A TEMPORADA COMEÇA AGORA





por Sergio Milani

Muitos vão achar que variei de uma vez e pedir minha internação. “Então o que foi a corrida de duas semanas atrás, passeio de fim de semana?” Esta deve ser a frase sendo feita agora. Mas peço sua atenção para explicar meu ponto de vista...
Como vários já disseram (eu incluso), Melbourne não é um indicativo muito consistente de como será a temporada. Por contas das características da pista, os resultados mascaram um pouco a realidade. Se fosse assim, Fisichella teria chances de campeonato em 2005 e as McLaren seriam candidatas ao título de 2014...

Entretanto, algumas percepções de Barcelona foram confirmadas: a ponta fica entre Ferrari e Mercedes, com a Red Bull correndo por fora. A briga pelo posto de “melhor do resto” será extremamente renhida e a Williams...Ah, a Williams...melhor não comentar.

A Fórmula 1 chega ao Bahrein com as seguintes perguntas: Bottas conseguirá manter a forma mostrada na Austrália? A Ferrari conseguirá recuperar a forma da pré-temporada? A Honda estará realmente em condições de se bater pelas posições da frente?

Pela ordem: Bottas mostrou uma vontade e agressividade que pareciam adormecidas. E isso é ótimo que se mantenha. Será interessante ver como Lewis Hamilton reage a este novo companheiro. Como diz o velho chavão do automobilismo, o primeiro adversário de um piloto é o seu companheiro de equipe. O inglês mostrou outras vezes que, se pressionado, tem ações distintas. Aí teremos o Hamilton de 2016 ou o de 2018?

A Ferrari chega para esta corrida c omo aquele cara que leva um pescotapa e não sabe de onde veio. Após a corrida inaugural, uma série de teorias do mau desempenho surgiram. Mereceu até cartinha de Sergio Marchionne para Mattia Binotto (ver aqui: https://www.formulai.us/2019/03/de-marchionne-no-ceu-para-binotto-na.html ). Após muita marola, as principais linhas de pensamento reportam a um possível problema de refrigeração do motor por conta das linhas “apertadas” do SF90 ou um erro nos parâmetros dos simuladores de Maranello, que levaram a equipe a ir com um acerto equivocado para a corrida.

Oficialmente, não houve uma palavra sobre o assunto e a equipe disse que localizou o que deu errado e os ajustes foram feitos. Tradicionalmente, a pista é favorável aos italianos (a equipe é a maior vencedora: 6 vitórias em 14 provas, sendo os dois ultimos anos seguidos) e essa é a esperança de que o jogo recomeça. Para a Ferrari, o ano realmente começa este fim de semana.

A Honda vem esperançosa. Marcou seu primeiro pódio desde seu retorno em 2015 e obteve no ano passado o seu melhor resultado até então (quarto lugar com Pierre Gasly na Toro Rosso). Os japoneses trabalharam intensamente e a aposta é que este ano a vitória vem. Outro ponto bom a se observar.

A briga pelo “melhor do resto” promete ser bem aguerrida. Haas e Renault estão mais à frente, mas Alfa Romeo, Toro Rosso e McLaren prometem lutar bastante. A Racing Point pode até se juntar a este grupo, pois terá um melhor conhecimento do pacote aerodinâmico introduzido para a Austrália. Este pelotão promete ser muito mais interessante do que o dianteiro...

Mesmo com todo este cenário, os testes pós-corrida de terça e quarta acabaram ganhando uma atenção maior. O anúncio de que Mick Schumacher irá testar pela Ferrari e pela Alfa acabou por eclipsar todo o resto. Para completar, a McLaren confirmou a presença de Fernando Alonso na quarta para os testes da Pirelli para os compostos de 2020. E a Haas anunciou Pietro Fittipaldi para o mesmo dia.

Por este quadro, o GP terá de ser bem disputado para marcar sua importância. Além de tudo, será a chance de termos uma idéia mais clara da efetividade das novas regras aerodinâmicas. Na Austrália, se percebeu que os carros conseguiram andar um pouco mais juntos, mas não houve ganho. Como a pista tem um formato diferente, com mais retas e ainda uma terceira zona de detecção e uso do DRS, espera-se um aumento das ultrapassagens.

Ano passado, a corrida foi “potencializada” pela entrada do carro de segurança e pelo fato de Vettel ter que ficar mais tempo na pista com o mesmo jogo de pneus por conta do acidente de Raikkonen no box (que ocasionou a quebra da perna de um dos mecânicos). No fim, o alemão conseguiu segurar atrás de si um Bottas com pneus melhores.

A perspectiva barenita é bastante interessante e os elementos para uma boa prova estão presentes. Cabe aos pilotos fazerem sua parte e acharem as partes corretas para fazer a receita saborosa para nós, fãs.

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