GUERRA INFINITA: FORÇA BRUTA X PRECISÃO.



por Sergio Milani

O GP deste domingo, no Azerbaijão, será mais um encontro de filosofias. Ora, mas o que isso quer dizer?

De um lado, a Ferrari, apelando para um projeto com maior arrasto, mas se garantindo em uma UP mais potente para ganhar tempo em retas. De outro, uma Mercedes mais “convencional”, porém conseguindo ser mais estável em curvas e em termos organizacionais.

Nas últimas semanas, vimos o time italiano atordoado, com dificuldades de “destravar” o potencial da SF90 e ainda administrando o impacto das ordens de equipe entre um Vettel sem confiança e um Leclerc querendo se impor “no grito”.

Por outro lado, a Mercedes vem se aproveitando das situações. Segundo os “especialistas” e a própria equipe, hoje não são os mais rápidos. Mas conseguiu até aqui o melhor início de temporada desde a Williams de 1992, com direito a uma sincronizada parada de boxes na China.

Baku, com todas as suas variáveis, é uma pista de rua bem apertada, onde os carros devem ter uma boa gerência de curvas, não só em tangencia e aderência, mas como em tração. Mas para deixar os engenheiros malucos, conta com um “um trecho rápido infinito”, com curvas de pé embaixo e reta somando, juntos, mais de 2km de extensão. 

Eis a briga: Deixar um carro rápido para o trecho ou ganhar tempo nas curvas?
Daí vem o choque de filosofias: A Ferrari, embora tenha trazido alguns itens que não são somente de adaptação à pista - mas que não se configuram totalmente como um “pacote de atualizações” - ainda se garante com a sua UP. De outro lado, a Mercedes trazendo itens mais refinados, para ganhar mais velocidade.

Ao ver a montagem e a vistoria dos carros na quinta-feira (ontem), ficou clara a diferença: Mercedes e Red Bull usavam aerofólios traseiros com perfil mais fino e baixo. Já a Ferrari usava um aerofólio com perfil maior, mas com uma peça inferior ligeiramente mais curva.

Esta diferença de abordagens permite fazer um paralelo com o início da época da volta dos aspirados em 89/90. Naquela época, a McLaren utilizava aerofólios bem maiores do que seus concorrentes (Ferrari, Williams e Benetton). Os outros tinham carros melhores resolvidos e conseguiam ter uma ótima carga aerodinâmica e se permitiam usar asas menores, reduzindo o arrasto. Já a então poderosa equipe branca e vermelha tinha que se garantir na potência do motor Honda para compensar o maior arrasto.

Como a história se repete, hoje vemos a Ferrari no papel de McLaren: se garantir na força do motor para ficar na frente. E a Mercedes, que se garantia na força do motor, se firma na força do conjunto para conseguir mais um campeonato.

Mais uma vez será a “força bruta” italiana contra a “precisão” anglo-alemã. Filosofias opostas. Até agora, a precisão vem se fazendo mais efetiva. Mas a força bruta nunca pode ser descartada… Até porque se a Ferrari não conseguir um bom resultado neste final de semana, as coisas ficarão muito feias em Maranello e muita gente começará a perguntar se teremos Binotto frito, assado, cozido ou gratinado....

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