INDY 500 2019: RISOS E LAGRIMAS NO GRID.

por Felipe Quintella
Deu França na Indy por enquanto. Simon Pagenaud conquistou a pole da edição de número 103 da Indy 500. Depois de uma chuva insistente ter cessado no domingo, o francês da equipe Penske alcançou a média de 229,992 milhas por hora no tradicional circuito americano. Ele superou Ed Carpenter e Spencer Pigot, da Ed Carpenter Racing, que ficaram com o segundo e terceiro lugares. A segunda fila será composta por Ed Jones em quarto, Colton Herta em quinto, e Will Power (o vencedor do ano passado) em sexto. Três grandes nomes da Indy estarão da terceira fila: Sebastian Bourdais sai do sétimo posto, acompanhado de Josef Newgarden em oitavo e Alexander Rossi, vencedor da prova em 2017, em nono. O grid completo você pode ver aqui
Um domingo de emoções. No início e no fim do grid
Antes da definição desses nove primeiros lugares, que é chamada de Fast Nine, ocorreu o Bump Day. Foi a última chance para seis pilotos de compor o grid da Indy 500. Dentre eles, estava Fernando Alonso, correndo com seu Chevrolet Dallara de número 66, da equipe Mclaren. O resultado não poderia ter sido mais frustrante para o bi campeão de F1. Dos seis pilotos, apenas os três mais rápidos entrariam. Alonso conseguiu a proeza de ser o quarto mais rápido, ficando de fora da corrida e adiando o sonho da Tríplice Coroa. Sage Karam, James Hinchcliffe e Kyle Kaiser ficaram com as três posições, tirando o veterano da prova por uma margem de 0,03 km/h.
Mesmo tendo liderado os treinos livres da manhã de sábado, o espanhol não tinha muitos motivos para estar otimista. Os ingleses foram para os EUA com uma estrutura própria e apoio técnico da equipe Carlin, deixando de lado a parceria com a Honda e a Andretti da participação de 2017 (dizem que por pressão dos japoneses)
A Carlin, parceira semi-oficial da McLaren em categorias menores,  estreou na IndyCar apenas em 2018 e dois de seus três de seus pilotos (Max Chilton e Patricio O’Ward) também foram obrigados a ir para a repescagem, sem conseguir a classificação. Durante os treinos livres, Alonso não impressionou muito e chegou até a bater na terça feira (15). Como o piloto escreveu na sua conta do Twitter, foi uma “semana difícil”. Fato é que faltou o mais importante: velocidade.
E o momento “Cinderela” aconteceu com a Juncos Racing e Kyle Kaiser: a equipe perdeu seu principal patrocinador às vésperas da prova e bateu nos treinos livres. Só conseguiu alinhar o carro com a ajuda de outros times, que cederam peças. A alegria de seus integrantes comemorando no pit a classificação foi um daqueles momentos maravilhosos que o automobilismo nos proporciona.

Os treinos no sábado definiram os lugares dos três brasileiros no grid. Hélio Castroneves, correndo pela Penske, ficou com a 12ª colocação. Ele até tentou mais algumas voltas para chegar na turma do “Fast Nine”, mas sem sucesso. A dupla de brasileiros da AJ Foyt fez o que pode e conseguiu colocações consistentes. Tony Kanaan ficou com a 16ª colocação e Matheus Leist com a 24ª. O sueco Marcus Ericsson, ex-F1, largará da 13ª posição domingo que vem. Logicamente, isso rendeu algumas piadas de comparação com Fernando Alonso.
Como funcionou a qualificação da Indy 500 2019?
Para quem não conhece o sistema de qualificação da corrida em Indianapolis, aí vai um rápido resumo. É praticamente um show à parte.
Ela é dividida em dois dias e ocorre um final de semana antes do dia da corrida. No primeiro dia, no sábado, são definidos as posições de 10ª a 30ª. São seis horas de sessão, com cada carro na pista por vez. Na sua saída, o piloto tem direito a duas voltas de aquecimento, mais quatro voltas. A média de velocidade dessas quatro voltas define a posição no grid.
Depois que cada um completou suas seis voltas, é possível tentar novamente, com duas opções. Optar pela Normal Lane ou pela Fast Lane. A Normal Lane dá direito a ir para a pista quantas vezes for possível. Se o piloto não melhorar sua marca, o resultado da primeira saída continua valendo. Caso opte pela Fast Lane, o tempo anterior será apagado, mas ele terá prioridade sobre os demais. Com o fim da sessão, os carros que ocuparem da 10ª posição até a 30ª largarão daí na corrida.
Definido o meio do grid, o domingo é reservado para as duas pontas do pelotão. As três primeiras filas, como já explicado, são decididas pelo Fast Nine: Os nove primeiros colocados do sábado participam, com cada piloto tendo direito a uma tentativa. Quem foi dono da melhor média de velocidade é o pole position.
Já o Bump Day define a última fila do grid, disputada entre seis pilotos. Da mesma forma, cada um tem direito a uma tentativa. Os três mais rápidos respiram aliviados e participam da Indy 500. Os três mais lentos têm que começar a pensar no ano que vem.
É o caso de Don Fernando, que agora tem um mundial de WEC para terminar, e da McLaren, já que rechaçou a possibilidade de “comprar” uma vaga (na Indy 500, quem se classifica é o carro. Em tese, é possível que uma equipe possa repassar sua vaga à outra). Aprenderam que a Indy tem uma abordagem própria e não perdoa quem a subestima.
A 103ª edição da Indy 500 acontecerá no próximo domingo, dia 26, a partir das 13 horas, com transmissão da Band (TV aberta), Band Sports (TV por assinatura), do site de streaming DAZN e na webradio pela Alternativa Esportes (www.alternativaesportes.com.br).



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