A DANÇA DAS CADEIRAS DA F1 2020 (E ALÉM...)


por Sergio Milani
Normalmente nesta época, o mercado de pilotos da Fórmula 1 esquenta e a chamada “Silly Season” vem com toda a força. Por isso, cabe dar uma pincelada no que pode acontecer para 2020 e além...
Mercedes: A dominadora encontra-se em uma posição curiosa. Salvo mudanças, Lewis Hamilton permanece até o final de 2020. Mas para o segundo carro, conta com excesso de opções. Valtteri Bottas, que havia se cacifado no início da temporada como um confiável “segundão”, perdeu o empuxo e volta a ser questionado. Cada vez mais conta com a sombra de Esteban Ocon em seus calcanhares.
Ocon, oficialmente reserva da equipe e dado como favorito à vaga, tem a promessa de Toto Wolff de ser titular em 2020. Mas na última semana, o chefe de equipe declarou que tem dúvidas, pois se liberar o francês para outra equipe, significaria “perdê-lo por 2 anos”.
Nos últimos tempos, também foi citado o nome de George Russell, piloto que tem fortes laços com a montadora. Mas o jovem inglês tem um contrato de longo prazo com a Williams e ainda não se tem noção de como vem sendo seu ano graças ao desempenho ruim da equipe de Grove.
Toto Wolff ainda tem a preocupação do médio prazo. Ainda não sabe se contará com Hamilton para 2021 e tem que providenciar a renovação da dupla. Aí entra na fila dos que estão enamorados por Max Verstappen, que sempre aparece como interesse dos alemães. O holandês seria o nome perfeito para comandar as flechas de prata no pós-Lewis.
Ferrari: Se analisarmos os dados frios, não há dúvida: Vettel e Leclerc para 2020. Mas um fator apareceu no horizonte: a tal aposentadoria do alemão ao final do ano. Mas após tudo que aconteceu na Alemanha, as coisas podem mudar. 
Entretanto, a Ferrari também se preocupa com o pós-2020. Vettel também pós em dúvida uma permanência, a atrelando também às regras de 2021. Ainda há a análise do comportamento de Leclerc: será ele realmente um potencial vencedor ou acabará como uma das eternas promessas que não se concretizaram (o nome Alesi diz algo a vocês?).
No paddock, se fala em uma troca de Vettel por...Max Verstappen. O holandês também é cobiçado por Maranello e muitos jornalistas europeus dão conta de que um dos objetivos de Jos Verstappen e o empresário seria colocá-lo nos carros italianos.
Red Bull: Hoje, totalmente dependente de Max Verstappen. O sucesso taurino está diretamente atrelado. Este foi um dos motivos que fizeram Daniel Riccardo aceitar a proposta da Renault. Neste momento, com as vitórias da Áustria e Alemanha, a equipe se sente mais confortável em segurar Max. Não foi a primeira vez que se alegou ter uma “cláusula de performance” no contrato e, caso realmente exista, é um dificultante para uma saída.
Como dito antes, se fala em uma possível troca por Vettel. O alemão é querido pela equipe e Christian Horner não veria com maus olhos um retorno. Mas não parece ser algo tão provável agora.
A preocupação maior agora é...arranjar um “segundão”. Pierre Gasly vem sendo cozido de diversas formas após várias corridas abaixo do que se espera, embora Helmut Marko tenha declarado que não deve promover qualquer mudança nas duplas taurinas até o final do ano. Uma permanência parece improvável a esta altura. 
Uma possibilidade cogitada até algumas semanas atrás seria a contratação de Nico Hulkemberg. Entretanto, a coisa esfriou aparentemente. E claro que não podemos esquecer a dupla Kvyat e Albon, que vem fazendo um trabalho bem consistente na satélite Toro Rosso.
Mas muita coisa ainda vai depender da posição da energética continuar investindo na Fórmula 1 e do envolvimento da Honda no processo. As negociações estão em curso e não se descarta um maior envolvimento japonês. Falaremos disso mais à frente.
