sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

TUDO O QUE VOCÊ PRECISA SABER SOBRE A F1 2015


por Ialdo Belo

À beira da estréia das atividades oficiais da F1 para a temporada de 2015 com os testes em Jerez, o Formula i traz, de forma resumida e de fácil compreensão, tudo o que você precisa saber para acompanhar a categoria neste ano.

EQUIPES

Não se assustem, mas até o momento Caterham e Marussia (sob o nome oficial de Manor) ainda constam como participantes da temporada. Rumores insistentemente negados dão conta de que a Manor seria comprada pela Haas, que anteciparia sua estréia em um ano. Outros falam sobre um misterioso "investidor" que manteria o time vivo. A que se destacar que se a equipe alinhar, terá direito a um bônus de US$ 50 milhões pagos pela FOM graças aos dois pontos conquistados por Jules Bianchi em Mônaco, o que rendeu a nona colocação entre os Construtores. O que existe de concreto mesmo é que a Haas comprou as instalações do time na Inglaterra para usar como base na Europa, já que a sede da equipe será na Carolina do Norte com seus carros sendo construídos no mesmo local.
Quanto a Caterham, só um milagre a manteria no grid.

• Sauber - Um portal de notícias brasileiro publicou o que diz ser informações exclusivas de que a equipe estaria em situação pré-falimentar. A equipe realmente está em precárias situações financeiras após realizar a pior temporada desde a sua fundação, mas, de concreto mesmo até o momento é que a sua participação nos testes em Jerez está confirmada e terá Marcus Ericsson no primeiro e terceiro dia e o brasileiro Felipe Nasr no segundo e no quarto. Já quanto à competitividade do carro, se pontuar já será um feito extraordinário.
Não dá para esperar nada da dupla de pilotos Marcus Ericsson (9) e Felipe Nasr (12).

• Force India - O fato de não participar da primeira rodada de testes em Jerez não pode ser visto como um bom sinal, mas, ainda assim, provavelmente terá uma participação melhor do que a da Sauber graças, principalmente, a dupla de pilotos e ao motor Mercedes. O carro foi razoavelmente bem ano passado, mas a falta de dinheiro vem atormentando o time indiano desde sempre e alinhar, por si só, já seria um grande feito.
Sergio Perez (11) e Nico Hulkenberg (27) são pilotos de reconhecido talento e podem surpreender em algumas provas.

• Lotus - Perdeu um dos seus principais patrocinadores para a Williams e os rumores dão conta de que Gerard Lopez, o empresário luxemburguês dono da equipe, está buscando de todas as formas pular fora do negócio. A situação é tão crítica que deverá vir sem as tradicionais cores preta e dourada e até mesmo o nome pode mudar.
Romain Grosjean (8) e Pastor Maldonado (13) formam uma boa dupla desde que controlem as tendências espalhafatosas, marca registrada de ambos.

• Williams - De novo, como no ano passado, está apostando no "tudo ou nada". O diretor-técnico Pat Symonds reconheceu que as mudanças no regulamento relativas aos projetos dos carros "trouxe algumas dores de cabeça", levando a equipe a apostar meio que às cegas no projeto, ou seja: pode dar muito certo ou muito errado. Ano passado, funcionou. Este ano? A ver...
Felipe Massa (19) precisa quebrar o tabu e realizar uma primeira metade da temporada de forma positiva para reconquistar definitivamente a confiança dos torcedores e do mundo da F1 em geral. Já Valtteri Bottas (77) é uma estrela em ascensão e, se o carro ajudar, deverá realizar mais uma excelente temporada.

• Ferrari - A grande perdedora de 2014, ano em que não conquistou uma vitória sequer pela primeira vez desde 1993, mudou tudo: de piloto principal a chefe de equipe e até mesmo presidente. Com sua força econômica, a excelente dupla de pilotos e mais a pressão dos tifosi, teoricamente teria tudo para brigar pelo título. No entanto, ainda é uma incógnita. Não são poucos os que apostam que este ainda será um ano de ajustes.
Sebastian Vettel (5) tem diante de si o desafio de provar que seus quatro títulos mundiais consecutivos não foram conquistados graças somente aos carros projetados por Adrian Newey. Já Kimi Raikkonen (7) terá que fazer muito mais do que no ano passado se quiser continuar empregado.

