terça-feira, 10 de outubro de 2017

NÃO CHORE POR MIM BRASIL


por Sergio Milani

Não bastando a possibilidade real da ausência brasileira do grid da Fórmula 1 na próxima temporada, outro “fantasma” assombra os fãs nos próximos anos: o fim das transmissões ao vivo na TV aberta. Nos últimos tempos, vários anúncios no exterior dão pistas do que pode vir a acontecer por aqui.
Um dos grandes pilares do crescimento da Fórmula 1 foi o sensacional incremento das transmissões. Já na década de 80, a audiência era estimada em um bilhão de espectadores. Com o grande avanço tecnológico, este número triplicou nas décadas seguintes.  E no final da década de 90, início dos 2000, iniciou-se a grande mudança: a introdução da TV digital e da TV por assinatura.
Com isso, os direitos de transmissão aumentaram na mesma velocidade. Mas faltava combinar o mercado publicitário com a audiência.  A BBC inglesa começou a dividir as transmissões com o canal Sky; A RAI (Italiana) e a RTL (luxemburguesa) também seguiram o mesmo caminho. E isso ajudou a inflar o valor da Fórmula 1 e permitiu a Bernie Ecclestone arrancar alguns milhões de dólares dos gringos da Liberty Media.

Dentro da mudança de posicionamento da marca e da “cara” da categoria, o modelo atual acabou por deixar os novos donos bem preocupados. Tanto que há pouco, a TF1 francesa anunciou que voltará a transmitir quatro GPs ao vivo, incluindo o retorno gaulês a Paul Ricard no próximo ano.  E os americanos confirmaram a mudança para a ESPN (por assinatura), com a ABC mostrando somente dois ao vivo, mais o VT de Mônaco, por conta da batida de calendário com as 500 Milhas de Indianápolis. De resto, as duas transmitirão VTs das etapas.
E o Brasil nesta situação?

Graças ao desempenho dos pilotos, desde a década de 70 o Brasil vem tendo transmissões ao vivo da Fórmula 1, principalmente por conta da TV Globo. Após ter recuperado os direitos em 81 (cedidos à TV Bandeirantes por um ano em 80), a TV do Jardim Botânico vem mantendo as transmissões, inclusive sendo por muito tempo a responsável pelas imagens dos GPs do Brasil, mesmo após a centralização da geração das imagens feita pela FOM. Salvo em alguns momentos, a Formula 1 sempre teve status principal. Até por representar uma das maiores cotas de patrocínio da casa.
Após a morte de Ayrton Senna, os índices de audiência foram caindo. E na última renovação de direitos, que vai até 2020, a obrigatoriedade da transmissão aberta foi flexibilizada. Tanto que nos últimos anos, a transmissão dos treinos classificatórios foi cortada dos sábados e GPs que ocorrem no mesmo tempo do campeonato brasileiro de futebol foram deslocados para o Sportv, canal esportivo por assinatura da TV Globo.

Apesar dos últimos números terem mostrado uma ligeira melhora nos últimos anos (o GP do Japão deste marcou a melhor audiência nos últimos cinco anos), tudo indica que o Brasil deverá seguir o modelo europeu de transmissão: transmissão ao vivo de alguns GPs para a TV aberta e a temporada completa indo para a TV por assinatura.

Alguns entusiastas não veriam tal mudança com maus olhos. Acabam por ter, por exemplo, o modelo inglês, onde a Sky faz uma transmissão pré-corrida de uma hora, por exemplo. Se tivessem a garantia de um produto melhor, com certeza aceitariam. Mas seria a consolidação de que o automobilismo é um esporte de nicho. E não há a certeza de acréscimo ao que já é oferecido hoje.
O certo é que vários daqueles que reclamam hoje de Galvão Bueno e Luis Roberto em breve estarão como carpideiras, chorando lágrimas de esguicho, lamentando a perda das transmissões na TV aberta nas manhãs de domingo e catando algum link “maroto” de streamming na internet para ver a visão gringa.   


8 comentários:

  1. Bom texto Milani,


    Brasileiro gostava de F1 por ter complexo de vira-latas, gosta de estar em evidência e na maioria das vezes assiste esporte simplesmente por causa disso. Com Piquet e Senna dominando a F1 por 15 anos, corrida na manhã de domingo virou uma espécie de cachaça no ego do brasileiro. Mas isso acabou. O Barrica teve uma carreira muito boa, mas não serve como "cachaça do ego" porque só vencer mundial faz isso. Massa então nem se fala. A Globo tentou pintar ele como algo que não é, não foi e não será: piloto acima da média.

    Eu pessoalmente não tenho TV por assinatura e estou mais do que satisfeito com streams da Sky Sports F1 britânica, que como você citou, começam a transmissão 1:30 antes da largada e terminam 1 hora depois. Até a metade de 2016 a única coisa que eu assistia na Globo era F1, mas depois que vi a transmissão dos caras... Galvão Bueno e suas historinhas batidas como por exemplo a foto do Rosberg dirigindo no gelo ou a chuva que vem da represa em Interlagos... nunca mais. E nunca mais também aquele bobo alegre do Luis Roberto.

    Além disso a Globo merece afundar. Virou veículo de subversão marxista.

    Não vamos chorar por Globo e nem Galvão e cia. Vão tarde.

    Vlw flw

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    1. Parabéns.

      Disse tudo.

      Wiliam Zaions

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    2. Oi Leo! Obrigado!

      Concordo com esta visao de que "se tem brasileiro, otimo!". Hoje, a F1 da lucro pra Globo. Se tiver um brazuca na frente, melhor. E entendo que poderia fazer mais com o produto que tem. Mas ai entram muito mais coisas que nao sabemos e/ou entendemos....

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    3. Perfeito texto e análise sem igual no Brasil. Eu vi uma news q a Globo já fechou o msm pacote de patrocinadores da F1 2018 e foi num valor muito bom levando em conta q o Brasil passa pela pior crise de recessão de sua história. E tem a maior audiência em números de telespectadores vs Alemanha e Inglaterra. A F1 e Liberty Medias, poderiam ter referência no UFC e seus produtos a venda e licensiados no Brasil que são sucesso absoluto de vendas. O Galvão fez uma excelente transmissão do excelente dueko de Vettel e Lewis em Spa.

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    4. Oi Marcelo! Obrigado pelos elogios. Realmente, a globo praticamente renovou com todos, so entrando a Net no lugar do Zap. Sinal que o produto ainda tem aceitaçao. E tambem vi alguem comentando que o Brasil tinha os maiores numeros absolutos de audiencia. Vamos ver o que acontece. E siga acompanhando! Um abraço!

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  2. Do jeito que estou desanimada com a F1, não vai fazer diferença

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    1. Acontece...mas vamos dando chances...obrigado pela visita!

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