McLaren: Foi a primeira a confirmar sua dupla para 2020.Norris e Sainz continuam. Vem se mostrando uma combinação muito boa para uma equipe que dá mostras de começar a resolver seus problemas.
Renault: É uma das que podem variar no caminho. Daniel Riccardo tem contrato, mas não desconsideraria uma mudança para uma Ferrari, por exemplo. Embora soubesse onde estava pisando, o australiano dá pinta que meio que se arrependeu da mudança. Mas diante do quadro que estava na Red Bull, a mudança para o terreno francês foi extremamente lógica.
Nico Hulkemberg, que era dado como uma carta fora do baralho, sendo inclusive ligado à red Bull, deu pinta que deve continuar. E Cyril Abiteboul, o “prestigiado” chefe de equipe, disse que o contrato “prevê algumas situações neste sentido”. 
Quem estava fortemente citado era Esteban Ocon. E muita gente interpretou o movimento da Renault em se alinhar à Mercedes contra a mudança dos pneus ainda este ano como parte de um acordo para que o francês fosse cedido. Mas as coisas voltaram a esfriar, embora não se possa descartar. 
Alfa Romeo: Kimi Raikkonen e mais um. Giovinazzi teve um início claudicante, mas parece ter se achado. Fortes sinais de que deve ser mantido. Em caso de mudança, seria por alguém do “mundo Ferrari”. Aí listamos Mick Schumacher, que faz um ano muito discreto na F2. 
Haas: Como escrevemos, parece não ser uma questão de “SE”,mas “QUANDO” vai trocar.  Diante de tudo que acontece, deve partir para uma faxina geral. Magnussen ainda tem alguma chance de permanecer por trazer algum patrocínio dinamarquês. 
Vários nomes são citados: Ocon, Hulkenberg, Perez e...Pietro Fittipaldi. O brasileiro tem a questão da superlicença, como já citado por este espaço. Não se pode descartar também alguém do “mundo Ferrari” aparecendo no posto.
Racing Point: É Lance Stroll e mais um. Esse mais um é que torce o rabo...
Atualmente, Sergio Perez é o “carregador de piano” do time. Mas já não é de hoje que quer algo a mais para a carreira. Inclusive, não quer mais ser chamado de “o rei do meio do pelotão”. É um ótimo ativo: é um piloto relativamente novo, com experiência e tem forte apoio mexicano. 
Só que isso parece não bastar. Segundo os relatos, há um incomodo pelo fato de Perez ser sistematicamente mais rápido que Stroll. Por isso, o “muchacho” seria convidado a se retirar. E um nome que surge com força é de Nicholas Latifi, também canadense e briga pelo título da F2. E tão endinheirado quanto Stroll.
A Racing Point dá sinais diferentes: momentos que aparenta querer jogar sério, como mostram os planos de expansão de instalações. Mas parece ser um brinquedo quando dá margem a conversas como a preferência a Stroll (também já abordamos este assunto aqui).
Fora isso, algum nome da Mercedes poderia aparecer, mas não se fala fortemente em ninguém.
Toro Rosso: O chefe Franz Tost falou que está contente com a dupla atual e quer continuar com ela. Mas tudo depende dos humores de Doctor Marko. Se dá como certa a troca de Gasly. Mas como diria Galvão, quem é que sobe? Kvyat ou Albon?
Para assumir posto, temos a possibilidade da volta de Gasly. Ainda há a chance de Sebastian Buemi, o eterno reserva ou aparecer alguém ligado à Honda. Neste caso, o nome seria Naoki Yamamoto, que poderia contar com a Superlicença e é cogitado para fazer o FP1 do GP do Japão.
Fora isso, a Red Bull não teria ninguém do seu programa de pilotos em condições de assumir um posto de titular na equipe “satélite” no curto prazo, salvo dois casos. (ver mais à frente)
Williams: A lanterninha também tem movimentação. Em tese, continua com George Russell, já que tem um acordo firmado com a equipe por três temporadas. E esse seria mais um motivo para que a Mercedes prossiga fornecendo motores.