• McLaren - O desafio imposto com a mudança para o motor Honda colocou o time numa situação ainda mais duvidosa do que a da Ferrari para esta temporada. Muitos saudosistas acreditam numa reedição imediata do sucesso dos tempos de Senna e Prost, mas na realidade a Honda deixou a F1 na sua última empreitada, em 2008, pela porta dos fundos e ainda sentiu a humilhação de ver Ross Brawn trocar seu motor pelo Mercedes e ter a equipe campeã do mundo de 2009 de forma avassaladora. O fracasso nos primeiros testes com o novo motor também não é muito animador. Contra tudo isso a McLaren conta com os milhões da Honda e uma dupla de pilotos que sem dúvida alguma pode ser considerada a melhor do grid em termos de desenvolvimento do carro. Ainda resta o grande mistério sobre qual pintura o carro deverá apresentar, já que foi anunciado oficialmente o descarte da cor cromada.
Fernando Alonso (14) chamou pra si uma responsabilidade enorme e praticamente descartou a possibilidade de voltar a ser campeão do mundo a curto prazo, mas, se acertar na mão como Schumacher fez com a Ferrari, poderá ter glórias imensas. Já Jenson Button (22), agora na posição de escudeiro, deverá ajudar e muito com sua experiência e estilo de pilotar.

• Mercedes - Se existe um consenso dentro do paddock é o de que os alemães dificilmente deixarão de conquistar o campeonato de Construtores deste ano. A única pergunta válida é: com quem? Nico ou Hamilton? A aposta natural fica no inglês, mas, um Rosberg motivado e mais experiente pode surpreender. O time de Niki Lauda e Toto Wolff deverá apenas fazer um update do ponto de vista técnico para se encaixar nas novas regras e a grande mudança esperada será na pintura, que passará a ser cromada como a que a McLaren utilizou em 2014.
Lewis Hamilton (44) abriu mão do seu direito de campeão do mundo de usar o número 1 e preferiu manter o seu 44 da "sorte", como se um piloto do seu talento precisasse disso... Nico Rosberg (6) é aposta certa para mais um vice-campeonato, mas, como diria Fangio, corridas são corridas e o seu psicológico já provou mais de uma vez ser superior ao de Lewis.

• Toro Ross - Definitivamente foi reduzida à condição de equipe júnior da Red Bull, trazendo a mais jovem dupla de pilotos do grid em todos os tempos. Entretanto, não confundam juventude com falta de talento: Max Verstappen (33) é diamante bruto e deve apresentar boas surpresas e Carlos Sainz Jr. (55) parece fazer jus ao DNA do pai. Quanto ao chassi, deverá apresentar o desempenho confiável, embora mediano, das últimas temporadas.

• Red Bull - Para quem vinha de quatro títulos mundiais consecutivos de Pilotos e Construtores foi um impacto tremendo não apresentar em nenhum momento a menor possibilidade de brigar pelos títulos com a Mercedes. O vice-campeonato de Construtores e o terceiro lugar no de Pilotos obtido por Daniel Ricciardo nem de longe puderam ser classificados como "conquistas". Vettel não ganhou uma prova sequer e as três vitórias de Ricciardo devem ser creditadas a problemas com as Mercedes.
No momento, ninguém aposta que poderá desafiar seriamente os alemães, embora muitos creiam que o campeonato deste ano poderá ser mais equilibrado do que o do ano passado.
Daniel Ricciardo (3) não pode ser considerado melhor do que Vettel, apenas se adaptou melhor ao carro e teve um tremendo senso de oportunismo. Daniil Kvyat (26) é bom, mas terá que andar mais do que Ricciardo se quiser ser olhado com respeito pelo mundo da F1.

