DE MARCHIONNE NO CÉU PARA BINOTTO NA TERRA


por Sergio Milani (quase psicografado)
Ciao Mattia!
Como você está? Não estranhe. Aqui em cima, o capo libera a comunicação com o mundo terrestre de vez em quando.
Também resolvi me controlar de dar opiniões. Não quero dar mais razão a quem me chamava de centralizador.
Temos corridas aqui também!
Quem me recepcionou foi o Commendattore. Que pessoa! Me puxou as orelhas por não ter seguido uns conselhos dele (ele deve te escrever em algum momento), mas já me chamou para ajudar a tocar a equipe aqui em cima. Ascari e Villeneuve correm para nós!
Em outro momento, te escrevo para contar sobre isso. Mas agora o momento é sério.
Você me conhece muito bem. Afinal, tive a petulância de voltar a dizer que a Ferrari seria feita por italianos na Itália (quem me deu esta dica foi o velho Enzo) valorizando a prata da casa. E as coisas vem correndo bem até aqui, embora não tenha engolido muito este vermelho fosco no nosso carro deste ano.
Mas, cáspita, Mattia! Segurar o Leclerc atrás do Vettel com o garoto mais rápido? Na primeira etapa da temporada? Se fosse para fazer este tipo de coisa, mantinha o Maurizio no comando! Ele não entendia nada de corrida de carro, mas eu precisava de um feitor no comando para botar ordem, embora tenha deixado nas minhas anotações antes de mudar para cá que o tempo dele tinha acabado...
Não tenho nada contra o Seb. Gosto muito dele e fiz questão que fosse para a Scuderia. O esforço dele em se integrar é cativante. Um alemão com alma latina. Mas queria o garoto Leclerc para botar uma pressão em cima dele.
Sempre valorizei a juventude quando estive em outros lugares e foi assim que consegui chegar aonde cheguei quando estava por aí.
Hierarquia é importante, Mattia. Sempre deixei isso claro. Mas existe um ditado militar que diz: entre o mapa e o terreno, fique com o terreno. E era hora! Vocês já erraram trazendo Sebastian para o box cedo e o deixando fazer um stint longo demais. Claro que os pneus iam acabar! Por que não aproveitar e mandar entrar no box e tentar pegar o ponto da volta mais rápida?
Sem contar que o carro não rendeu de jeito algum. O que aconteceu com aquele monte de dinheiro que gastamos para montar a estrutura de Maranello? Túnel de vento, simuladores? O Chapman veio falar conosco que se ele tivesse esta infra toda, ninguém conseguiria pegá-lo. Mas deu uma dica para dar uma olhada nesta asa que vocês fizeram. Muito arrasto...
Agora você está vendo que é difícil ficar à frente. Não se preocupe com o Camilleri. E o Elkmann (olho nele) preparei muito bem e tem tudo para ser grande como o avô dele foi.
Por falar nele, o velho Gianni também está dando uns toques. Está orgulhoso demais! Estão seguindo tudo do jeito que deixei. Esqueça que agora você está no gabinete técnico. Confio na sua capacidade e sei que vai colocar as coisas nos devidos lugares.
Não hesite em empilhar alguns corpos. Sei que seu estilo é mais tranquilo. Mas mostrar os dentes é importante. Às vezes, faz mais efeito. Saber se impor é uma arte.
Commendattore manda uma saudação e diz para você não ter medo.
Estou de olho em você. Se achar necessário, vá a um centro espírita no Brasil e me chame que tentarei ajudar. Mas o timão está contigo agora.

Avanti!

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