segunda-feira, 11 de abril de 2016

O BOM E VELHO SAUDOSISMO


Olá, caros leitores, para quem não me conhece, irei me apresentar. Meu nome é Matheus Jacques pilotei por 10 anos e conquistei alguns títulos que não nomearei e não entrarei em detalhes porque isto será pouco relevante, pelo menos neste primeiro texto, agora estou de férias forçadas esperando (torcendo) para que elas acabem algum dia e eu possa voltar a pilotar. Para os que já me conhecem, estou de volta.

Eu escrevia sobre as emoções e sensações que um piloto sente enquanto corre para que vocês pudessem sentir o gostinho de como é, usando minhas corridas como exemplo. Em resumo, relatava minhas corridas contando as emoções que sentia durante elas, mas, como não estou mais correndo, vou escrever sobre outros assuntos. 

Quero deixar bem claro que não vim para escrever o quão morto está o nosso automobilismo e ficar repetindo mil vezes que não temos apoio, porque disso todos escrevem e todos já sabem. Vou falar sobre categorias que eu gosto, pilotos que merecem destaque, algumas curiosidades que sei sobre os bastidores e, uma vez ou outra, contar alguma história minha que possa ser interessante. Feita a apresentação, vamos ao que interessa.

Vejo muitas pessoas dizendo que o automobilismo antigo que era bom e que a aliança entre a tecnologia de ponta e os carros de corrida está acabando com a graça das corridas, vejo também muitos jovens (e até alguns mais experientes) rebatendo dizendo que isso é puro saudosismo e que toda a tecnologia que temos hoje nos nossos carros é proveniente dos carros de corrida. Sou o tipo de pessoa que considera e respeita toda opinião, mas, particularmente, eu não ligo a televisão e assisto uma corrida para saber o que terá no meu 
carro no futuro. Quando assisto uma corrida eu espero emoção, adrenalina e muita disputa.

Penso que a crescente tecnologia aplicada aos carros vem causando a falta de emoção nas pistas e, consequentemente, acabando com a audiência e presença dos fãs. A falta destes fãs, meus amigos e minhas amigas, é algo triste para nós pilotos, que, apesar de corrermos por prazer próprio, estamos, nada mais nada menos, fazendo um espetáculo para quem 
comparece ao autódromo. Quando eu corria em Interlagos, era muito triste estar no grid de largada, olhar para o lado e ver uma colossal arquibancada sem nenhuma alma viva sendo que nem existem ingressos, é apenas chegar e entrar. Fui ao Autódromo de Interlagos por muitos anos e incontáveis fins de semana e nunca vi a arquibancada da reta principal com mais de cinco pessoas assistindo as corridas. Querem saber o porquê de eu estar falando isso?

 Há um tempo eu escutava sobre a criação de uma categoria chamada Old Stock Race que traria os Opalas de voltas às pistas com nada de tecnologia e prometendo igualdade entre os carros para ganhar quem guiasse melhor. Teoria ok, faltava ver a prática. E não é que deu certo? Vi uma foto do grid de largada dessa categoria em Interlagos e senti uma emoção muito grande porque vi bastante gente nas arquibancadas da reta principal. O que mais impressiona é que na última etapa vários fãs foram prestigiar e a chegada foi uma das mais emocionantes da história de Interlagos, com uma diferença de 14 milésimos entre o primeiro e o segundo, que, por competência, e não por acaso, são pai e filho, Djalma e Fábio Fogaça.

Pois então, uma categoria foi feita com carros antigos, sem nada de tecnologia e logo de cara as arquibancadas ficam cheias e a emoção volta. Será que dizer que antigamente era melhor é puro saudosismo ou a receita do bom automobilismo está aí, na frente de todos, e nós não queríamos enxergar?




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