OS QUE SE SAIRAM

• Jules Bianchi - A carreira do talentoso francês acabou com o acidente em Cingapura, justamente quando havia mostrado todo o seu potencial ao marcar em Mônaco seus primeiros pontos com a Marussia. Hoje, ainda luta pela vida num hospital francês.

• Adrian Sutil - Uma promessa que não vingou, o alemão teve como principal marco na sua carreira um incidente fora das pistas: uma briga de bar que terminou em condenação judicial e com seus afastamento das corridas por uma temporada.
Até o momento, não existe nada de concreto sobre o futuro da sua carreira.

• Esteban Gutiérrez - Mesmo com o apoio do compatriota bilionário Carlos Slim, o mexicano encerrou sua carreira como piloto titular de forma melancólica sem conquistar sequer um ponto em 2014. Foi contratado pela Ferrari para a última vaga de piloto reserva, o que na prática significa "pilotar" um simulador e nada mais.

• Jean-Eric Vergne - Outra promessa que não se concretizou. Batido seguidamente por Ricciardo quando ambos pilotavam para a Toro Rosso, perdeu a enorme chance de ocupar o lugar de Mark Webber na Red Bull. Assinou como piloto reserva da Ferrari para 2015 e crê que isso possa fazer sua carreira renascer das cinzas, sonhando com uma eventual promoção para o lugar de Kimi Raikkonen.
Além disso, vem participando das etapas da Formula E.

• Kamui Kobayashi - O talentoso japonês conseguiu um surpreendente retorno à F1 ano passado graças a um crowdfunding, ou seja, uma "vaquinha" promovida via internet pelos seus fãs que lhe permitiu comprar um assento na Caterham. Seu momento de maior destaque durante a temporada foi quando, sem freios, acertou em cheio a Williams de Felipe Massa logo no primeiro GP da temporada, na Austrália. Seu futuro no automobilismo também é incerto.

• Max Chilton - Dirigindo a fraca Marussia, Chilton mostrou uma incrível regularidade em 2013 se tornando o único piloto de toda a história da F1 a terminar todas as corridas em sua temporada de estréia. Entretanto, com o fim da Marussia, ficou sem equipe para 2015. Ao que tudo indica, tentará uma vaga na Indy para 2016.

• Kevin Magnussen - O excelente dinamarquês foi rebaixado a piloto de testes da McLaren contra a vontade de Ron Dennis e por pressão da Honda, que exigiu a permanência de Jenson Button como titular. As chances de voltar a guiar um dia pela própria McLaren existem, mas há quem diga que com o surgimento de novos talentos a cada dia, é possível que venha a se tornar um novo Pedro de La Rosa.

• Caterham - Embora ainda listada oficialmente como participante para a temporada de 2015, a equipe já dispensou 230 funcionários e nada indica que realmente deverá alinhar na Austrália.

• Marussia - Caso muito similar ao da Caterham, embora rumores ainda falem numa permanência.

OS QUE CHEGARAM

• Max Verstappen - O belgo-holandês de apenas 17 anos fez uma trajetória impressionante: do kart à F1 em menos de um ano! É tido por muitos como a maior promessa do automobilismo mundial dos últimos tempos e veio provando isso em 2014 com sólidas participações nos treinos de sexta-feira. É filho do ex-piloto de F1 Jos Verstappen, companheiro de Schumacher nos tempos da Benetton e o mais bem sucedido piloto holandês da história.

• Carlos Sainz Jr. - Outro que tem nas veias o DNA de campeão: seu pai Carlos Sainz conquistou por duas vezes o título de campeão mundial de rally. Com 20 anos, o espanhol estreará na F1 trazendo consigo o título de campeão de 2014 da Formula Renault 3.5. Sua contratação surpreendeu a muitos, que apostavam no português Antonio Felix da Costa para a vaga.

• Felipe Nasr - Aos 22 anos, o brasiliense estreará como piloto titular da F1 pela Sauber. Traz na bagagem os títulos de campeão da Formula BMW Européia em 2009 e de campeão da Formula 3 Britânica em 2011. Na GP2 em 2014, disputou o título até as últimas etapas, terminando o campeonato em 3º.

