domingo, 21 de setembro de 2014

SACRÍFICIO


por Matheus Jacques

Antes do começo desta temporada, eu vi quais seriam as pistas onde correria e comecei a assistir vídeos de corridas nelas. Desde então soube que a pista de Santa Cruz do Sul era a mais difícil. Muitas curvas cegas, subidas, descidas, curvas de alta velocidade e de baixa também.  Esse meu pensamento foi totalmente confirmado logo no primeiro treino, é uma pista cheia de segredos e técnicas que só a experiência me ensinaria, mas eu não dispunha de tanto tempo, precisava aprender rápido para ser competitivo. O primeiro dia de treinos foi muito intenso, dei muitas voltas na pista e terminei com um tempo que me colocaria no meio do pelotão da categoria A. Mais uma vez eu entrei com o objetivo de andar o mais próximo possível dos líderes na classe A e se fosse preciso dar 100 voltas para realizar isso, eu faria. Um problema com o cambio me deixou sem a segunda marcha o primeiro dia inteiro e metade do segundo também, mas a equipe conseguiu resolvê-lo a tempo para a tomada de tempos e deixou o carro pronto. 
Desde os primeiros treinos eu notei que minhas voltas não eram tão rápidas quanto às dos meus adversários, mas a minha constância era superior, ou seja, meu ritmo de corrida era melhor. Eu não esperava um bom resultado na tomada de tempos por causa disto. Ainda assim, consegui me classificar em 1° na categoria Light, mas em compensação, na geral eu largaria em 8°.
Como eu sabia que meu ritmo de corrida era superior, eu coloquei na minha cabeça que precisaria caprichar na largada. Ganhar algumas posições logo no início seria essencial e depois disso era só confiar na minha constância que eu conseguiria construir um bom resultado. O problema nisso tudo é que durante todo o ano eu nunca tive um desempenho bom nas largadas, mas para esta corrida, eu sabia o que fazer, aprendi com meus erros e sabia exatamente tudo o que teria de fazer para conseguir cumprir meu objetivo.
Durante a volta de apresentação, me preocupei em aquecer os pneus, mas além disso, me preocupei mais com o aquecimento dos freios. Precisava deixá-los quentes para poder usá-los com força na primeira curva.
As sinaleiras estavam acessas, eu tinha em mente tudo o que precisava fazer, estava decidido e frio. Levantei o giro do motor e esperei que elas se apagassem. Apagaram. Meu carro arrancou como nunca, logo nos primeiros metros já havia ganho duas posições e agora me preparava para a freada da primeira curva. Meus freios estavam devidamente aquecidos e eu poderia frear mais perto da curva. Foi o que fiz, surpreendi meus adversários escolhendo o lado de fora da curva e ultrapassei mais três. Largando em 8°, saí do contorno da primeira curva em 3°na geral. Foi uma boa largada, mas meu ritmo de corrida não foi o que eu esperava, não consegui ser rápido o suficiente e durante a corrida perdi três posições, finalizando assim em 6° na geral e anotando mais uma vitória na classe Light.
O regulamento prevê que as posições de largada para a segunda corrida são as posições de chegada da primeira, mas os oito primeiros colocados serão invertidos, assim, como cheguei em 6°, largaria em 3°. Tinha tudo para fazer uma grande corrida e esperava fazer uma largada como fiz na primeira, tinha o objetivo de assumir a liderança na geral logo na largada e depois disso lutar para permanecer ali.
Eu estava muito focado quando as sinaleiras foram acessas, não enxergava mais nada além daquela luz vermelha e foi automático arrancar com o carro no exato instante em que elas se apagaram. Puxei para o lado de dentro da pista e mais uma vez pude frear bastante dentro da curva, pois tinha deixado os freios aquecidos. Contornei a primeira curva e saí dela na primeira colocação, estava determinado a defendê-la com todas as minhas forças, mas quando contornei a segunda curva, senti meu pneu vazio. Olhei pelo retrovisor e constatei que o pneu traseiro direito estava furado. Eu não podia abandonar a corrida, não estando em 1° na geral! Eu me esforçaria e levaria o carro com um pneu furado a corrida toda. Eu sabia que não seria possível terminar em uma boa colocação, mas precisava dos pontos para o campeonato. A cada volta o pneu esvaziava mais, o carro ficava mais difícil de controlar e mantê-lo na pista se tornava muito mais cansativo. Mesmo assim, cansado, correndo o risco de me acidentar e não tendo um ritmo tão rápido, eu queria terminar a prova. Foi um alívio quando vi a placa indicando duas voltas para o final e uma motivação quando vi a que indicava que era a última volta, tirei o resto de forças que tinha e terminei a corrida na quarta colocação na Light. Estava exausto, meus braços doíam, estava ofegante, mas recebi a bandeirada final, junto com ela veio o alívio, a sensação de dever cumprido, os preciosos pontos no campeonato e a sensação que eu, naquele momento em que recebi a bandeirada, estava mais forte do que no início da corrida. Não fisicamente, mas psicologicamente. Confirmei a mim mesmo que desistir não é uma opção. Não foi mais uma vitória e muito menos uma corrida empolgante, mas mesmo assim, foi uma corrida que guardarei para sempre na memória, pois sei que, não só nas pistas, terei momentos difíceis, mas superá-los e não desistir vale muito a pena.

MATHEUS JACQUES FECHA PATROCÍNIO PARA DISPUTAR PROVA NO URUGUAI



por Ialdo Belo

O piloto Matheus Jacques, atual campeão da Fórmula Vee e líder do Campeonato de Fórmula RS Light, disputará sua primeira corrida internacional com o patrocínio do Enxuto Supermercados.
Matheus correrá em Rivera, no Uruguai, no final de semana do dia 27 de setembro e precisa apenas de dois terceiros lugares na rodada dupla para retornar ao Brasil como campeão!
Na foto, Matheus assinando o contrato de patrocínio com a Sra. Marilza Gonçalves.



SILLY SEASON ATACA NA INDY

por Tony Moura

Boatos prontamente desmentidos pelo próprio Roger Penske afirmavam que o três vezes vencedor da Indy 500 e atual vice campeão da categoria Helio Castroneves perderia seu lugar na Penske para o francês Simon Pagenaud. No entanto, Roger foi rápido ao afirmar: "Por que eu dispensaria Helio? O time tem o campeão e o vice campeão desta temporada e o talento de Helio é indiscutível. Além disso, o relacionamento dentro da equipe é excelente".
Outra linha afirma que Penske irá contratar Pagenaud, mas para dirigir um provável quarto carro para 2015. Entretanto, em toda a sua história, a equipe Penske jamais alinhou quatro carros no grid, mas se for para acreditar em algum desses boatos, esse seria mais plausível do que a saída de Helinho.
O destino de Pagenaud vem sendo especulado intensamente neste momento e até a hipótese de correr pela Ganassi também foi levantada. Perguntado sobre a possibilidade de ter Simon como companheiro de equipe em 2015, o brasileiro Tony Kanaan disse que não crê muito nisso.

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