O QUE ESPERAR DO GP DA AUSTRÁLIA


por Sergio Milani

Para o fã da Fórmula 1, é a hora tão esperada. Depois de 4 meses de abstinência, incluindo 15 dias de verificação dos novos carros nos testes e mais 15 de discussão acalorada nas redes sociais, o “circo” toma conta do picadeiro. 20 carros visitarão 4 continentes ao longo de 2019 para ver quem será o mais rápido.
A Austrália recebe a abertura com sua “falsa” pista de rua, montada no Albert Park. ”Falsa” porque os carros atingem velocidades razoavelmente elevadas em retas e curvas. Mas nestas últimas também estão o DNA citadino, bem como as freadas (a energia dissipada na freadas por volta em média daria para alimentar cerca de 1.400 consoles do Playstation 4 por uma hora!)
As expectativas dos fãs aumentaram não só pelos novos carros, mas pelas mudanças: visando deixar os carros mais próximos e facilitar as ultrapassagens, o regulamento mudou: retirada de aletas, aumento de aerofólios... Ainda não é certo o quanto isso fez alcançar o objetivo da FIA e da FOM (alguns disseram que sim, outros não). Mas pudemos ver em Barcelona e no primeiro treino de Melbourne que os carros, embora mais pesados, estão mais rápidos do que no ano passado.
Isto mostra a grande capacidade da engenharia de Fórmula 1. A cada ano, os engenheiros, com o apoio de sistemas cada vez mais avançados de computação e nos tuneis de vento, conseguem ir cada vez mais além em ganhos de aerodinâmica. Sem contar o ganho no campo dos motores. Não se nota muito, mas graças aos sistemas de recuperação de energia, um motor de Fórmula 1 (ou unidade de potência, se preferir) hoje consegue ter uma eficiência energética de mais de 50%. Um motor comum a combustão, quando muito, oscila entre 30 e 35%.
Mas o que interessa mesmo são os pilotos. Alguns dizem que hoje não são mais tão bons. Seriam “nutellas”, como se espalha por aí. Mas a complexidade de pilotar um Fórmula 1 atual no limite é para muito poucos. Mais à frente talvez tenhamos a real dimensão do que estamos vivendo, mas temos uma safra de ótimos pilotos. Pode se discutir se fazem parte do panteão dos “grandes”. Mas não se pode negar a grandeza de um Vettel, um Hamilton e a potencialidade de Verstappen e um Leclerc.
Tudo indica que teremos um novo capítulo da batalha Ferrari e Mercedes. Os italianos se mostraram melhores em Barcelona, com os anglo-alemães andando no mesmo ritmo, mas de uma maneira não tão limpa. A Red Bull tenta se intrometer nesta briga, mas vai depender muito da Honda e da precisão do projeto de Adrian Newey.
Vai valer muito a pena também ver a briga do “melhor do resto”: ao menos 6 equipes estão muito próximas. Os testes em Barcelona e na sexta em Melbourne mostraram isso. 12 carros estavam separados por um segundo. É certeza de emoção!
A Williams é um caso à parte: agoniza em praça pública a outrora dominadora. Os problemas enfrentados pela equipe ofuscam a volta de Robert Kubica e a aparição do talentoso George Russell. Muitos torcem para que o script de Lotus e Tyrrell não seja seguido aqui e que a última das garagistas pereça.
Nesta peça de 21 atos que se desenrolará até dezembro, vamos ver o que os atores e roteiristas nos reservam. Teremos choro e risos, amor e ódio, calmarias e emoção, sofrimento e glória.
Que venha esta Fórmula 1 2019 e aproveitemos a beleza da disputa e da borracha sendo queimada.

Comments