AS MUDANÇAS NAS REGRAS

• Unidades de Potência - cada piloto está restrito a quatro unidades de potência durante a temporada. No caso de um piloto exceder o total, uma penalidade no grid (veja abaixo) será imposta.

Penalidades das unidades de potência - a substituição de uma unidades de potência completa já não resultará em uma multa automática; ao invés, penas serão aplicadas cumulativamente com base nos componentes individuais de cada unidades de potência. Ao contrário de 2014, as sanções no grid não passarão para o próximo evento. Se um piloto não for capaz de cumprir a sua penalização no grid do próprio GP, será penalizado com a perda de tempos, com base no seguinte:

1-5 lugares no grid: cinco segundos de penalidade de tempo
10-06 lugares no grid: drive-through
11-20 lugares no grid: dez segundos e stop-and-go
Mais de 20 lugares no grid: uma penalidade de tempo a ser definida de acordo com a situação

• Novas sanções - Além dos cinco segundos de pena introduzidos para 2014, comissários de corrida também terão a opção de distribuir penalidades de dez segundos por infrações menores em 2015.

• Pontos - O dobro de pontos não serão mais aplicados para o final da temporada em 2015.

• Reinício - A relargada após o safety car seguirá o mesmo procedimento dos anos anteriores.

• Virtual Safety Car - Em uma tentativa de melhorar a segurança, especialmente em caso de bandeiras amarelas duplas sendo agitadas, um sistema de carro de segurança virtual foi projetado. Isso pode ser usado para neutralizar uma corrida sem ter de introduzir o próprio carro de segurança.

• Suspensões de corrida - Para 2015, os pilotos deverão prosseguir lentamente para o pit lane, ao invés de voltar para o grid de largada em caso de uma suspensão de corrida.

• Desocupação do grid - Um piloto será obrigado a largar do pit lane se algum membro de sua equipe, ou qualquer equipamento relevante, permanecer no grid de largada após o sinal de 15 segundos ser mostrado.

• Saídas inseguras - Para 2015, as liberações inseguras do box serão penalizadas com um automático stop-and-go de dez segundos para o piloto em questão. Sanções adicionais poderão ser impostas a critério dos Comissários Desportivos.

• Carro de segurança e retardatários - Como foi o caso em 2014, os carros retardatários poderão se reorganizar atrás do safety car, entretanto, o carro de segurança não precisará mais esperar por isso antes de sair da pista. Em vez disso, o carro de segurança é livre para entrar de volta para os boxes na volta seguinte após o último carro retardatário passar.

• Suspensão - Quaisquer sistemas de suspensão montados nas rodas dianteiras ou traseiras só podem reagir a mudanças de carga aplicada ao ponto pertinente de dirigir. A suspensão tipo FRIC (suspensão interconectada dianteira-traseira), portanto, está formalmente fora do regulamento.

• Caixa de câmbio - As equipes não poderão mais capaz de reordenar as caixas durante a temporada.

• Peso mínimo - O peso mínimo foi ligeiramente aumentado para 2015 - sem combustível, cada carro deve pesar pelo menos 702 kg.

• Projetos do bico - Novas regulamentações, trazidas para melhorar a segurança e também restringir soluções estranhas e feias, significarão designs de narizes mais uniformes.

• Segurança do Cockpit - Os painéis Zylon anti-intrusão em ambos os lados da célula de sobrevivência foram estendidos para cima, para a borda do cockpit e ao lado da cabeça do piloto.

• Testes na temporada - Não haverão dois conjuntos de testes de dois dias na temporada para pilotos titulares. Dois, dos quatro dias no total, devem ser reservados para os testes dos jovens pilotos.

PNEUS

Embora a Pirelli reconheça ter adotado uma postura menos conservadora em relação à composição dos pneus para a temporada 2015, é esperado um ganho de velocidade de até três segundos por volta em relação a 2014 graças às soluções aerodinâmicas e das unidades motrizes. Isso significa que os carros voltarão a apresentar um desempenho semelhante aos de quando eram equipados com os motores V8.



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