segunda-feira, 16 de março de 2015

GP DA AUSTRÁLIA - NASR SALVOU A CORRIDA


por Ialdo Belo

O GP da Austrália mostrou um começo de temporada atípico: o imbróglio envolvendo a Sauber e o piloto holandês Giedo van der Garde, a Manor que compareceu mas não correu, um grid de largada com apenas 15 carros... Não foi uma corrida comum, isto é certo. Entretanto, podemos tirar algumas conclusões muito importantes e que poderão influenciar o destino de pilotos e equipes pelo resto da temporada. Vamos a elas:

1) O QUE SE VIU NOS TESTES SE REPETIU NA PROVA - Que a Mercedes iria ter domínio absoluto não haviam dúvidas, o questionamento existia quanto a Ferrari e a Sauber. O resultado do prova provou que não houve jogo de cena e ambas tiveram excelente desempenho, assim como a Williams. A STR também mostrou força e o talento de Max Verstappen, ficando a grata surpresa por conta de Carlos Sainz Jr. que mostrou maturidade e competência. Os problemas enfrentados pela Red Bull com a incompatibilidade entre seu chassi e a unidade de potência da Renault está deixando a equipe austríaca na desconfortável posição de ver seu time júnior apresentar mais confiabilidade e até melhor desempenho em algumas situações. É um problema seríssimo e a menos que a FIA intervenha, o que é pouco provável, não se enxerga uma solução a curto prazo. Do lado da McLaren, uns vêem como positivo o fato de ter completado a prova depois de ter andado tão pouco na pré-temporada, já outros enxergam o fato de ter ficado a duas voltas do líder Hamilton como uma situação muito pior do que se esperava. Só o tempo dirá quem está com a razão, qualquer prognóstico agora será puro "chute", mas, uma coisa é certa, nem o excelente acertador de carros Fernando Alonso poderia ter feito melhor neste momento. Destaque para a Force India que mesmo com um projeto atrasado conseguiu um bom desempenho, e para a Lotus que certamente brigará com os indianos e com a Sauber no pelotão intermediário.

2) UMA CORRIDA CHATA - Ninguém gosta de assistir ao replay de um jogo já sabendo o resultado. O desempenho da Mercedes foi tão superior que nem se cogitou em quem iria ocupar as duas principais posições, mas sim quem seria o terceiro e o quarto colocados. Disputa de verdade ocorreu da quinta posição para trás e em uma prova com apenas onze carros completando e dez pontuando a emoção foi quase zero! Faltam mais carros no grid e mesmo que tenhamos 20 na Malásia o ideal seriam 24. A FIA precisa rever o assunto, mas não vai. O resultado provável é que o público jovem e aqueles que não são fanáticos desistam da F1, com quedas de audiência pela TV e no comparecimento às provas. Para piorar, Bernie Ecclestone quer restringir ainda mais o público planejando a migração das corridas da TV aberta para o pay-per-view.
Fica a pergunta: você pagaria para assistir essa chatice?

3) UM ESTREANTE SALVA A PROVA - Por incrível que pareça, as maiores emoções transmitidas em Melbourne foram proporcionadas por um novato de 22 anos. O brasileiro Felipe Nasr foi eleito como o grande nome da corrida pelos especialistas ao redor do mundo. Não que Nasr não mereça, mas numa prova com a presença de quatro campeões mundiais somando oito títulos há de se reconhecer que algo está fora do contexto. De todas as formas, Nasr guiou com segurança e arrojo, uma combinação digna dos grandes, e se continuar desse jeito poderá vir a ser mais um brasileiro de sucesso no topo do automobilismo.

No mais, dizem que a Austrália é uma prova única. Que o que acontece nela, fica nela, não se refletindo ao longo das demais provas do campeonato. Acredito que este ano essa máxima se confirmou em alguns fatos relatados acima. No entanto, o perigo maior ainda está solto no ar, o das outras corridas virem a repetir a chatice e aí...
A ver.

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