BRASILEIROS NA F1 - CHEGAR É UMA COISA, VENCER É OUTRA...


por Ialdo Belo

Dá para se obeservar toda a expectativa gerada pela ansiedade do Brasil voltar a ter um piloto representando as cores do país na F1, mas a pergunta que não quer calar é: se justifica?

O brasileiro começou mal-acostumado. quando o grande público teve acesso às primeiras transmissões televisivas, já tinhamos um campeão mundial cujo título fora conquistado por antecipação no GP de Monza de 1972. Naquele ano de 1973, ele seria vice; de novo campeão em 1974 e mais uma vez vice em 1975. tudo era só alegria, mas bastou ele optar por correr na equipe do irmão, um projeto embrionário e que obviamente levaria tempo para se desenvolver, que voaram pedras de todos os lados por causa das vitórias que não vieram.

Visto de hoje, o jejum brasileiro não durou tanto. Nelson Piquet surgiu e com dois anos de F1 conseguiu sua primeira vitória no GP de Long Beach, ainda disputando o título naquele ano até a penúltima corrida , quando deu adeus ao título por uma quebra de motor.

No auge da carreira de Piquet, o Brasil ainda teria estreando na F1 em 1984 aquele cujo nome dispensa quaisquer comentários: Ayrton Senna.
Em resumo, de 1972 a 1994 os brasileiros tiveram muito pouco tempo para não pensar em vitórias e títulos na F1.

Entretanto, mesmo antes de Ímola, a seca de títulos começou e lá se vão quase 30 temporadas!

As vitórias ainda vieram e não foram poucas, 11 com Barrichelo e 11 com Massa. Mas, diante da enorme legião verde-amarela que passou praticamente em branco pela F1 nesse período, o cenário continua não sendo nada animador.

Antonio Pizzonia, Enrique Bernoldi, Tarso Marques, Ricardo Rosset, Luciano Burti, Ricardo Zonta, Felipe Nasr, Pedro Paulo Diniz, Cristiano da Matta, Lucas di Grassi, Christian Fittipaldi, Maurício Gugelmin, Roberto Moreno, Nelson Ângelo Piquet e Bruno Senna nunca chegaram à vitória, por motivos variados, e isto é um fato!

O que leva alguém a acreditar que na F1 de curto ou médio prazo haverá outro brasileiro vencedor?

Vejamos o cenário atual:

• Pietro Fittipaldi - sem pontos para a superlicença está participando da DTM nesta temporada, mas, até o momento, não apresentou nada de excepcional. Ainda que consiga reverter o jogo, a opção mais próxima na F1 seria a Haas. Se uma vitória pela equipe americana já poderia ser considerada um milagre, o título mundial está tão distante quanto Plutão;

• Sergio Sette Câmara - para mim, um nome superestimado. Não fez nada por onde passou, conseguiu ser dispensado da Academia de Pilotos da Red Bull e em sua terceira temprada na F2 continua com a mesma rotina de constantemente ser pior que o companheiro de equipe, que, aliás, lidera o atual campeonato enquanto que o mineiro o enxerga através de um binóculo lá de um distante sexto lugar, 42 pontos atrás! Na remota hipótese de chegar à F1, a porta de entrada seria através da McLaren, equipe que hoje ocupa o quarto lugar na tabela de Construtores, mas 80 pontos atrás da terceira, Red Bull e astronômicos 227 da líder Mercedes.

As outras promessas ainda são apenas isso, promessas e têm um longo caminho para percorrer, portanto, isso é assunto para o futuro.

E as regras que mudarão em 2020? Bom, a história mostra que essas mudanças têm como único objetivo destronar a equipe dominante e estabelecer outra no lugar. Foi assim com a Ferrari, com a Red Bull e provavelmente será com a Mercedes. Seria surreal imaginar que a Williams de uma hora para a outra começasse a vencer corridas. O mais provável é a ascenção da Red Bull ou da Ferrari ao topo, mas isso só se a Mercedes já não tiver planejado e testado as mudanças que estão por vir, algo absolutamente improvável.

Resumo da ópera: vai demorar para um brasileiro voltar a vencer na F1, a menos que venha com o apoio de uma equipe forte e seja realmente brilhante.
Quem não quiser enxergar isso, que prepare as pedras, então.



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