Robert Kubica, que parecia ser uma carta fora do baralho, voltou a ganhar força, ainda mais após ter conquistado o primeiro ponto do ano na Alemanha. Embora esteja levando uma sonora surra de seu companheiro de equipe nos resultados, o polonês leva um patrocínio considerável e sua experiência é bem-vinda. Mas se alguém chegar com mais grana, leva.
Aí entra Nicholas Latifi. O canadense, também especulado na Racing Point, atualmente é piloto de testes da Williams e já fez testes, além de treinos livres. Se tudo continuar como está, deve conseguir a pontuação para a obtenção da Superlicença este ano na F2, onde é um dos candidatos ao título. A seu favor, um bolso cheio de dinheiro (seu pai comprou 10% do grupo McLaren em 2018).
Outro nome que corre por fora é o de Sergio Sette Camara. O brasileiro está em seu terceiro ano na F2 e precisa de pelo menos um 4º lugar no final para atingir a pontuação necessária para a Superlicença. Atual piloto de desenvolvimento da McLaren, Sette Camara viria empurrado por um possível apoio da Petrobras, conforme algumas fontes da imprensa noticiaram. Mas não há confirmação por nenhuma parte.
Outros nomes que podem aparecer: 
Nick De Vries, atual líder da F2 e até pouco tempo, atrelado à McLaren. Atualmente, vem sendo ligado à Mercedes, para quem já fez alguns testes em simuladores;
Jean Eric Vergne: o bicampeão da Fórmula E declarou que consideraria um retorno à categoria, se tivesse condições de vencer. E disse que foi sondado para esta temporada;
Mick Schumacher: Já tem pontuação para a Superlicença. Vem fazendo um ano bem discreto na F2. Piloto do “mundo Ferrari”.
Sergey Sirotkin: o piloto russo acumula o posto de piloto reserva da Renault e da McLaren. Tem o bolso cheio de rublos do banco SMP. 
Guanyu Zhou: o piloto chinês vem fazendo um bom ano da F2 e é piloto da academia da Renault. O mercado chinês é um dos cobiçados pela Liberty Media e este apelo não é ignorado. Depende dos resultados....
Juri Vips: o estoniano de 18 anos (completa 19 no próximo dia 10 de agosto) é do programa de desenvolvimento da Red Bull. É o atual terceiro colocado da FIA F3 (preliminar da Fórmula 1 e F2) e já conta com 22 pontos para Superlicença. Caso mantenha a posição, poderia se habilitar à Superlicença.
Patrício O’Ward: o mexicano foi incluído no programa de pilotos da Red Bull este ano. Campeão da Indy Lights em 2018, “Pato” em tese já teria os pontos para requerer a Superlicença. Mas como há dúvidas se o certame americano se enquadra nos requisitos da FIA para considerar os pontos pelo numero de participantes, pode ser um nome para frente. 
Jack Aitken: o inglês faz parte do programa de desenvolvimento da Renault e está em quinto na F2 atualmente. Pode ser também aproveitado. Certamente deve aparecer em testes.




Comments

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  2. Considerndo que na HAAS caia fora a "dupla sertaneja Nhô Ruim (Grosjean) e Nhô Pior (Magnussen) , Pietro Fittipladi estaria no mesmo nível de Mick Schumacher e Sérgio Sette Camara e lembrando o brasileiro além do Latiffi são pilotos McLaren e o pai do canadense é um dos donos do time de Woking claro que a preferencia seria ao filho do "patrão", e tem outra coisa contra o brasileiro. O Governo Bolsonaro cortou a verba publicitária da Petrobrás à McLaren o que faz Sérgio Sette Camara ficar só com o patrocínio do grupo CCR (Construtora Camargo Correia envolvida na Lava Jato e dona das barcas Rio x Niterói e do VLT e dona da Rodovia Via Lagos entre outras )

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    1. Obrigado pelo.comentario! Mas ainda tem negociaçoes firmes sobre a posiçao da petroleira na F1.

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