terça-feira, 26 de setembro de 2017

A NOVA FORMULA 1 EM GESTAÇÃO


por Sergio Milani

Enquanto as manchetes se dividem entre a disputa entre Vettel e Hamilton e a novela McLaren/Honda/Alonso/Renault, uma discussão de grosso calibre vem tomando forma, nem tão silenciosa, mas que pode realizar uma grande mudança no que é a Fórmula 1 hoje.
Tais discussões vinham sendo geridas, mas sem o sentido de urgência necessário e tolhidas pelo controle ferrenho mantido por Bernie Ecclestone. Mas com a assunção do comando da categoria pela Liberty Media, a caixa de pandora foi aberta. E tal como pasta de dente: uma vez fora do tubo, não há como recolocar no lugar.

Apesar das previsões catastrofistas de alguns analistas por conta do avanço de legislações européias com sérias restrições ao uso de motores a combustão nos próximos anos e pelo crescimento da Formula E com a chegada de grandes montadoras, a Fórmula 1 tem uma grande chance de se reinventar. Com a chegada dos americanos, alguns aspectos vão sendo revistos, como um aumento de acesso aos bastidores, uma busca de proximidade com o publico e uma maior liberdade de utilização da internet e das redes sociais por parte das equipes, pilotos e do próprio pessoal da F1. Pode parecer pouco, mas para o que era a situação de alguns anos atrás, isso já representou um grande avanço.

Mas o diagnóstico feito hoje é: a Fórmula 1 é cara, tecnicamente complicada e desigual. Entretanto, qualquer tipo de mudanças precisam ser tomadas por unanimidade e ainda está vigente até 2020 a última versão do Pacto de Concórdia, firmado entre a FIA e as equipes. Ou seja, a categoria de 2021 está tomando forma agora. E o tempo está correndo.

Para auxiliar nesta empreitada, a Liberty Media recrutou Ross Brawn para ser o responsável desportivo da coisa. Macaco velho no meio, Brawn vem montando um time de especialistas, colhendo informações para modificar os carros, de maneira a abrir mão de traquitanas como o DRS e aumentar o espetáculo. Além disso, vem trabalhando para definir uma nova especificação de motores, convocando encontros com potenciais interessados para chegar a um modelo que seja mais simples e – principalmente – mais barato. E nisso, novos e velhos entrantes tem participado destas tertúlias técnicas, como Cosworth, Porsche e Lamborghini. Embora a sacada do uso de sistemas de recuperação tenha sido de grande valia, talvez seja hoje mais fácil fazer um foguete espacial do que a chamada Unidade de Potência (Honda que o diga...).

Nesta esteira, entra a questão dos orçamentos e desigualdade. Hoje, uma equipe como a Sauber gasta oitenta milhões de dólares para ter lugar cativo na última fila do grid, sem perspectiva de melhoria. Equipes como Mercedes e Ferrari gastam quase cinco vezes mais. E pelo acordo firmado, as equipes maiores possuem um naco mais polpudo na divisão de premiações. Esta é uma grita de equipes como a Sauber e a Force India, que já ameaçaram ir até a União Européia para denunciar os contratos vigentes. Neste ponto, todos concordam em discutir, mas o diabo são os detalhes... O mantra hoje repetido é “teto orçamentário e redistribuição de rendas”, ao menos para o publico externo.

Além disso, a Liberty Media tem visto com interesse o formato da MotoGP com relação ao tratamento de equipes menores e de valorizar locais que tenham relevância na história da categoria,  invés de privilegiar locais onde o dinheiro pesou mais, como aconteceu nos últimos anos. Pode ter sido ótimo para os bolsos, mas os fãs se perguntam se vale a pena fazer um “tilkodromo” encravado no meio da Coréia ao invés de usar pistas de tradição como Paul Ricard (que volta em 2018) e Nuburgring, só para ficar nestas. E ainda há uma idéia de agrupar as corridas por continentes, de maneira a otimizar a logística. Por exemplo; Que tal um campeão das Américas ?

Ao que parece, as frases que estão norteando a nova Fórmula 1 são “Menos é mais” e “É preciso olhar para trás para seguir em frente”
 A extrema-unção da categoria já foi dada diversas vezes, mas ela sobreviveu até aqui.
Aguardemos os próximos capítulos.


Nenhum comentário:

Postar um comentário