quinta-feira, 19 de outubro de 2017

QUE VOLTEM AS PEQUENAS



por Sergio Milani

Max Mosley. Muita gente vai lembrar-se dele como o vetusto Presidente da FIA que foi pego tendo diversões “pouco ortodoxas” com moças de fino trato. Além disso, este inglês, que foi filho do principal dirigente do Partido Nazista Inglês, e brilhante advogado também foi um dos fundadores da March, uma das principais marcas de corrida nos anos 70. E outro dia, relendo o “Motores 72” do bom Chico Santos, havia uma matéria com ele, mostrando um pouco dos bastidores de sua equipe e falando da dificuldade de manter os custos em ordem para sobreviver...

Durante sua permanência à frente da entidade máxima do automobilismo, Mosley manteve o discurso: devemos controlar os custos para garantir a sobrevivência da categoria. E com toda a diligência e mudança de regulamentos, os orçamentos aumentaram exponencialmente e inviabilizaram a permanência de várias equipes tradicionais e pequenas. E o mantra começou a ter um novo viés: não podemos deixar a Fórmula 1 na mão das corporações.

Para entender isso, temos que ver a história da categoria. A essência da Fórmula-1 era a reunião de garagistas, apaixonados por carros e corridas e que faziam de um tudo para ir para a pista. Histórias como as de Frank Williams, que vendia pneus usados e dava relógio como pagamento de salários aos mecânicos e de Colin Chapman, que pegou um empréstimo com sua noiva para começar o que seria a Lotus, uma das mais vitoriosas equipes britânicas, eram mais do que comuns.

Mas a grandiosidade foi tomando conta. E hoje as corporações dominam a Fórmula-1 e os valores são astronômicos. E quem não tem condição, não suporta. Mosley ainda tentou uma cartada para trazer equipes novas em 2010, prometendo que um orçamento menor garantiria uma boa competitividade. Virgin/Marussia, Hispania e Lotus/Catheham acreditaram e mal duraram.

É triste ver um grid atualmente com somente 20 carros e pilotos talentosos ficarem de fora porque não tem apoio de uma montadora e/ou patrocinador forte. Não que antes isso não acontecesse, mas hoje é uma questão mais aguda. Aparentemente, a pista que os novos donos da categoria têm dado para o futuro é a de buscar uma maior igualdade e tentar aumentar o acesso. Não só por uma questão de competitividade, mas também escapar de uma pesada investigação pela União Europeia.


Nesta esteira, é interessante recuperar a bandeira de Mosley e nesta estou engajado: Todo poder aos garagistas! Não necessariamente apequenando a coisa, mas dando a condição para que se criem novas equipes e que a condição financeira não seja asfixiante, para que ao sinal da primeira crise, as montadoras tirem seus cavalos do páreo.
Pelo bem da Fórmula-1 e para alegria dos verdadeiros fãs, que não se contentam com corridas mirradas. 

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