RENAULT: BALAO JAPONÊS OU CAÇA DE ATAQUE?

por Sergio Milani
Os mais experientes costumam usar a expressão “balão japonês” para algo que sobe rápido, mas cai logo. Com esta definição, se cai na tentação de fazer uma analogia desse termo com a briosa equipe Renault que, após um início claudicante, conseguiu uma bela chegada dupla no último GP do Canadá, com Daniel Riccardo e Nico Hulkemberg chegando em sexto e sétimo, respectivamente.

Desde quando retornou como equipe, em 2016, os franceses deixaram claro que queriam andar na frente e não fariam loucuras. Se lançaram em um programa de revitalização de instalações e de recursos humanos, que foram depauperados na gestão do fundo de investimentos Genii, que assumiu a equipe justamente quando a montadora desistiu de ter um time próprio.

Aos poucos, o trabalho veio dando resultados. Começando em nono lugar em 2016, passando para sexto em 2017. E no ano passado, ficou como a “melhor do resto”, atrás de Mercedes, Ferrari e Red Bull.

O objetivo era colocar-se em condições de vencer provas mais à frente, aproveitando a mudança de regulamento. E esta temporada veio com grandes expectativas. A Renault deu mostras que estava aumentando suas apostas ao contratar Daniel Riccardo, quando já se dava certa a permanência na Red Bull.

A vinda do australiano se assemelhou muito à aposta feita por Lewis Hamilton quando optou ir para a Mercedes em 2013. Tendo a possibilidade de ficar na Red Bull, Riccardo optou pela mudança por ter dúvidas do desempenho dos motores Honda e ainda se via sem espaço diante da imposição de Max Verstappen na (aparente) preferência entre os taurinos.

Quando o RS 19 foi apresentado, a expectativa era que a equipe chegasse mais próximo do grupo da frente e se posicionar de modo a chegar como uma “grande” e ficar ali até 2021, quando o novo regulamento fosse introduzido.
Um novo carro foi construído, sendo um pouco mais ousado, aproveitando as mudanças aerodinâmicas e uma nova Unidade de Potência foi introduzida.

Entretanto, já nos testes de Barcelona, os resultados não vieram como o esperado. Hulkemberg e Riccardo se posicionaram no meio do pelotão, onde várias equipes se mostraram com possibilidades de tomar à frente do grupo do “melhor do resto”.

Quando a temporada efetivamente começou, mais uma vez as expectativas se esvaneceram, com falta de velocidade e confiabilidade, além de Riccardo se queixar de problemas de frenagem. Não foi incomum ver na TV a cara insatisfeita de Jerome Stoll, presidente da Renault Sport (braço esportivo da montadora) e de Alain Prost (consultor da equipe) diante dos maus resultados.

Aparentemente, o caminho certo foi retomado no Canadá, quando parte de um novo pacote aerodinâmico foi introduzido e um pouco mais de potência foi liberada do motor, que teve algumas partes revisadas por condições de confiabilidade. Não à toa, Riccardo conseguiu uma ótima quarta colocação nos treinos e manteve uma briga com Valtteri Bottas no início da prova.

Se espera que a melhora continue, pois mais uma parte de melhorias (nova asa dianteira e assoalho) será introduzida em seu GP caseiro no dia 23, em Paul Ricard. Muitos desejam que a Renault consiga dar o salto para ser uma das grandes e possa efetivamente acrescentar mais títulos aos de 2005 e 2006. Cabe registrar que ela é a única equipe hoje na Fórmula 1 que tem contrato além de 2020 (mais exatamente até 2024) e defende a adoção de um teto orçamentário, que permitiria brigar mais próximos em termos econômicos com Mercedes e Ferrari.

Entretanto, muitos colocam em xeque esta evolução por conta da gestão. O chefe de equipe, Cyril Abiteboul, está há algum tempo envolvido na categoria com a Renault, mas sem resultados relevantes. Muitos especialistas questionam a sua capacidade para construir este caminho para os franceses vencerem na Fórmula 1. Até agora, conta com o apoio da cúpula da montadora. Mas até quando, não se sabe.

Balão japonês ou Mirage (avião militar)? A Renault precisa urgentemente definir qual será o alcance de voo.
 

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