terça-feira, 7 de março de 2017

NASR, DE NOVO SENNA A...???


por Ialdo Belo

Toda comparação é injusta, ainda mais aquelas entre um piloto iniciante e um gênio reconhecido, por isso, fui contra a matéria de capa da publicação alemã "Blick Sport" (foto acima) em 2015. Isso só serve para colocar pressão no piloto e criar expectativas diante da torcida que, quando não se realizam, produzem o efeito oposto.
Felipe Nasr é um piloto talentoso, não há dúvidas sobre isso. Quão talentoso? Difícil de afirmar. Na F1 de hoje o talento sozinho não basta. Acabaram-se os tempos românticos em que heróis como Emerson Fittipaldi e Nelson Piquet chegavam na Europa com uma mão na frente e outra atrás e viravam campeões mundiais. Bernie Ecclestone transformou a categoria num negócio de bilhões de dólares e isso trouxe consequênciaas boas e ruins. Dentre as últimas o fato dos custos das equipes serem enormes e aumentando a cada ano que passa e as proibições de alguns países ao patrocínio de grandes empresas investidoras como as do setor tabagista. A consequência imediata disso é que o dinheiro anda curto e, com raríssimas exceções, um piloto novato tem que trazer consigo um patrocínio poupudo.
Voltemos, então, ao caso de Felipe Nasr e de outros pilotos brasileiros que almejam fazer carreira no automobilismo internacional. O principal patrocinador de Nasr é o Banco do Brasil, instituição brasileira que sofre os efeitos da crise tendo adotado, inclusive, um política de fechamento de agências e demissão voluntária de funcionários. Dentro deste quadro, como justificar um investimento tão caro na F1?
O problema de Nasr se resume a uma pergunta: a Sauber foi uma boa escolha? Sim e não, esta é a minha resposta. No primeiro ano de conrato a equipe ainda era uma boa opção para um estreante, enretanto, permanecer nela para uma segunda temporada foi errado. Insistir para tentar permanecer numa terceira temporada beirou à insanidade! O que a equipe de agentes de Nasr deveriam ter enxergado, como todos nós enxergamos, é que Nasr não ganhou o título de "Estreante do Ano" em 2015 justamente por não contar com um carro melhor. O próprio vencedor, ninguém menos do que o hoje fenômeno Max Verstappen, reconheceu isso.
Houve, sim, uma acomodação no gerenciamento da carreira de Felipe. Havia um contrato com a Sauber para 2016? Havia, e daí? Contratos existem para serem quebrados! A Benneton não hesitou em quebrar o que tinha com Roberto Moreno e dar a vaga para o estreante Michael Schumacher, que por sua vez fez o mesmo com a Jordan.
Tivessem os gestores da carreira de Nasr oferecido o que tinham nas mãos ao final da temporada 2015 (dinheiro e resultados) a outras equipes e a história hoje seria outra.
Qual o futuro de Nasr na F1? Nenhum! A fila anda e uma segunda oportunidade na F1 de hoje é praticamente impossível. Para falar a verdade, não existem mais para 2017 nem a possibilidade em outras categorias, como a Indy, DTM ou F-E.
No site desatualizado de Felipe Nasr, um status melancólico de se ler ainda afirma que ele é "piloto titular da Sauber". Uma mensagem de um mês atrás no blog dele afirma que "Nasr negocia sua permanência na F1". Nenhuma das duas corresponde à realidade. Nasr foi de "novo Senna" a piloto desempregado.
É triste, muito triste...

FASP, CLASSIC CUP E OS PNEUS

Tive conhecimento de uma possível divergência entre os pilotos da Classic Cup paulista e a FASP sobre a marca dos pneus que deveria ser utilizada na competição. Fui ouvir todos os lados: pilotos e a própria FASP e relato a seguir o que foi apurado.
O piloto Erick Grosso enviou-me através do Facebook um link sobre uma postagem dele mostrando um vídeo em que um pneu da marca Dunlop está visivelmente danificado (foto abaixo).


