terça-feira, 17 de janeiro de 2017

PORQUE FELIPE MASSA VOLTOU


por Ialdo Belo

2 de setembro de 2016, GP da Itália, Felipe Massa anuncia a imprensa que no final da temporada estará se aposentando da F1. Claire Williams, ao seu lado, chora. O motivo alegado seria de que Felipe partiria em busca de novos rumos, correndo em uma outra categoria que lhe desse a chance de voltar a vencer, o que na F1 já não vinha acontecendo há tempos. A despedida se concretiza de forma emocionante no Brasil e em Abu Dhabi. Valtteri Bottas e Lance Stroll são confirmados como os pilotos da Williams para 2017.

2 de dezembro de 2016. Cinco dias após conquistar seu primeiro título de F1, Nico Rosberg choca o mundo esportivo ao anunciar sua aposentadoria.

16 de janeiro de 2017. A Williams anuncia o retorno de Felipe Massa para ocupar o lugar de Valtteri Bottas, que oficializa sua contratação como substituto de Rosberg na Mercedes.

POR QUE MASSA SE APOSENTOU

Para entender o motivo da volta de Felipe, primeiro temos que saber o verdadeiro motivo para a sua saída. A Williams estava em setembro com a seguinte situação: Bottas, considerado um trunfo e com muito mais poder de barganha numa negociação do que Massa, como veremos adiante, estava sendo assediado pela Renault. Lance Stroll, de apenas 17 anos, tinha fechado contrato com os ingleses trazendo nada menos do que cerca de 30 milhões de euros para o time. Sobrava Massa, com 35 anos, sem patrocínio algum (a Petrobras deixaria a equipe ao final do ano) e sem nenhum poder de barganha. Num típico caso de três pilotos para duas vagas, optou-se pela lógica, mas, em respeito a contribuição de Felipe para a equipe, foi encenada todo uma história de modo a que a saída do brasileiro fosse "prestigiada", como já vimos tantas vezes no esporte, principalmente no caso dos técnicos de futebol.

A BOMBA ATÔMICA

Se a aposentadoria de Rosberg pegou o mundo de surpresa, imaginem a Mercedes... No domingo, logo após a conquista, Rosberg dava entrevistas dizendo coisas como "continuarei a usar o número 6", mas, já na segunda-feira pela manhã, o telefonema que abalou Toto Wolff não deixava dúvidas: a equipe alemã ficava sem o seu campeão no momento em que todos os melhores do grid estavam com contratos assinados. Wolff pediu um tempo para tornar o anúncio público e após confabulações internas já partiu secretamente na quinta-feira da mesma semana em busca do primeiro nome da lista, Nico Hulkenberg. Sem sucesso, foi obrigado a anunciar a retirada de Rosberg sem ter ainda um nome para substituir o piloto alemão. Essa busca frenética foi de Max Verstappen a Fernando Alonso, todas sem sucesso. A última opção, então, foi uma saída doméstica, Valtteri Bottas, cuja carreira tem entre seus gestores o próprio Wolff. Óbvio que ninguém levou a sério a possibilidade de Pascal Wehrlein substituir com sua pouquíssima experiência o campeão do mundo na equipe tricampeã mundial.

ENQUANTO ISSO NA WILLIAMS

Com as investidas de Wolff, era chegada a hora da Williams usar Valtteri Bottas como moeda de troca, o tal poder de barganha que citamos acima, por isso, a primeira tentativa de levar o finlandês por um desconto de 5 milhões de euros no fornecimento dos motores Mercedes recebeu um sonoro não. Sir Frank sempre foi uma águia nos negócios e sabendo o trunfo que tinha nas mãos entendia que o tempo corria a seu favor, era só uma questão de "quando" para que a Mercedes chegasse ao ponto: fornecimento de motores gratuitamente para toda a temporada de 2017, uma economia para os ingleses em torno dos 20 milhões de euros!

E PARA O LUGAR DE BOTTAS

Jenson Button. Mas dois empecilhos não permitiram: Button ainda tem contrato com a McLaren, além disso, seu salário seria muito superior ao de Massa. Somando tudo isso, não valeria a pena.

