ALEMANHA EM NÚMEROS


por Felipe Quintella
O GP da Alemanha de 2019 foi uma corrida maluca e imprevisível, como se não se via há muito tempo. O chove-não-chove foi o grande segredo para o espetáculo, que resultou em uma tabela de resultados bem inusitada. O pódio mais ainda: ao lado do vencedor, Max Verstappen, estava Sebastian Vettel, saindo de último para chegar em segundo; além de Daniil Kvyat, com um Toro Rosso em mãos. Como era de se esperar, essa brincadeira remexeu bem nas estatísticas dessa temporada, bem como no livro dos recordes. Por isso, vamos dar olhar sobre a prova em Hockemheim sob o ponto de vista dos números.

Começando pelo topo do pódio, essa foi a sétima vitória da carreira de Verstappen, a segunda no ano. O holandês está em uma fase impressionante, exalando constância, em contraste com as temporadas anteriores. Max chegou à marca de 20 corridas seguidas chegando na zona de pontuação. Além disso, nos últimos quatro GPs, nenhum outro piloto pontuou mais que ele. Por outro lado, essa vitória foi a primeira da Red Bull em Hockemheim, algo que o time austríaco curiosamente não conseguiu nos tempos de Vettel. Para fechar com os taurinos, coube a eles quebrar o recorde de pit stop mais rápido da história: míseros 1,88 segundos. Recorde esse que eles já haviam quebrado na corrida passada, em Silverstone.

Foi um dia de grande alegria para a família Red Bull, que além de levar a vitória, colocou Kvyat no pódio. Esse pódio foi o primeiro para a Toro Rosso desde a histórica vitória de Vettel em Monza, em 2008. Foi também o terceiro da carreira do russo, que saiu do autódromo para encontrar sua filha recém-nascida. Nos momentos finais da corrida, estava claro de que algum intruso fora das três grandes equipes subiria ao pódio, algo que não acontecia desde Baku 2018. Já o seu companheiro, Albon, conquistou o melhor resultado da carreira, com a P6. 

Portanto, a Toro Rosso sai da Alemanha com uma pesada bagagem de pontos. Agora a equipe é a quinta nos construtores, com 42 pontos, atrás da Mclaren, que conta com 70. Kvyat também deu uma torpedeada no campeonato de pilotos: agora é o oitavo, atrás apenas de Carlos Sainz na disputa pelo título da Fórmula B.

Falando de motor Honda, temos estatísticas suficientes para incomodar muito Fernando Alonso. Esse pódio duplo quebrou um jejum que vinha desde o GP de Portugal de 1992, quando as duas Mclarens de Ayrton Senna e Gerard Berger chegaram no top 3. No entanto, o último pódio para duas equipes com o motor japonês era um pouco mais velho: desde a Austrália 1988. Naquele GP, Nelson Piquet, de Lotus, acompanhou a dobradinha de Senna e Prost. 

A Ferrari parte desse GP com um resultado misto. Charles Leclerc não conseguiu se segurar na pista, encerrando a sua sequência de quatro pódios. Já Sebastian Vettel finalmente se redimiu. Em casa, na mesma pista que viu o início de uma péssima fase, o alemão correu como nos velhos tempos. Saiu de último para o pódio, algo conseguido em Hockemheim apenas duas vezes nas últimas nove corridas. 

A Racing Point conquistou com a P4 de Stroll o melhor resultado de sua curta história. Fruto de uma jogada de alto nível dos estrategistas, que pararam o canadense para colocar os pneus slicks, antes que todo mundo. Já a P5 de Carlos Sainz foi a quarta vez consecutiva que ele chega no Top 8. O espanhol está no caminho de levar esse título da Fórmula B. 

Houve mais redenção à moda alemã além de Vettel. A Haas saiu de uma sequência de quatro corridas sem pontuar com a P7 de Grosjean e a P8 de Magnussen. Mesmo que os dois pilotos tenham se estranhado perigosamente na pista. A P8 do dinamarquês seria originalmente de Antonio Giovinazzi, o que teria sido seu melhor posicionamento da carreira. Isso se ele, juntamente com o companheiro Raikkonen, não tivessem sido punidos por irregularidades na embreagem na largada. 

A punição dupla da Alfa Romeo abriu caminho para uma equipe que não visitava a zona de pontuação há um tempo. A Williams tinha sobrevivido ao caos chuvoso com uma P12 para Kubica e P13 para Russell, o que já era o melhor resultado para os ingleses no ano. Depois da decisão dos comissários, Kubica subiu para a P10, marcando o primeiro ponto do time de Sir Frank na temporada. Com isso, o polonês quebrou o recorde de maior distância de tempo entre duas pontuações: 8 anos, 8 meses e 14 dias.

Para finalizar, mais algumas quantias que ficaram de fora. As equipes fizeram no total 78 pit stops, em parte devido aos quatro Safety Cars na pista e os dois virtuais. Outra observação curiosa foi o número de abandonos. No GP da Alemanha, seis pilotos não terminaram a prova. Esse é o mesmo número de DNFs das últimas quatro corridas no total. Mas, de todas essas estatísticas, talvez a melhor de todas é que essa foi a terceira corrida espetacular da Fórmula 1 este ano.


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