quinta-feira, 13 de novembro de 2014

DOSE DUPLA



por Ialdo Belo

Sei que sou minoria nesta questão, mas acho que o sistema de dupla pontuação adotado este ano e que estará sendo aplicado em Abu Dhabi tem suas vantagens.
Sem ele, Hamilton teria sido campeão já em Interlagos e isso certamente tiraria o entusiasmo dos fãs para a prova restante. Da mesma forma, a Sauber praticamente já estaria fora do rateio das equipes e perderia a grana para a Marussia que nem vai estar no circo ano que vem.
Claro, muitos vão argumentar que um piloto que teve até agora dez vitórias é muito mais merecedor do título do que o outro que conquistou cinco. Também é certo afirmar que a Sauber teve uma temporada inteira para marcar pelo menos um ponto e que se não foi competente o suficiente para ficar à frente da equipe russa em circunstâncias normais, não é agora que merecia ser privilegiada se conseguir conquistar dois pontos por um décimo lugar e tomar o lugar de uma equipe que conquistou os mesmos pontos mas através de um nono lugar.
Entretanto, temos que reconhecer que a F1 de hoje é recheada de emoções... artificiais. Se existem mais ultrapassagens, reviravoltas em provas, etc. e tal, isso se deve mais às mudanças no regulamento do que às habilidades dos pilotos. Tenho certeza que num ponto a maioria irá concordar comigo: o que nós queríamos ver mesmo era a maior potência possível, roncos de ensurdecer, mais de 1.000 cavalos de potência, treinos liberados e carros bonitos, por que não?
Queria ver Vettel desmaiando após empurrar o carro até a linha de chegada por uma pane seca. Queria ver Alonso vencer uma corrida tendo somente uma marcha. Adoraria assistir Hamilton largando água na pista para o carro ficar mais leve após ter largado com ele mais pesado por usar lastro num truque de gênio.
Mas, numa F1 em que nada disso é mais possível, o que é uma regrinha a mais para dar mais "graça" a uma competição que hoje seria totalmente chata se não fosse totalmente artificial? Me respondam, por favor, qual a emoção de uma "ultrapassagem" com o uso do DRS?
Como bem relembrou Nelson Piquet semana passada em entrevista para a mídia brasileira, a F1 era um laboratório onde as inovações eram aplicadas primeiro nela e depois iam para os carros de passeio. Dá para imaginar um Gol usando DRS para ultrapassagem numa estrada? Você conseguiria guiar o seu Fiat com um volante cheio de botões?
Houve um tempo em que se podia afirmar que o campeão da F1 era o melhor piloto do mundo. Hoje, no máximo, é aquele em que a equipe consegue aproveitar melhor o regulamento.
E que vença... sei lá!

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