PACOTES DE BARCELONA


por Sergio Milani

Não, esta coluna não tratará de comércio ou de embalagens. Mas um dos principais tópicos para o GP da Espanha, que acontecerá no próximo final de semana, é a introdução dos pacotes de atualização pelas equipes em seus carros.

Não é de hoje que os times deixam para introduzir maiores modificações no início da dita “fase europeia” da temporada. Era prática comum nos anos 70 até o início dos 90 usar carros da fase anterior e deixar para estrear seus projetos recentes no Velho Continente.

Mesmo com todo o avanço da tecnologia e logística, a introdução das novidades é facilitada pelo fato das bases dos times estarem mais “próximas” (Inglaterra e Itália). À esta altura, as equipes têm material suficiente para analisar o desempenho e confirmar se o programa de desenvolvimento está no caminho certo ou são necessários ajustes.

No quadro atual, Barcelona é o lugar ideal para a introdução de mudanças mais relevantes dos carros. Embora a temperatura local prometa estar mais alta do que nos testes de inverno, é a única pista em que se tem um referencial de desempenho em relação à pré-temporada. Por mais que a tecnologia tenha evoluído, ainda não se consegue reproduzir em túneis de vento e modelos computacionais toda a variação de pista.

Pode parecer preciosismo, mas agora veremos as mudanças mais significativas nos carros. Asas e aletas diferentes, principalmente. Mas as equipes trabalharão mais nos “detalhes” não tão à mostra: suspensões, assoalhos, difusores...itens que, juntos, podem fazer toda a diferença no desempenho. Afinal de contas, todo centésimo a favor conta.

Em todos os quadrantes do grid, tais mudanças são esperadas: a Mercedes, para conseguir manter a liderança; Ferrari, para tentar resolver o Cubo de Kubik (palavras de Vettel) e confirmar o bom desempenho da pré-temporada (91 se repete?); Red Bull, para conseguir destravar o desempenho que só aparece em alguns locais.

Não podemos esquecer o grupo de trás: a briga para conseguir se garantir no posto de “melhor do resto”. E aí, uma das que devem trazer muitas novidades é a Racing Point, que vem conseguindo marcar pontos constantemente e fez uma bela apresentação em Baku. A Haas deve trazer novidades na suspensão para acertar seu problema de pneus e a McLaren para consolidar uma “retomada” nas mãos de sua “garotada”.

A Williams deverá vir com novidades na esperança, de reduzir o fosso existente entre o restante do grupo. Este é o objetivo mais urgente. Ainda não deve ter havido tempo de Patrick Head dar seu “toque” na equipe, mas o trabalho é frenético em Grove. A “prata da casa” vem atuando (não se fala na vinda de um novo Diretor Técnico, tampouco numa volta de Paddy Lowe) e, caso haja sinais encorajadores, o time deve ainda tentar salvar o FW42. Caso contrário, o foco deverá ser voltado para o regulamento técnico de 2020, publicado pela FIA na semana passada...

Do ponto de vista técnico, este é um Grande Prêmio para se prestar atenção. Mas o que a grande massa quer é ver emoção. Montmeló não é uma pista dada a grandes disputas. Mas é o momento decisivo para Red Bull e Ferrari mostrarem que tem condições de destronar a Mercedes como a líder do campeonato. Este será o grande atrativo do fim de semana para ver se teremos uma disputa aberta ou ficará restrita às "flechas de prata". Vejamos quem terá o melhor pacote.


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