ALEMANHA, TEMPO DE REDENÇÕES


por Sergio Milani

Antigos diziam que a chuva chega para levar coisas ruins e limpar o terreno para a novidade. Podemos considerar o mesmo para o GP da Alemanha deste domingo.

Ja se esperava que o tempo daria o ar de sua graça no sábado. Mas decidiu vir com força no domingo e embaralhar bem o jogo. A chuva veio e promoveu redenções.

O grande barato de hoje não foram ultrapassagens e pegas. Mas sim a possibilidade de alternâncias que o "chove-para" trouxe. Tivemos nada mais do que 78 paradas nos boxes. Vendo a letra fria dos dados, poderiamos dizer "ain, não teve tanta ultrapassagem". Só que nao dá pra ficar só no Wikipédia.

Voltando às redenções...

Sebastian Vettel: após a grande desilusão do sábado, fez uma corrida se aproveitando das circunstância e - pasmem! - da leitura dos estrategistas da Ferrari. Mostrou que nao é um campeão por acaso. Um ano depois do inicio de calvário, no mesmo Hockenheim, foi bom ver um Vettel risonho no pódio. Que este tenha sido o ponto de recomeço.

Daniil Kvyat: o russo consegue o segundo pódio da história da Toro Rosso e mostra que merece sim ser considerado para voltar para a "nave-mãe". Mostrou uma consistência ao longo da prova.

Lance Stroll: podemos ter a certeza que, se a corrida é maluca, o canadense pontua. Mostrou uma melhora nos treinos com o novo pacote da Racing Point e contou com o timing perfeito da equipe para parar no fim da prova e colocar os pneus macios. Não é um virtuoso, mas é mais do que um simples endinheirado.

Robert Kubica: os humilhados serão exaltados, ja diz a Biblia. E como católico, o polonês deve ter acreditado nisso hoje. Apos levar uma surra sistemática de George Russell ate aqui, Kubica conseguiu marcar o primeiro ponto da Williams este ano. Ok, foi por conta da desclassificaçao das Alfa Romeo (que ainda cabe recurso). Mas não empana o feito.

Haas: foco dos holofotes nas ultimas semanas, a equipe americana veio disposta a fazer uma prova "erro zero". Conseguiu se classificar bem e por duas vezes ousou na estrategia de box com Magnussen. Para calafrios de Gunther Steiner, seus pilotos voltaram a se encontrar. Mas conseguiram chegar até ao fim e pontuar.

Honda: os japoneses conseguem sua segunda vitória na temporada e depois de 27 anos, colocou dois pilotos no pódio. Rolou até aquela "trollada" básica com Alonso nas redes sociais. E dá mais motivo para os japoneses continuarem na Formula 1 após 2020. O anúncio virá logo.

Max Verstappen: vai cada vez mais afastando a imagem de impetuoso indomável. Ok, rodou desta vez e fez uma largada péssima. Mas teve sangue frio para tocar sua Red Bull e se aproveitar dos equivocos da Mercedes e Charles Leclerc. Vai sim se consolidado como uma realidade na Fórmula 1 e engrossando cada vez mais a "onda laranja" nos autódromos europeus. Estamos sim vendo a troca de guarda na elite da categoria.

Fórmula 1: após a França, os arautos do apocalipse vieram a público. Por coincidência, tivemos 3 corridas muito boas em sequência. A esquizofrenia atual das redes faz esquecer que ja tivemos muita corrida chata anteriormente. E outras virão. Mas conseguiu se virar o jogo em relação ao início do ano. Vejamos se segue. A Liberty agradece.

Que a chuva traga este novo tempo, esta novidade. O publico agradece e vai esperar com ansiedade o GP da Hungria e o fim das férias de verão. O publico quer ver variâncias e emoçao. E tivemos isso tudo na Alemanha de hoje.



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