Segundo Erick, isto teria ocorrido durante uma prova porque o pneu não seria apropriado para competições. Grosso afirmou que o pneu Dunlop expõe os pilotos a acidentes e que na realidade na relação custo-benefício acabam sendo mais caros do que os Neova pois estes últimos têm uma durabilidade quatro vezes maior. Ainda enviou outro link sobre uma postagem em que teria recebido uma resposta da Dunlop, reproduzida abaixo, sobre seu questionamento a respeito de se o pneu é apropriado para uso em competições como a Classic Cup:

Bom dia Sr. Erick,
Primeiramente agradecemos o contato.
Conforme nosso Termo de Garantia, item 4q, a garantia não se aplica quando constatado uso em corridas, ou qualquer competição, “rachas”.
Nossos pneus são de alta performance, porém não recomendados para tal aplicação.
Atenciosamente,
SAC - Serviço de Atendimento do Cliente
SUMITOMO RUBBER DO BRASIL
+ 55 0800-0386567

Erick afirmou que a maioria dos pilotos é favorável à utilização dos penus Yokohama Neova e que ainda assim a FASP através do seu diretor Marcus Ramaciotti não os ouviu, determinando a escolha do Dunlop.
A partir destas informações, fizemos contato com o piloto André Mello, que se apresentou como representante dos pilotos da Classic Cup. Mello reafirmou o que foi dito por Grosso e sugeriu que os pilotos deveriam ser livres para optarem pela marca de pneus que desejassem, já que são os donos dos carros e arcam eles mesmos com os custos.
Tanto Erick quanto André afirmaram que de um grupo de 32 pilotos, 22 optaram pelos Neova e que por isso não entendiam o posicionamento da FASP sobre o assunto.
Conversei por telefone com o Sr. Marcus Ramaciotti e este confirmou a obrigatoriedade da utilização dos pneus Dunlop justificando porque o objetivo da FASP é o de baixar os custos da categoria. Ramaciotti afirmou que Grosso nunca correu nem testou os Dunlop. Ressaltou ainda que na prova disputada já sob o novo regulamento, em janeiro deste ano, os Dunlop não apresentaram os mesmos problemas constatados com os Neova, que são os de quebra ou folga na "bandeja". Quanto ao vídeo, Ramaciotti disse não poder afirmar se é autêntico ou não. Insistindo no ponto em que o principal objetivo da FASP é fazer a categoria crescer tornando-a acessível a mais pilotos, Ramaciotti afirmou que não é contra a maioria e que se 22 carros alinharem no grid usando o pneu Neova, ele mudará o regulamento.
Ouvi também o Sr. Silvio Zambelli, apontado por Ramaciotti como o atual representante dos pilotos ao invés de André Lemos. Zambelli confirmou o que todos afirmam: os Neova têm mais "grip" em relação aos Dunlop, mas vê isto como um ponto negativo já que acaba resultando no problema relatado por Ramaciotti: quebra ou folga na bandeja. Para ele, este sim é o verdadeiro perigo para os pilotos. Também questionado sobre o vídeo divulgado por Grosso, Zambelli disse que acredita no problema, mas que a sua real causa só poderia ser determinada através de uma análise técnica detalhada, sugerindo que pode ser desde um defeito de fabricação até a forma como o piloto "atacou" as zebras.
Tanto Ramaciotti quanto Zambelli afirmaram que os Dunlop são utilizados sem problemas em outraas categorias, como a Turismo N.
Sobre o e-mail apresentado por Grosso, Zambelli disse não poder opinar porque desconhece a forma como a pergunta foi formulada por Grosso, mas que a especificação técnica do pneu Dunlop H comporta sua utilização na Classic Cup já que a velocidade máxima permitida para esse tipo de pneu é de 210 km/h e que nunca um carro da categoria atingiu essa velocidade.
Ramaciotti, por sua vez, acrescentou que toda categoria automobilística tem um regulamento a ser cumprido e que na Classic Cup não poderia ser diferente. Segundo ele, a categoria está encolhendo e que as suas ações visam exatamente proteger a integridade física dos pilotos, a contenção dos custos e a continuidade da competição, que corre, sim, o risco de ficar fora do Campeonato Paulista.




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