quinta-feira, 29 de setembro de 2016

SERÁ O FIM DA F1 EM INTERLAGOS?


por Ialdo Belo

Muitos se surprenderam com a divulgação do calendário provisório para 2017 da F1 em que o GP do Brasil está marcado como "sujeito à confirmação". Outros não. Por quê? Nesta matéria, dividida em duas partes, vamos buscar respostas. Existem várias hipóteses que devem ser analisadas e com muito cuidado. A possibilidade de não termos mais o GP do Brasil é real.

Vamos a elas:
a) POLÍTICA - Interlagos não pode ficar fora da disputa política entre os candidatos à Prefeitura de São Paulo. Entenda-se: o autódromo é administrado pela SPTuris, empresa ligada ao governo municipal e é claro que, casado com uma brasileira e tendo negócios no Brasil, Bernie Ecclestone está a par do que acontece em terras tupiniquins e, por via das dúvidas, um "asterisco" neste cenário de incertezas é mais do que justificável.
Um candidato já se mostrou favorável à privatização do uso das instalações, João Dória Jr., e o petista Fernando Haddad já pensou até em usar os boxes do circuito como galeria de arte!
Embora exista uma cláusula no documento de doação do terreno onde hoje se encontra o autódromo que determina o seu uso para competições automobilísticas, a F1 não é a única competição do gênero que é realizada lá, portanto, ela pode, sim, deixar Interlagos se a SPTuris assim decidir e isto depende de como o próximo prefeito da capital vai encarar a questão;

b) TELEVISÃO - A principal fonte de receitas da FOM, que gerencia a F1, vem dos direitos de transmissão pela TV. O brasileiro é ufanista e quer ter um representante do país para torcer, algo que sempre aconteceu desde a primeira prova da categoria disputada em Interlagos, em 1972.
Até o ano passado, as transmissões da Rede Globo eram o segundo maior pacote em valor de patrocínio da emissora, perdendo apenas para o futebol. No entanto, a audiência despencou. De acordo com o jornalista Ricardo Feltrin, a "audiência da transmissão de corridas da Fórmula 1 em 2005 era de 15,8 pontos de média e 49,3 de share (participação da emissora no universo de TVs ligadas). Para se ter uma ideia, em 2015, dez anos depois, o número caiu para 7,7 pontos de média e 23,9% de share.".  Isto levanta a questão: até que ponto a F1 pode ser um bom produto de venda para os patrocinadores?
A redução de custos é evidente: o time da casa quase não viaja mais para as provas e a Classificação nem é mais transmitida, restando apenas algumas corridas, já que aquelas que conflitem com o futebol. como o GP dos EUA, se resumem a um compacto exibido após o Fantástico.
A Globo tem a opção do SporTV, mas, por ser um canal fechado, jamais poderia cobrar nem perto dos valores que cobra atualmente. Existe, também, a possibilidade do SporTV transmitir toda a temporada exceto o GP do Brasil, que seria transmitido pelo canal aberto.
Em resumo, sem Felipe Massa e a incerteza de Nasr correr ou não ano que vem, a tendência é a audiência cair ainda mais e aí vai pesar o fator financeiro, sem dúvida;

c) ORGANIZAÇÃO - Quem frequenta o paddock, todo ano ouve a mesma ladainha: Bernie reclama e ameaça tirar Interlagos do calendário, mas, no final, fica tudo por isso mesmo. Entretanto, o Brasil nunca teve um asterisco de "sujeito à confirmação" nesses mais de 40 anos de prova.
A verdade é que a F1 foi vendida e passará a ser gerenciada seguindo o modelo americano, muito mais rígido e eficiente que o europeu.
O acesso a Interlagos é caótico, as instalações são um lixo comparadas com outros autódromos do mundo e o preço dos ingressos absurdamente caro para os padrôes brasileiros. Não se iludam com arquibancadas "lotadas", muito daquilo ali vem de cortesias dos patrocinadores.
Diante deste cenário, a substituição de São Paulo por Nova York, por exemplo, não soa nada absurda, pelo contrário. Quem conhece a eficácia americana sabe que montar um circuito de rua lá até o ano que vem não é nada difícil.

O resumo da ópera é o seguinte: levem a sério o assunto pois neste momento tudo pode acontecer.

Leiam na próxima segunda-feira, 3 de outubro, a segunda parte desta matéria: A VIDA EM INTERLAGOS SEM A FÓRMULA 1.


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