O QUE ESPERAR DA CHEGADA DE MICK SCHUMACHER NA F1


por Sergio Milani


Não era uma questão de se, mas de quando. Em um dos anúncios mais esperados dos últimos tempos, ontem se confirmou que Mick Schumacher testará pela Alfa Romeo e Ferrari nos testes para iniciantes que acontecerão terça e quarta feira no Bahrein, logo após o GP deste domingo.
Após haver um namoro firme por parte da Mercedes e uma consulta pela Red Bull, isso acaba por ser um desdobramento (mais ou menos) lógico depois da confirmação da contratação de Mick pela Academia de Pilotos da Ferrari.
Por conta da força do nome, esta relação ganha um peso todo especial. Afinal de contas, é o filho do multicampeão Michael Schumacher na equipe onde ele se consolidou como um dos maiores pilotos de todos os tempos.
Graças ao desempenho até aqui, o interesse aumentou exponencialmente. Mick conseguiu um duplo 2º lugar nas F4 italiana e alemã em 2016, além do título da F3 européia no ano passado. Tais resultados deram ao alemão de 19 anos a possibilidade de requerer a Super Licença para a Fórmula 1 (10 pontos por cada certame da F4 e 30 pelo título da F3). Por este motivo, a Red Bull o considerou para ocupar um dos postos da Toro Rosso nesta temporada.
Mesmo com esta possibilidade, Mick mostrou uma abordagem muito cautelosa, preferindo fazer uma temporada na F2 pela mesma Prema onde fez a F3 e que é praticamente uma preposta da Ferrari nas categorias menores. O alemão é considerado um dos favoritos da categoria este ano.
O anúncio de sua participação nos testes do Bahrein, onde já estará para disputar a primeira rodada da F2, faz parte da sua preparação. Andar pela Ferrari (terça) e pela Alfa (quarta) o permitirão completar todos os requisitos para a obtenção da Super Licença (além da pontuação, o piloto tem que ter completado no mínimo 300km em condições “satisfatórias”).
Antes de obter a Super Licença, Mick terá a preocupação de causar uma boa impressão e – mais importante – conseguir fazer um ano convincente na F2. O arranque impressionante na segunda metade da temporada da F3 chamou muito a atenção e não foram poucas as vozes que questionaram este avanço.
Caso consiga ficar entre os seis primeiros do campeonato, garante tranquilamente os pontos restantes para a Super Licença (para o computo dos pontos, são consideradas as três últimas temporadas e os resultados da F4 não poderiam ser mais levados em conta). Então, começa a se cacifar para ocupar um posto mais proeminente no “Mundo Ferrari” num futuro próximo, a partir de 2020: Haas ou Alfa Romeo.
A Haas seria a escolha mais provável, pois que seus dois pilotos podem ser substituídos. Mas os americanos mostraram que, embora contem com a Ferrari para fornecimento de várias soluções, não aceitam imposições quanto aos pilotos. Sem contar a presença de Pietro Fittipaldi, atual piloto de testes e que já realizou alguns treinos pela equipe, inclusive na pré-temporada deste ano. O neto de Emerson também tem a força do sobrenome, muito forte no meio automobilístico, inclusive nos Estados Unidos (Pietro nasceu lá, não podemos esquecer).
A Alfa Romeo encaixaria neste quebra-cabeça abrindo a possibilidade diante da hipótese de um péssimo ano de Antonio Giovinazzi ou até mesmo um possível abandono de Kimi Raikkonen (pouco provável, mas possível). Não seria ruim para Mick pois a equipe carrega a tradição da Sauber em trabalhar com jovens pilotos.
O importante para Mick seria pegar cancha. Uma ida direta para a Ferrari não seria viável. Charles Leclerc foi um ponto fora da curva (foi contratado com somente um ano de experiência, mesma coisa que Alesi e Bandini) e um novo caso dificilmente se repetiria. A Ferrari é tradicionalista e dificilmente repetiria uma escolha deste tipo. Repetindo: pode acontecer, mas é muito complicado.
O importante agora é tirar o peso da situação e deixar que Mick seja simplesmente Mick. Talvez um teste de novatos e pneus não tenha tanta atenção em tempos. Claro que muitos querem ver o possível “nascimento de uma nova estrela” e ter história para contar. Mas que a história tome seu curso normal e não se force situações.

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