O TEATRO CONTINUA

Descartada a hipótese Button, Claire Williams voltou ao jogo de cena e começou a elogiar Massa publicamente, preparando o terreno para a retomada do enredo inciado em setembro do ano passado, mas que agora teria um final diferente em sua continuação. Massa, que nunca realmente quis estar fora da F1, anuncia seu retorno rasgando elogios ao time de Grove, aquele mesmo que ele disse  há apenas 4 meses que estava deixando por não ver possibilidades de vitórias...

EPÍLOGO

O que mudou? Quaisquer que sejam os benefícios que o dinheiro extra trouxe para a Williams, eles provavelmente serão mais sentidos a partir do meio da temporada, já que o regulamento deste ano será mais flexível, ou até mesmo no projeto para 2018. Entretanto, a cerca de um mês do início dos testes de pré-temporada, qualquer que seja a evolução apresentada pelo time inglês será resultado do trabalho feito até aqui, com o orçamento que já estava definido.
Felipe Massa receberá 6 milhões de euros por um contrato com validade apenas para esta temporada.

Após muita especulação, o Brasil continuará com pelo menos um piloto na F1.


6 comentários:

  1. É. Ele era o disponível e com conhecimento para desenvolver um carro novo. Penso que já perdeu um pouco da velocidade de "vaca brava" que tinha, devidamente adestrada no período Ferrari. Tem bom transito no meio, é querido por praticamente todo mundo e será o lider da equipe ensinando o novato. Tomara dê certo. Se o carro for bem nascido e ganhar uma única prova , já será um feito e tanto. Tomara !

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  2. A saída a moda bumerangue do Massa trouxe a Willians mais uma derrota. Já larga no pelotão intermediário atras dos mesmos. O que é razoável para uma equipe sem nenhuma identificação pública, sem torcida, sem esperanças, sem chances de vitória e com uma tecnologia aerodinâmica que só funcionou nas mãos de Piquet. A mania de usar pouca asa e fazer curvas com os recursos só da suspensão está mais do que provado que não dá certo. Sempre o carro de maior velocidade nos fins de reta. Numa prova de 2016 a Willians chegava no final da longa reta a 318 km, as Mercedes a 298 e as RBR a 287 km. As Ferrari não lembro, mas não passavam dos 300 km também. Massa vai pra essa temporada pra arrumar mais uns 8 milhões de euros, onde 2 virão de promoções fora pista. Mais uma vez amargaremos tudo de novo daquilo que vimos nesses últimos anos. A Willians é isso, uma grande figurante, arroz de festa indispensável nas bodas da F 1, Massa faz parte desse contexto. A esperança brasileira é o sonho de de repente, escorregar o lápis do projetista, ou um erro no programa de software produzir um carro competente para as novas regulamentações da F 1, superar todos outros e ganharmos alguma coisa e que de repente o Massa leve outra pancada na cabeça e acorde como ele era anteriormente a pancada que tirou dele um segundo de velocidade. Quanto a minha torcida, como brasileio, vou te contar, "VAI MOLEQUE !".

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    1. Eu defendi por anos a teoria de que o que afetou Massa não foi a mola, mas sim o "Fernando é mais rápido que você." Ano passado, o próprio autor da frase confirmou isso. De acordo com Rob Smedley, Felipe nunca mais foi o mesmo após isso, a auto-confiança dele se esvaiu.
      Fraco? Não! O psicológico pode destruir uma pessoa e para quem está de fora às vezes é difícil, e nesse caso foi para milhões de pessoas, entender.

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  3. Caro Ialdo
    Estava ensaiando escrever algo a respeito, e com respeito a todo este teatro, porem, acabo de constatar que ja foi escrito, logo ai acima.
    Se tivesse uma linha pontilhada abaixo do texto eu assinaria
    Grande abraço

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    1. Pode assinar, Regi. As informações não são minhas, elas estão aí para quem sabe interpretá-las, como é o seu caso. Apenas dei sorte e escrevi antes.
      Um forte abraço, irmão.
      Estamos juntos!

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