quarta-feira, 19 de abril de 2017

O FUTURO DO AUTOMOBILISMO BRASILEIRO


Desde 1970 o Brasil nunca deixou de ter ao menos um piloto do país na F1 e, na maioria das vezes, vencendo ou sendo campeão. Entretanto, desde 2009 quando Rubens Barrichello alcançou a histórica marca da 100ª vitória brasileira na categoria, não só entramos num período de seca, mas, pior, a cada temporada vem a dúvida se continuaremos a ter um brasileiro no grid. Este ano foi por pouco, muito pouco. Massa tinha se aposentado e Nasr sem contrato. Não fosse a inesperada retirada das pistas de Nico Rosberg e não teríamos um piloto "da casa" para torcer. As perguntas que não querem calar são: quais pilotos brasileiros das categorias de ascesso à F1 teriam alguma chance de chegar lá? Quem são eles? Quais são suas histórias? Selecionamos os três que estão mais próximos e tentaremos responder a essas perguntas a seguir.

SÉRGIO SETTE CÂMARA


O piloto mineiro estreou este ano na Formula 2, o que teoricamente o coloca no último degrau de acesso à F1, disputando a prova preliminar ao GP do Bahrein. Não foi uma prova das melhores para Sérgio visto que não pontuou e em nenhum momento andou no pelotão da frente, enquanto outro estreante, o monegasco Charles Leclerc, é o líder do campeonato com uma vitória e um terceiro lugar na rodada dupla. A favor de Leclerc conta o fato de estar na melhor equipe da categoria.

Sette Câmara fez parte da Academia de Jovens Pilotos da Red Bull até o final do ano passado, quando foi dispensado pelos Touros. Este ano declarou "que se sente melhor sem a pressão". Não me convenceu! "Pressão" é o sobrenome do automobilismo e um piloto deve estar preparado para enfrentá-la sempre, não tenham dúvidas.

Apesar de ter obtido algumas vitórias na F3, Sérgio nunca conquistou nenhum título nas categorias que disputou até agora. Sua marca é a velocidade, sendo seu ponto fraco a falta de sorte.

Aos 19 anos, as chances de chegar à F1 estarão diretamente ligadas ao seu desempenho nas prováveis duas temporadas que deverá participar na F2 e ainda a um caminhão de dinheiro que terá que levar.

PEDRO PIQUET


O filho do três vezes camoeão mundial da F1 e irmão do campeão da F-E terá pela frente o seu ano decisivo após terminar o ano passado na 19ª colocação na F3 Européia.

Após a conquista incontestável de dois campeonatos consecutivos na F3 Brasileira, a expectativa era grande sobre as vitórias que Pedro obteria na Europa, mas elas não vieram até agora, nem mesmo após as três primeiras provas de 2017: no momento, Piquet tem apenas dois pontos e ocupa a 13ª colocação na disputa.

Se 2016 foi o ano de estréia, o de conhecer os circuitos e o de encarar o choque da diferença tecnológica existente entre a F3 brasileira e a européia (acreditem, é enorme), este ano tudo isso é passado. Numa categoria que permite até mesmo um salto direto para a F1, como seu próprio pai fez, Piquet sentirá não só a pressão, mas a inevitável comparação com o filho da maior lenda do automobilismo de todos os tempos: Mick Schumacher, filho de Michael.

A equipe holandesa pela qual Pedro disputa o certame, a Van Amersfoort pode não ser a melhor do grid, este privilégio pertence a Prema, equipe de Mick, mas, também, não é fraca e tem carro para brigar pelo título.

Com tudo analisado, a conclusão é que Piquet depende apenas de Piquet para mostrar ao que veio.

PIETRO FITTIPALDI


Pietro começou sua carreira em 2011, aos 14 anos, e já foi logo campeão em seu ano de estréia, sendo até hoje o primeiro e único brasileiro a conquistar um título de uma categoria da NASCAR. De aspecto diminuto à época, Pietro quase viu seu sonho de se tornar um piloto arruinado antes mesmo de entrar no carro. Ao vê-lo, o chefe da equipe Lee Faulk disse para o avô Emerson: "não dá, é muito pequeno, nem vai conseguir alcançar os pedais". Após a insistência de Emerson, Faulk resolveu ceder mais em respeito ao lendário brasileiro e permitiu a Pietro o teste. O resto é história...

Em cinco temporadas completadas até agora no automobilismo, o jovem Fittipaldi só não foi campeão em dois anos.

Este ano, guiando pela Lotus na World Series Formula V8 3.5, categoria mais veloz que a F3 Europa, Pietro estreou com duas vitórias e duas poles na rodada dupla de Silverstone, sem dar chance aos adversários.

Num campeonato que terá um total de 18 provas (duas por final de semana) em circuitos lendários como Spa, Monza e Silverstone e passará por países como México, EUA e Bahrein, Pietro terá todas as possibilidades de, se confirmar o que mostrou até agora, seguir os passos do avô Emerson, do tio-avô Wilsinho, do primo Christian e do tio Max Papis e se tornar mais um membro da família a alcançar o pináculo do esporte a motor, sendo o próximo brasileiro a chegar na F1.

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