REGULAMENTO 2020: NÃO É SÓ A EMBREAGEM

por Felipe Quintella

A FIA divulgou na terça-feira passada, dia 30/05, o regulamento técnico completo da Fórmula 1 para a temporada de 2020. Em termos gerais, as normas para os carros se mantiveram. Mas algumas mudanças são dignas de nota. Muita gente focou na configuração da embreagem, mas também foram introduzidas regras mais restritas para evitar o uso de óleo como combustível e mudanças para os espelhos retrovisores.
Embreagem (Item 9.2)
O componente que mais sofreu restrições nesse regulamento foi a embreagem. A intenção é colocar mais na mão dos pilotos (literalmente) a responsabilidade pelas largadas. Ou seja, haverá menos possibilidade de ajudas externas no uso da embreagem, sejam físicas ou eletrônicas. As regras para o ano que vem definem que a embreagem deve ser em forma de alavanca, e que deve ser puxada na direção do piloto para ser acionada.
Caso as equipes queiram utilizar duas alavancas, é permitido. Entretanto, elas têm que ser idênticas. Além disso, devem ser simétricas, com as mesmas funções, ergonomia e mapeamento. Os pilotos podem ser chamados a demonstrar que ambas são idênticas e que podem ser acionadas com apenas uma mão.
Ainda, o monitoramento eletrônico do acionamento da alavanca será mais rigoroso. A medição do uso da embreagem pelo piloto deve representar quase que a posição real da alavanca em relação ao seu ponto de “descanso”. Mais especificamente, como definido na seção F do artigo 9.2.1 do regulamento, a diferença entre a medição e posição real não pode ultrapassar 5%.
O próximo artigo, 9.2.2, trata do uso de referências dentro do cockpit para facilitar a vida do piloto. Um design interno que permita que o piloto identifique pontos específicos no acionamento da embreagem é proibido. Dessa forma, outras partes do volante, as demais alavancas, e o chassi não poderão ser usados como pontos de referência.
Transferência de óleo para o motor (Itens 6.1.2 e 7.9)
Outra mudança importante implementada pela FIA que impede o uso da queima de óleo para obter uma potência extra para os carros. Nos últimos anos, a entidade tem procurado controlar esta parte.
Para 2020, as equipes ainda poderão utilizar o óleo, mas de forma cada vez mais restrita. O regulamento prevê que o volume do tanque auxiliar de óleo (sigla AOT, em inglês) e das suas conexões ao motor não pode exceder 2,5l, além de ter seu fluxo controlado por uma válvula solenoide, sob análise da FIA.
Em relação ao quantitativo máximo de combustível que pode ser mantido fora de célula de sobrevivência também foi alterado drasticamente. Passará de 2l para 250 ml. Com isso, as regras pretendem evitar que o fluxo de combustível seja ultrapassado ou que se misture óleo com combustível ilicitamente.
Espelhos retrovisores (Item 14.3)
Mais algumas regras foram alteradas para evitar que o design dos espelhos retrovisores ofereça algum tipo de ganho aerodinâmico. O regulamento estabelece uma área, chamada de “caixa”, onde devem ser posicionados os espelhos, sendo obrigados a ter um volume menor, com medidas de 80 mm verticalmente e 160mm horizontalmente.
Além disso, procurou-se mais uma solução para as reclamações de baixa visibilidade dos espelhos. Portanto, para 2020, os dois espelhos devem ser posicionados simetricamente ao plano central do carro, permitindo ao piloto ver a traseira e as laterais do monoposto. Eles serão colocados mais para trás, 30 mm mais próximos da célula de sobrevivência, e mais para baixo, em 40 mm.
Asa dianteira (item 3.3)
O regulamento também age sobre uma possível interpretação distorcida do atual, no que se refere às asas dianteiras. Agora está claro que a asa dianteira pode ser composta de, no máximo, cinco peças separadas. E como essas asas maiores são bem mais propensas a quebrarem em um contato, deverão ser feitas de fibra de carbono.

No link abaixo, você pode conferir uma cópia do futuro regulamento. Todas as mudanças feitas em relação ao atual estão grifadas de rosa.

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