O QUE MAX VERSTAPPEN TEM DE EXCEPCIONAL?


por Karina Lima

No último 15 de maio de 2019, completou-se três anos desde que Max Verstappen conseguiu três recordes na Fórmula 1: piloto mais jovem a vencer um GP, piloto mais jovem a conquistar um pódio e piloto mais jovem a liderar uma prova. Estas façanhas foram alcançadas quando Max tinha 18 anos e 228 dias. Hoje, com 21 anos, o piloto holandês continua realizando grandes feitos.
Com uma história sempre ligada ao automobilismo, parece ter herdado o gosto pela velocidade. Seu pai, Jos Verstappen é um conhecido ex-piloto de Fórmula 1 – mais conhecido por suas polêmicas que por seus resultados, entretanto - sua mãe, Sophie Kumpen, foi uma talentosa kartista profissional que correu em alto nível em uma categoria considerada a “F1 do kart”, a Super A, em que entravam apenas os seis pilotos mais bem colocados da Europa e os seis mais bem colocados do mundo. Além disso, conquistou títulos importantes correndo contra outros conhecidos pilotos como Jarno Trulli e Giancarlo Fisichella. Até mesmo outros familiares de Max têm ligação com o automobilismo, tendo o tio participado de provas FIA GT e 24 Horas de Le Mans e o avô de provas de Endurance.

O pequeno Max brinca com aquele a quem tem tudo para igualar
Como não poderia ser diferente, Max começou no kart com apenas quatro anos e venceu diversos torneios, se tornando bastante conhecido no meio. Sua primeira experiência com fórmulas foi em 2013, como piloto de testes, começando a competir em 2014 pela Florida Winter Series onde venceu algumas corridas. Ainda em 2014 passou a competir na Fórmula 3 onde venceu 10 provas, mas logo foi confirmado como parte do programa Red Bull Junior Team e anunciado como piloto da Toro Rosso a partir de 2015, iniciando sua carreira na Fórmula 1 antes mesmo de completar 18 anos. Foi quando Max conseguiu seu primeiro recorde: o de piloto mais jovem a competir na Fórmula 1, com apenas 17 anos e 166 dias.
Já em 2016 foi “promovido” e em sua primeira corrida como piloto da Red Bull Racing venceu o GP da Espanha de 2016, conquistando também os outros três recordes citados no primeiro parágrafo deste texto. Como nem tudo são flores, a ascendência meteórica do holandês levantou debates sobre a Fórmula 1 estar aceitando pilotos tão jovens visto que, em muitos momentos, Max deu motivos para preocupação. Apesar de sempre ter sido muito rápido, costumava ser pouco confiável, cometendo erros próprios da idade e da falta de amadurecimento.
Como Jolyon Palmer analisou em sua coluna para a BBC F1, tendo Daniel Ricciardo como companheiro na RBR, Verstappen já demonstrava ser mais rápido, mas não conseguia bater o australiano que era mais consistente e confiável. Isso mudou após um acidente que Max sofreu em Mônaco durante os treinos no ano passado. Desde então, algo parece ter mudado em Max, que passou a ser superior a Daniel nos resultados e conseguiu terminar o campeonato bem à frente de seu companheiro.
Ricciardo assinou com a Renault e em 2019 Max tem um novo companheiro na RBR, Pierre Gasly. Apesar do conhecido talento do jovem piloto francês, nas até então cinco corridas disputadas neste ano, ele não tem feito páreo para Max Verstappen que vem sendo, como sempre, muito rápido, mas também muito consistente. Além de estar muito à frente de seu companheiro, conseguiu dois pódios e ultrapassou em pontos os dois pilotos da Ferrari, abocanhando a terceira posição do campeonato, mesmo com um carro sabidamente inferior.
O desempenho excepcional de Max este ano, conseguindo unir sua agressividade natural com confiabilidade, sabendo analisar as corridas, tomando melhores decisões e conquistando o máximo de pontos possíveis a cada prova, já o torna um dos protagonistas desta temporada e faz com que muitos, de fãs a críticos, acreditem que talvez ele tenha chegado a outro nível. O que falta para brigar por títulos é realmente um carro da categoria de uma Mercedes, de uma Ferrari ou uma Red Bull evoluída, que consiga peitar estas duas.


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