LUÍS HAMILTON ESTÁ RINDO À TOA


por Sergio Milani e Ialdo Belo


A China trouxe mais dúvidas do que certezas para a Ferrari. A equipe tem aprontado requintes de crueldade com o seu torcedor. Após mostrar força em Barcelona, ter feito uma estreia discreta em Melbourne e dominar no Bahrein, os italianos se enrolaram em Xangai.

É quase uma unanimidade no paddock que a Ferrari tem o carro mais rápido em reta do grid. A Unidade de Potência da equipe é tida como a mais potente e as medições dão conta de uma diferença de 4 a 6 décimos (falamos sobre isso na semana passada. Ver aqui). Mas o potencial não consegue ser inteiramente destravado.

Para completar, mesmo com a mudança de comando, a equipe continua não se achando com as estratégias. Desde o início da temporada, a Ferrari veio entre ordens e contraordens com seus pilotos. Sem contar as paradas de box.

Neste GP da China, este aspecto ficou sobre os holofotes. A Mercedes conseguiu se impor através de um melhor acerto para as curvas e na tração para se impor sobre a velocidade da Ferrari nas retas. Ao ver as voltas, percebe-se os italianos perdiam cerca de 3 a 4 décimos por volta, principalmente no segundo setor, parte da pista em que se exigia melhores condições de abordar as curvas.

Daí, vem a famigerada ordem para a troca de posições entre Vettel e Leclerc. Ambos tinham um ritmo muito semelhante, mas a equipe entendeu que o alemão estava mais rápido e pediu a mudança, por entender que Vettel tinha melhores condições para chegar em Bottas. Mas mesmo após a mudança, o carro #5 abriu do #16, mas não em condições de se distanciar bastante e nem chegar nas Mercedes. Aí, a corrida estava definida.

Mas mais inexplicável foi a tática usada para Leclerc. A decisão de deixá-lo mais tempo na pista com pneus usados foi a principal decisiva para que o monegasgo não ficasse com a quarta posição. No fim, Leclerc ainda conseguiu chegar a menos de três segundos de Verstappen.

Tal situação foi um tremendo erro sim! Muita gente nos grupos de Facebook e WhatsApp logo se apressou em dizer que se tratou de uma “vingança” da Ferrari pela reclamação de Leclerc pela troca de posições. Uma coisa é ser criança, outra é errar. Com todas as falhas que tem mostrado nesta área, é muito ingênuo achar que os italianos, dentro de um extremo profissionalismo que a a F1 exige, fizessem uma ação que prejudicasse tanto a equipe desta forma.

A Ferrari tem um diamante bruto no SF90 em mãos. Sabe disso, mas tem tido dificuldade em lapidá-lo. Na inglesa Sky Sports, Nico Rosberg, agora com a camisa de comentarista, disse que conversou com membros da equipe e estes teriam admitido que o pacote aerodinâmico trazido para a China não era o apropriado. Pode ser um motivo para que o desempenho não tenha sido bom.

O mais importante agora é a equipe manter a cabeça fria. E uma reação se faz necessária em Baku. Os analistas e a própria Mercedes dizem que a perfeição nos resultados vinda até agora vem mais da irregularidade da Ferrari do que pela competência anglo-alemã. O fato é que agora os italianos estão simplesmente com quase a metade de pontos de seus concorrentes.

E um dos aspectos para trabalhar é acalmar seus pilotos. Leclerc mostra, sim, que pode ser grande. Mas as declarações dadas após a corrida em que “no futuro veremos quem é o líder da equipe” soam muito mal. Tudo bem que não existe campeão bonzinho. Mas uma posição deste tipo não se ganha no grito e sim na pista. Agora é hora de ser mais estratégico, fazer o trabalho e deixar as coisas virem naturalmente. O mar está mexido e não é hora de fazer mais movimento para a canoa não virar.

E Mattia Binotto entra na linha de tiro. E uma situação que foi levantada quando foi confirmado como chefe de equipe vai sendo colocada em xeque: o acumulo dos postos de Diretor Técnico e Chefe de Equipe. Diz ele que consegue se equilibrar entre os dois postos. Mas na atual conjuntura, vai se tornando necessário vestir somente um único chapéu...

É por essa e por outras que Luís Hamilton, o maior torcedor brasileiro virtual de Lewis Hamilton está feliz: ele sabe que se a Ferrari não se aprumar e com a Mercedes tendo cem por cento de aproveitamento com três dobradinhas em três corridas, o sexto título de Hamilton está cada vez mais próximo.


Comments