2021: MUDA TUDO PARA CONTINUAR IGUAL?


por Sergio Milani
Aparentemente, agora vai! A FIA encaminhou às equipes na semana passada todo o calhamaço de regras esportivas e técnicas referente à 2021 para análise. Inicialmente, as regras serão apresentadas na reunião do Conselho da FIA no dia 14 e referendadas até dia 30 deste mês.
Oficialmente, nada foi ainda divulgado. Mas a alemã Auto Motor Und Sport deu algumas dicas nestes últimos dias do que está sendo discutido e submetido à votação.
MUDANÇA DO FIM DE SEMANA
A FIA propõe uma simplificação do fim de semana. A quinta-feira dedicada à mídia seria excluída. E a vistoria técnica passaria a ser realizada na sexta-feira de manhã, com os dois treinos livres passando para a parte da tarde.
A grande mudança proposta na vistoria é que os carros não poderiam ser mudados ao longo do fim de semana. Qualquer troca de peça só poderia ser feita por outra do mesmo tipo. Por um lado, simplificaria a situação para os times, usar menos peças. Mas fecharia a porta para comparações ao longo do fim de semana. Por exemplo: uma equipe não poderia fazer um comparativo entre 2 tipos de asa. O modelo a ser usado no fim de semana teria que ser definido antes de ir para a pista. Os engenheiros estão gritando neste aspecto, mas ainda não apareceu uma contraproposta.
Para as televisões e o público, esta mudança seria interessante. Os tempos de treinos seriam mantidos, mas começando mais tarde. Nas corridas europeias, permitiria que várias pessoas vissem o segundo treino livre após o horário de trabalho....
LIMITAÇÃO DE ORÇAMENTO
Este é o ponto mais nevrálgico do regulamento e causa um grande cabo de guerra na categoria. Após muita discussão, uma situação de compromisso aparentemente foi alcançada.
A partir de 2021, os gastos seriam limitados em 175 milhões de dólares. Entretanto, gastos com pilotos, motores, despesas de viagem e marketing ficariam de fora deste cálculo.
A proposta original era limitar em 130 milhões, com tudo. Mas após a discussão entre todos, as equipes grandes (Mercedes e Ferrari) se impuseram. Dentro deste quadro, alguns estimam que estes 175 se transformariam em 250 facilmente.
De acordo com esta proposta, este teto valeria até 2025 e seria reajustado pela inflação a partir de 2023. O controle seria feito por um grupo de auditores autorizados pela FIA, que teriam total permissão para ver as contas das equipes e identificar as devidas rubricas.
A chiadeira está vindo de todos os lados. Mas caso implantado, mesmo considerando os valores não computados, significaria um corte entre 30% a 40% nos valores gastos hoje pelas equipes de ponta. Não é pouco. Obrigaria a ter uma redução firme de seus quadros
Mas você deve se perguntar: E qual seria a punição para quem descumprisse o teto? Os detalhes não emergiram, mas se fala em perda de direito do chefe de equipe participar de um campeonato da FIA, bem como punição à equipe através de perda de pontos e no valor a ser recebido de premiação.
Os detalhes aparecerão logo. O público e os engenheiros querem saber efetivamente da parte técnica para ver a cara dos novos carros. Mas o que aparece até o momento é uma reforma bem menor do que se esperava e que a Fórmula 1 precisava. Só que foi a possível e, em tese, aproximaria um pouco o grid em termos de recursos.

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