderia o tapete vermelho para ele e se o tivesse como team-mate, ia me esforçar como o diabo para derrota-lo e nunca "pedir pra sair".

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