terça-feira, 28 de outubro de 2014

O HOMEM DE 50 MILHÕES DE DÓLARES


por Ialdo Belo

O assunto dominante em Sochi, uma semana após o acidente que acabou com a carreira do promissor Jules Bianchi em Suzuka, era o próprio Bianchi. Os pilotos se abraçaram e fizeram uma corrente de oração pela vida do jovem francês e o ambiente estava pesado, apesar do autódromo estar lotado e do clima de festa entre o público. O mais sorridente era Bernie Ecclestone que realizava ali um sonho longamente perseguido de levar a F1 para a Rússia, completando assim o "grand slam" dos países-gigantes: China, Rússia, EUA e Brasil, além do gigante populacional Índia. Ponto para Mr. Ecclestone (pessoalmente, eu acho absurdo que ele ainda não seja um KBE e mereça ser chamado de Sir).
Esperava mais de Sochi. A pista me lembrou muito a de Cingapura, minha opinião, sintam-se livres para discordar. Certamente não entrou no rol das minhas preferidas... Quem vai a Sochi não pode realmente dizer que foi à Rússia. A cidade está mais próxima da Turquia do que de Moscou e o meu voo pela KLM confirmou isso: Amsterdam com escala em Istanbul e de lá para o balneário/estação de esqui(!) Sim, a região abriga duas opções tão distintas. Definitivamente, não é a Rússia!
Mas, o motivo do título da coluna começou a ser escrito ainda em Suzuka, quando Sebastian Vettel declarou que estava deixando a Red Bull, e veio se desenrolando de uma maneira tal que hoje é o assunto predominante em qualquer publicação sobre automobilismo: o destino de Fernando Alonso.
Vale a pena recapitular. 
Já era do conhecimento público que Alonso e a nova direção da Ferrari não estavam nos melhores termos e que a intenção da diretoria da Scuderia era simplesmente demitir o espanhol. Para "confirmar" essas previsões, Vettel solta a bomba em Suzuka e imediatamente é especulado como o substituto do espanhol na equipe italiana. Poderia ser uma troca, com Alonso indo para a Red Bull, mas Helmut Marko imediatamente confirmou Daniil Kvyat como companheiro de Ricciardo. ao mesmo tempo, a Mercedes deixou claro que Hamilton e Rosberg continuariam no time para 2015, embora a permanência do inglês e provável campeão desta temporada ainda não esteja assinada. Sem Ferrari, RBR e Mercedes, sobrou para Alonso o quê? Williams, McLaren e Lotus. A primeira já confirmou e reconfirmou Massa e Bottas. Sobrou para Alonso McLaren e Lotus, certo? Errado! A Ferrari para demitir Alonso terá que pagar ao espanhol uma multa de 50 milhões de dólares por quebra de contrato. Pelo que se afirma, a Honda até estaria disposta a pagar esta multa, desde que pudesse ter um contrato de três anos com Fernando, mas este não quer assumir este compromisso tão longo e sim o de apenas um ano. Então vem a pergunta: entre multa e salário a McLaren-Honda teria que pagar a Alonso algo em torno de 80 milhões de dólares por um ano. Estariam dispostos a isso? Tudo indica que não!
Quais são as reais opções para Alonso, então?
Vamos a elas em caráter meramente especulativo, nada é oficial ainda:
a) ano sabático: não faz sentido. A Ferrari não irá pagar para Alonso ficar em casa e ele já declarou que não abre mão de um centavo da multa;
b) Lotus: se a própria McLaren não quer assumir a multa com a Ferrari, como poderia a Lotus?
c) Audi: especula-se que a Audi estaria interessada em entrar na F1 com a compra da RBR ou da STR, tendo Alonso e Domenicali em seus quadros. Mesmo que fosse verdade, seria um projeto para 2016;
d) Ferrari: com a possível dissolução da Caterham e da Marussia, a equipe teria que alinhar um terceiro carro em 2015, mas faria sentido ter três campeões do mundo competindo entre si sob a mesma bandeira? No entanto, se existe uma equipe que poderia fazer isso é a Ferrari e como teria que pagar ao espanhol mesmo, bastaria mantê-lo.
Outras hipóteses:
a) Vettel vai para a McLaren e não Alonso, que continuaria na Ferrari;
b) Ferrari alinha Vettel e Alonso e Kimi tira um sabático.
Como se vê são muitas especulações e nada que possa ser realmente concluído e é assim que funciona a F1.
Tanto Ferrari quanto McLaren prometeram decisões sobre seus pilotos ainda esta semana, antes ou durante o GP dos EUA, mas. com esse novo drama das equipes nanicas é possível que nada venha a ser definido e que fiquemos no limbo por mais algum tempo.
Façam suas apostas!




2 comentários:

  1. Venho dizendo por um tempo: Alonso não confirmou nada na McLaren, todos sabem da situação das nanicas, aposto todas as fichas que ele está tentado um terceiro carro na Red Bull e na Mercedes, mas como ele já disse que não correrá com motores Mercedes ano que vem, Red Bull. Até porque, em uma outra declaração, ele disse ´quando vocês souberem o meu destino, entenderão que a lógica era essa´, algo do tipo. Já foi bicampeão com motores Renault, sabe da capacidade de reação da Red Bull, tanto que já namorou o time antes. E a Red Bull é uma equipe que adora inovação, curte ´aparecer´, o terceiro carro, para eles, me parece cair como uma luva.

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    1. É uma hipótese bem razoável, Alexandre. Até porque neste caso a Red Bull estaria dentro do esperado para uma equipe com três carros: um campeão do mundo; um talentoso e possivelmente futuro campeão e uma jovem promessa.
      Faz muito sentido.
      Obrigado pela sua opinião.

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